janeiro 17, 2005

-Faz lá como tu quiseres, folha seca cai ao chão...

... Começo assim uma das cantigas do Fausto, e remata depois:

"...eu não quero o que tu queres
eu sou doutra condição

Nada melhor para ilustrar o que eu penso desta chamada "democracia". Volto a repetir: "FALACIOSA", de "CARROCEL", sempre comandada por quem detém os comandos da maquineta.
Esta fabulosa "máquina engana tolos" coloca em quem nela anda a sensação de que são realmente livres, quando o não são. Quem tem e terá sempre o poder são os senhores que a manobram.
Ao entrarmos neste "jogo", escolhendo ora um ora outro animalzinho para cavalgar, estamos a alimentar o sistema. Quando exigimos mudança, só muda o bichinho montado, nunca o(s) Dono(s) do Carrocel.
"...O freguês não gostou da voltinha? Não saia que nós oferecemos outra mais cómoda... Talvêz a culpa fosse do senhor se ter empoleirado numa girafa,... ora experimente lá agora este cavalinho branco às bolinhas, vai ver como é diferente...".
Eu não quero andar NESTE carroçel, seja qual fôr o animal em que tenha que me empoleirar, seja ele o cavalinho Sócrates, o elefante Santana, A girafa Portas, O mastodonte Jerónimo, o burrinho Louçã ou qualquer outro que se preste a servir o(s) Dono(s).

Como dizia o Poeta dos Poetas: Sei que não vou por aí...
Como dizia o Fausto: Eu sou doutra condição...

Façam o favor de rir à vossa vontade, chamem-me cretino, louco, alucinado, visionário, chamem-me o que quizerem, mas não me peçam para engolir sapos. Detesto répteis, abomino sapos ao longe, quanto mais ter que lhes pegar e ENGOLI-LOS!
Deixem-me só a sonhar com o meu país da Utopia, do meu querido Zeca. Deixem-me sonhar com a minha cidade onde a folha da palma afaga a cantaria, com a capital da alegria, com o olhar nos olhos, com a solidariedade plena, com o não negar a palavra forte e justa ao meu irmão cidadão.

DEIXEM-ME COM AS MINHAS UTOPIAS.

Um abraço para todos vós
do tamanho do MEU mundo imaginário

Zecatelhado

Posted by Zecatelhado at janeiro 17, 2005 12:12 AM
Comments

Amigo Zeca, posso não concordar contigo na questão dos votos mas lá que este post está assim uma coisa linda, linda, e que me tocou o coração, lá isso, juro que é verdade.
Um abração daqueles.

Posted by: Ana at janeiro 17, 2005 12:30 AM

Sabes Ana?
A humanidade sabe o que quer, falta.lhe é a coragem do passo a dar. Fomos educados neste "sistema" e estamos agrilhoados de pés e mãos a ele pelos mandões.
Mas porque sei que como tu, a humanidade anseia por justiça verdadeira, continuo a minha luta e a acreditar SEMPRE.

Um abração do
Zecatelhado

Durmam na paz dos justos que se amam e amam o próximo, com verdade.

Posted by: zecatelhado at janeiro 17, 2005 12:38 AM

Cidade sem muros nem ameias...

Mais importa ser livre do que submisso. 'Não há machado que corte a raiz ao pensamento porque é livre, como o vento'

Posted by: Inês at janeiro 17, 2005 12:42 AM

Quem não quer mesmo participar no sistema tem de se tornar eremita e isso também não é solução. As injustiças revoltam-nos, mas o pessoal na idade média sofria muito mais, comparativamente. Apesar da evolução histórica e tecnológica ainda vivemos numa sociedade muito imperfeita.

Posted by: Mário at janeiro 17, 2005 09:47 AM

Queria muito agradecer-te o apoio :)
Um grande beijo!

Posted by: in-quietude at janeiro 17, 2005 12:04 PM

:) :) :)

Aleluia, meu Irmão!

Não estás sozinho a sonhar.

Posted by: náufrago at janeiro 17, 2005 12:12 PM

Hoje, amigo, sou eu que te digo que te adoro!! Caramba, puseste neste post tudo aquilo que me apetece gritar. Sei que tenho que ir votar. Mas sei que o carrocel vai ser o mesmo. E também queria ficar com a minha utopia. Um abraço e um beijo.

Posted by: lique at janeiro 17, 2005 02:58 PM

Touché amigo Zeca! só muda o burro, a bosta é a mesma! percebes agora quando digo desiludida com politica...mais com politicos! Por muito boas intenções q tenham, quando tem o poder nas mãos para o fazer.....acomodam-se e deixam-se comprar...beijos

Posted by: Luna at janeiro 17, 2005 03:02 PM

Amigo Zeca.
O teu pensamento é lindo. Humano, respeitável, direi até invejável. Antes partir do que torcer!?

