abril 09, 2005

Pensamentos Domésticos

*Vi e Cócó
MONÓLOGOS COM CRISTA


Pensamentos domésticos

Anda uma mulher quase duas semanas a "escrever na cabeça" dúzias de redacções lindas e cheias de tchã, que aquilo tudo junto e publicado em livro ainda era candidato a um Prémio Camões – pelo menos - e vai-se a ver, na hora de atacar o teclado varreu-se-me tudo!...
Tantas conversas cultas e inteligentes com o Cocó, verdadeiras tertúlias intelectuais cheias de "conteúdo de qualidade" (seja lá isso o que for), e tudo o vento da desmemoriação levou. Sim, que a minha cozinha mais parecia uma Brasileira do Chiado nos tempos em que por lá paravam os altos vultos da literatura e da cultura: o Cocó e eu trocando ideias de alto nível sobre a cultura, a literatura, a ciência – e até uns pozes de religião e inzoterismo, com a morte do Papa, e a numerologia do treze e as medidas da Grande Pirâmide de Gizé – entre o lavar da loiça do almoço e o cozer da sopa para o jantar, e tudo a panela de pressão cozeu, tudo a varinha mágica da falta de memória triturou, trucidou, reduziu a pó, cinza e nada! Nem a Dona Bárbara Guimarães e seus ilustres convidados têm conversas tão ricas e enriquecedoras!!!
É triste, meus amigos leitores, o avançar da idade e o recuar da memória. Esta luta parecida com a que a praia trava duas vezes por dia com o mar, mas que sempre acaba empatada: quando um avança a outra recua, e passadas doze horas acontece a mesma coisa – mas ao contrário... No caso da idade e da memória, é sempre a primeira que avança e a segunda que recua (menos nos homens, que esses, coitados, também vêem recuar o cabelo enquanto a testa avança, avança....). Esta reflexão podia levar-nos ao assunto "capachinhos", mas estou quase deprimida com esta contrariedade, este percalço, e não me apetece entrar a fundo no tema capilar.
Contrariedade ainda por cima mais grave no primeiro dia do novo emprego, mesmo no início de uma nova carreira, e sobretudo, tendo por patrão pessoa de tão alto nível e que me merece tanta consideração e estima como o nosso tão querido Senhor Zeca Telhado, e por colegas alguma da nata dos habitantes do Bairro Weblog.com.pt. Grrrrrr!
Resta-me esperar e desejar que este obstáculo venha a dar razão àquela frase antiga que diz que "O Espanhol não quer bom princípio". E também passar despercebida no meio das redacções dos colegas de "Café", que aposto que têm todos assuntos palpitantes, pertinentes, entusiasmantes – e redigidos de forma inteligente e culta, ao contrário deste par de cérebros em que um é completamente galináceo de nascença e o outro para lá caminha.
Vale-nos a bondade do nosso Chefe das Redacções, que sabe acolher, e entender e valorizar, esta forma simples de pensar e escrever de uma simples mulher do povo apoiada apenas pelo seu galo de estimação.
Desde já aqui afirmamos que nos empenharemos a fundo, comprando amanhã mesmo um caderno destinado exclusivamente a registar pequenos apontamentos do nosso quotidiano diálogo – futuras sementes inspiradoras para redacções que acompanhem, embora de longe, o brilho das que constituem todo o restante desta primeira edição daquele que virá a ser uma referência na blogosfera nacional, quiçá mundial: o Café Expresso.
Saudações crónicas da Vi & Cocó

Posted by Zecatelhado at abril 9, 2005 12:01 AM
Comments

lol, bastante humor:)

Posted by: wind at abril 9, 2005 12:34 AM

Oh dona Vi, tanta modéstia nesta apresentação. Que
pensarei eu.

Posted by: congeminações at abril 9, 2005 01:04 AM

humor ao mais alot nivel, a sátira deliciosa.ADOREI "as redaçções....tchã", o "inzoterismo", chega a ser fadista!
Gostei muito.

Posted by: Valeria at abril 9, 2005 03:13 PM

^__^ =)

Posted by: Golfinho at abril 9, 2005 08:59 PM

Bom dia. A Vi e o Cocó também vão fazer parte dos meus destacáveis, hihi....
Gostei muito de vos ler.
Deixo um beijinho aos dois e o desejo de um bom domingo.

Posted by: Thita at abril 10, 2005 11:48 AM

às vezes era preciso um gravador de ideias, que não dá para fazer redações de cebola na mão e lágrimas nos olhos :) e que pena nos fica das ideias que fogem assim, como os vapores das panelas
Um grande beijinho para a minha "madrinha"

Posted by: maria at abril 10, 2005 04:37 PM

Um texto com um humor delicioso. A memória pode ir desaparecendo mas a vivacidade e o sentido de humor não, obviamente!

Posted by: lique at abril 10, 2005 06:10 PM

Ora bem; Como já quase toda a gente falou, agora falo eu:
Parece que isto valeu mesmo a pena. Claro que temos muito para melhorar, mas o essencial da "coisa" ganhou a aposta. Estou feliz e penso que todos os companheiros deste espaço também estão.
A todos o meu obrigado.
Aquele abração do
Zecatelhado

Posted by: zecatelhado at abril 10, 2005 06:49 PM

E fica provado que as domésticas também têm arte e engenho, para elaborar uma “sopa forte” de prosa matizada e humorada.

Posted by: jgonçalves at abril 10, 2005 07:16 PM

Pois muito agradecidos a todos, e recebam um beijinho meu e do Cocó.

Posted by: Vi at abril 11, 2005 02:04 AM

Muito bem dito, muito sentido de humor, muita dor... usarei capachinho ou raparei o cabelo à atleta de velocidade?

Um abraço deste que cada vez tem mais testa,
Francisco Nunes

Posted by: Planície Heróica at abril 14, 2005 03:41 PM