*Fancisco Nunes
SOPRO DA PLANÍCIE
Ah grande Senhor Francisco, quem assim nos faz parar, e ler, e pensar... faz-nos sentir pequeninos.
(como naquele verso que acho que é do Senhor Poeta Fernando Pessoa: "oh mãe, eu não sei nada!")
Pois é Francisco bem invocada esta nossa triste realidade, seu estilo a que nos habituou. Parabéns pela posta.
Razão tive eu quando no início deste projecto afirmei recear não saber ombrear com colaboradores
deste gabarito. Vou continuando a emprestar a minha colaboração, modestamente a este projecto. Com um abraço do Raul
Amigo Francisco.
Ficou de Abril esta possibilidade de trocar-mos ideias, não importa agora o lado da razão.
Há! E ficou também, esta maravilha de continuarmos a olhar o nosso umbigo…
E não sabiamos, naqueles dias de 74, que iria ser assim?! Mesmo que se arranquem as ervas daninhas, elas voltam a nascer.
Gostei muito do seu trabalho. Parabéns!
Posted by: Inês at abril 23, 2005 06:10 PMA repressão que se viveu até 1974 no Alentejo, e não só, não era atributo do regime de Salazar e Caetano. Era um método que vinha da noite dos tempos, a repressão que existiu durante Salazar, foi exactamente a mesma que existiu durante a 1ª República.
A História oficial apenas regista a repressão do regime Salazarista. A reforma agrária do início dos anos 50, que criou os Foros e Santo Isidro de Pegões, não existe nos nossos livros de história, bem como uma redistribuição de terras promovida por El-Rei D. Carlos I na margem esquerda do Guadiana, no inicio do Século XX, foi abruptamente destruída em 1911, pelos latifundiários anteriormente expropriados, e que provocou um exodo maciço das populações em direcção ao Brasil e aos Estados Unidos em 1912 e 1913.
Ai, ai... Tou já tão desabituada de comentários e bloganços que já nem preencho devidamente isto...Este foi só para acrescentar a URL.
Grande pedrada no charco, amigo Francisco Nunes.
Um abraço meu e do Vitor, extensivo aí ao restante pessoal amigo do Café. Eu e o Vitor andamos um bocado longe da blogosfera mas, ainda que sem nada comentar, ainda vamos lendo, uns dias mais em diagonal outros mais a preceito, consoante o (pouco) tempo disponível... É a vida.
Valham-me todos os deuses do Olimpo!
Afinal, o comentário a rectificar o comentário original saiu em segundo lugar? Já nem percebo nada desta coisa. Ó Zeca, ó Francisco, se tiverem pachorra apaguem os comentários extras, deixem só o do meio que é o original.
Abraços e beijocas, desculpem lá isto, foi do licor que o Vitor me deu ao jantar.......
Caro Luis Bonifácio,
Salazar era um professor de direito com créditos intelectuais muito bem firmados. Dizer que a repressão sentida no Alentejo não era um atributo, era um método que vinha da noite dos tempos, não o desculpa. Ao contário: imbeciliza-o de uma forma a que até chamaríamos injusta!
Tenho estudado alguma coisa da 'noite dos tempos' no meu Alentejo. Sei que o Antigo Regime tinha fortes dotes repressivos, mas ouso dizer que o Alentejo, e especialmente a Comarca de Ourique, acabou por criar algumas liberdades individuais que não existiam noutros sítios.
A Reconquista tinha criado aqui algumas desestruturações sociais que, aliadas ao despovoamento sentido e às características da zona que beneficiavam a pastorícia em detrimento da agricultura, levaram a alguma liberdade individual.
Foi precisamente o advento do Liberalismo, a mecanização da agricultura e a proletarização progressiva dos alentejanos, aliada ao arroteamento de terras, que criou aqui laços insuportáveis de dependencia económica.
Tem razão quando afirma que a Primeira República foi muito repressiva no mundo laboral. Também o tinha sido a monarquia constitucional...
Não nos podemos porém iludir com aquilo a que chamou 'redistribuição de terras' no tempo de D. Carlos. Este empreendimento foi um disparate económico.
As terras a que penso que se refere situavam-se nas zonas mais inóspitas do Concelho de Serpa (a chamada Serra de Serpa). Essas terras até, na sua maior parte, nem foram tomadas pela violência. Foram trocadas por um copo de vinho... Os recém proprietários, se tinham as alfaias -o que acontecia raríssimas vezes-, não tinham como desbravar os terrenos íngremes que lhes tinham sido distribuídos.
O caso de Vale de Vargo, também no concelho de Serpa, tem outras cambiantes que não podem ser discutidas assim 'en passage...', talvez um dia as analise no Planície Heróica... Mas, ao que me parece, há aí muito de pantanoso, de história mal contada...
De Pegões apenas conheço o vinho... sabe-me mais a Península de Setúbal. Casta Periquita e por aí...
O Luís não o disse, mas deve ser dito. Muitas das promessas de terras por arrotear, na Primeira República, foram feitas com o fito na venda de carvão para os geradores eléctricos de Lisboa e Setúbal. Muitos braços se agarraram por esta altura ao alferce ingloriamente... Depois de arroteadas as terras, os seus proprietários legais não resistiram à sua recuperação...
Deve ser dito, até para limpar alguma carga menos confessável ao que se tem vindo a espor, que a criação de latifúndios urgia nestes anos que medeiam entre 1840 e 1950. Sem querer justificar aquilo que é injustificável em termos sociais, deve dizer-se que era unanime a idéia de que o Alentejo só poderia ter agricultuar em grandes extensões... O cooperativismo não era uma hipótese para a maioria dos alentejanos do tempo... e ainda não é! Mas isso é outra história!.
Um abraço amigo a todos os que tiveram a pachora de ler e comentar esta posta,
Francisco Nunes
P.S.: Um abraço 'aos desaparecidos' Ana e Vítor... saudades!
Posted by: Planície Heróica at abril 24, 2005 12:53 AMAi, ai que até fiquei parada...tenho de ler isto outra vez.Este é um texto de Sociologia ao mais alto nivel...e uma critica aos revolucionários de pastinha...é verdade, tudo verdade aquilo que o meu Amigo escreveu...por muito que nos doa.
Mas vou ler outra vez...quero reter algumas frases.
Epá, ó Francisco;
Só por esta lição de história já valeu a pena fazer este projecto-jornal.
Pôrra! que rica ideia o Café Expresso!
Um abração do
Zecatelhado