Mas a realidade não é nada assim. Por isso amigo, o teu pensamento é, infelizmente, ilusório. Também eu pensava (por vezes penso) assim. Chego mesmo, e há anos, a odiar tudo o que são fronteiras. Também gostava de ser livre, também eu queria que não cortassem " a raiz ao pensamento". Mas como? emigrando? para onde?
Todos aprendemos que sempre a burguesia se apoderou das revoluções. Foi assim no passado, é assim agora e, agora, é bem pior.A chamada " blobalização" não nos deixa espaço de fuga. São os homens do capital que mandam mesmo sobre o nosso ranger de dentes.
Ofereço-te um abraço pela frontalidade com que expões as tuas razões, que são as nossas razões, mas, infelizmente, não votar é deixar aos coitados mandados pelos padres das aldeias votar na direita e nós pagarmos por todos.

Posted by: João Norte at janeiro 17, 2005 04:54 PM

Há lá papel inteiro ou dobrado, limpo ou sujo, que nos corte o pensamento!
Há lá quem saiba que a minha liberdade não tem preço!
Há lá utopias que me vençam as quimeras porque sempre lutei!
Há lá borrachos ávidos de poder que me embriaguem as liberdades!

Há aí alguém capaz de matar a falsidade e elevar a cidadania popular?

Pois! Temos de ir combatendo sempre com mais rigor e abnegação.
Com as armas que temos na mão…!

Posted by: jgonçalves at janeiro 18, 2005 12:19 AM

ora, um grito de revolta, que entendo, quando se anda sempre nas mesmas voltas do carrocel e de facto que a musica do fausto serve de aviso para não se andar sempre no mesmo carrocel...por isso, não basta a passividade de escrever estes simples gritos de revolta neste teu blog, mas sim, passar à acção...vota sim ! chamar o louçã um "burro", não é só uma percipitação em termos de desacreditar numa politica pró-social e baixar os braços por completo como também de desconhecer as intenções de um politico que defende o direito de cidadania de todos os portugueses, que tu, não deverás de ser excepção, pois não ? que queres fazer afinal, não consegui descobrir !? a tua solução ???

Posted by: ruiluis at janeiro 18, 2005 03:31 AM

Entendo tudo isso, e até me apetecia fazer coro, caro Zecatelhado. Mas prefito engolir um sapo.
A partidocracia é uma chatice, eu sei. Mas ainda me lembro do que aconteceu na 1ª Republica.
E a nossa ausência nas eleições pode ser considerada como alheamento. E às tantas amigo, com todos alheados, aindo nos aparece para aí algum "homem providencial". E isso é que eu não quero mesmo
Um abraço

Posted by: yardbird at janeiro 20, 2005 10:35 PM

Entendo tudo isso, e até me apetecia fazer coro, caro Zecatelhado. Mas prefito engolir um sapo.
A partidocracia é uma chatice, eu sei. Mas ainda me lembro do que aconteceu na 1ª Republica.
E a nossa ausência nas eleições pode ser considerada como alheamento. E às tantas amigo, com todos alheados, aindo nos aparece para aí algum "homem providencial". E isso é que eu não quero mesmo
Um abraço

Posted by: yardbird at janeiro 20, 2005 10:35 PM

Entendo tudo isso, e até me apetecia fazer coro, caro Zecatelhado. Mas prefito engolir um sapo.
A partidocracia é uma chatice, eu sei. Mas ainda me lembro do que aconteceu na 1ª Republica.
E a nossa ausência nas eleições pode ser considerada como alheamento. E às tantas amigo, com todos alheados, aindo nos aparece para aí algum "homem providencial". E isso é que eu não quero mesmo
Um abraço

Posted by: yardbird at janeiro 20, 2005 10:36 PM

Linda a descrição da tua Utopia. Há sonhos que se tornam realidade ... mas... só não se sabe qunado isso acontece! :)**

Posted by: M.P. at janeiro 21, 2005 11:06 PM

...venho até aqui "pela mão de uma nossa comum amiga , que tinha lá um lembrete a dizer "que antes de votar, viesse cá". Cá estou e nada surpreendido pelo que li. Somos pelo menos dois, num universo de muitos que nunca se quiseram deixar manipular; antes e depois de Abril.
Aqui, deixo as palavras que já escrevi antes e algures: tal como a responsabilidade de cidadania do acto de votar, deve ser conscientemente pesada, o voto pertence a cada um de nós; somos nós (e só nós) que decidimos do destino a dar ao papelinho. Por mim, só o darei a quem provar merecê-lo de facto. E se ninguém o merecer (na minha opinião)
...voto em branco, que é um voto tão legítimo como qualquer outro, embora haja quem pretenda que não (e a isso também se chama manipulação...)em nome de lusos receios ancestrais e que se têm vindo a provar ao longo dos últimos trinta anos de democracia como resultaram...
...e já TODOS provaram o doce sabor do poder...
Intés!!

Posted by: porquinho da india at janeiro 28, 2005 07:44 PM