*Maria
INSTANTES


Expresso
Devia ser da responsabilidade, só podia ser da responsabilidade, esse nervoso miudinho que a tinha tomado de assalto.
Não que ela não tivesse já alguma experiência, já servia cafés, atrás daquele balcão, discreto e alto, há algum tempo, mas agora era diferente, o estabelecimento tinha amplas janelas para a rua, mais clientes, mais visibilidade.
No seu café, a penumbra protegia-a. Os clientes eram habituais, já se tinham estabelecido cumplicidades, jogos de olhar que substituíam longas conversas, pedidos ou agradecimentos destilados num único gesto.
Passar a trabalhar num novo café seria diferente, novas caras, novas exigências, novas personalidades, novas solicitações às quais era necessário responder.
Teria ainda de abandonar o conforto e a omissão de um balcão demasiado alto para a sua pequena estatura. Teria agora de circular entre as mesas, estar atenta, olhar os clientes nos olhos, ser chamada por eles, quem sabe, até ser apelidada de “dona”!
Entrou um cliente, o primeiro, que se sentou numa mesa próxima da entrada, o que a obrigava a ela a percorrer todo o espaço, a deixar a sombra protectora e a receber a luz do sol da manhã filtrada pelas janelas. Ajeitou a saia e fez-se ao caminho, quilómetros que eram, porque assim lhe pareciam.
“Bom dia, o que deseja?”
“Um Expresso.”
Tirou um café, e um segundo logo de seguida. Olhou para os dois, comparou o creme que se acumulava na superfície e escolheu o primeiro. Colocou no pires um pau de canela e um pequeno bago de café e chocolate.
Pousou-o tremulamente sobre a mesa, e mesmo sem deixar que a chávena se aproximasse dos lábios, perguntou ansiosamente:
-Como está?
Posted by Zecatelhado at abril 9, 2005 12:08 AMCoisa mai-linda! Amei! :)
Posted by: Vi at abril 9, 2005 12:10 AMEspectacular:)
Posted by: wind at abril 9, 2005 12:25 AMEncaixou que nem luva
Posted by: congeminações at abril 9, 2005 12:37 AMSaia um cafezinho com creme e baunilha...servido pela "menina" que costuma estar atrás do balcão...
Um abraço do morfeu
Bom dia. Pareceu-me estar a ver a cena de um filme e tenho quase a certeza que vai haver desenvolvimento, não vai? Cá estarei...
Um beijinho e bom domingo.
Thita, não pensei nesta história para um desenvolvimento, mas vou considerar a tua sugestão ... se a inspiração chegar, quem sabe. Um beijinho
Posted by: maria at abril 10, 2005 03:47 PMA sua forma intimista de escrever, faz-me adivinhar que estamos perante alguem que devia pensar seriamente em escrever " a novel", como dizem os ingleses-qualquer coisa que está entre o romance e o grande conto
Posted by: Valeria at abril 10, 2005 05:02 PMSó posso dizer que está óptimo e muito obrigado, já agora dispenso o açúcar…
Posted by: jgonçalves at abril 10, 2005 06:31 PMOra bem; Como já quase toda a gente falou, agora falo eu:
Parece que isto valeu mesmo a pena. Claro que temos muito para melhorar, mas o essencial da "coisa" ganhou a aposta. Estou feliz e penso que todos os companheiros deste espaço também estão.
A todos o meu obrigado.
Aquele abração do
Zecatelhado
Delícia de texto, Maria! Tão bem pensado esse paralelo da ansiedade que existe quando se inicia algo de novo! Mas isto vai ser bom. E os cfés, óptimos sempre!
Posted by: lique at abril 10, 2005 06:51 PMmaravilha!
Posted by: amnésia at abril 12, 2005 10:20 AMUm expresso muito bem servido!...
um abraço,
Francisco Nunes