*Valéria Mendez
FADO FALADO
A Primeira Vedeta Internacional do Fado
A respeito dos "outros quinhentos" muito haveria de facto por dizer.
Gostei e quero só acrescentar que também se deve ao Armandinho a catalogação duma grande quantidade de Fados Tradicionais. Foi ele que lhes deu os nomes por que hoje são conhecidos.
Um abraço.
Foi sim senhor,o Armandinho é uma peça fundamental para o fado tradicional, tal qual o Marceneiro...
Posted by: Valeria at abril 30, 2005 04:00 PMOh Valéria! Bolas! A amiga percebe de Fado e de História do Fado a valer!
Um abraço,
Francisco Nunes
Valéria, os seus posts abrem-me um mundo quase desconhecido. Sei muito pouco sobre a História do Fado. Estou a gostar, sinceramente. Beijos
Posted by: lique at abril 30, 2005 08:08 PMTem toda a razão no que escreve. Pessoalmente não consigo interessar-me por ouvir cantar as novas interpretes do fado. Do meu ponto de vista julgo que lhe falta um elemento primordial o respectivo "culto". Estarei errado na conclusão?
Com um abraço do Raul
sabe uma coisa, Amigo Raul ?
O Fado e a Poesia estão hoje, graças a Amália, de braço dado. Para além do "culto" falta a essas jovens fadistas a inteligencia emocional para cantar coisas que naturalmente ninguem sente ou compreende aos 20 ou mesmo 30 anos de idade...O conhecimento vem com a idade, com a vivência...e depois pode ser-se fadista, ouvindo ou cantando. Eu, aos 21 anos já cantava Fado, mas não compreendia, por muita vivencia que tivesse, anos de faculdade no estrangeiro, convivio com muita gente, muitas leituras, etc, não poderia, mesmo que tivesse uma voz excepcional, interpretar um Régio , um Bernardim ou um Pessoa...
Amália pegou no Guerra Junqueiro aos 25 anos, depois aos trinta pegou no David Mourão Ferreira ainda maisjovem que ela, pegou ainda num poema do Homem de Mello, mas limitou-se até aos 40 anos a poesia popular, fados tradicionais ou composições de fado mais elaborado, mas com uma profundidade menor a nível literário-A Casa Portuguesa, o Fado do Ciume,o Coimbra, que são GRANDES LETRAS, mas não são propriamente poemas.Depois da maturidade, dos 40 é que vem o peso todo...O Fado Peniche do David Mourão Ferreira aos 42, o José Régio e o Camões aos 45, etc, etc...Por isso é ridiculo ver uma jovem cantar o Povo que lavas no rio, por exemplo.Amalia cantou-o pela primeira vez aos 42. Nessa idade já se sentiu muita coisa. Até crianças já ouvi cantar esse fado...Tão ridiculo...É o mesmo que pintar o cabelo ou pôr baton numa menina de cinco anos...
Valéria, eu acho que o grande "truque" do fado é fazer parecer poema mesmo o que não o é. E costumo até dizer que o fado é o último reduto (olá Pedro!) do bem cantar em português. Em nenhum outro tipo de canção há um tal rigor e uma preocupação em "dizer bem" e articular decentemente. (Excepção aqui feita à Canção de Coimbra. Por lá ainda não descobriram que não se acentuam sílabas átonas).
Agora as vivências. A Amália só pegou nos grandes poetas em força quando o Oulman lhos deu a conhecer. Tenho a certeza de que os teria cantado antes se um Oulman tivesse entrado mais cedo na sua vida. Convenhamos que, sem desprimor para o fado tradicional, era preciso um compositor que tivesse talento para (e soubesse) compreender os poetas maiores. Não estou a ver a Gaivota cantada num tradicional, mas, do ponto de vista contrário, admito que me custa ouvir o Vitória e o Bailado com outras letras que não Povo que lavas no rio e Estranha forma de vida.
Concordo com o facto de certos fados serem absurdos cantados por alguém muito novo (o ridículo duma miúda de 16 anos a cantar: "ai quem me dera ter outra vez vinte anos", só é superável pelas atitudes de alguns políticos da nossa praça).
Mas não me parece que seja preciso ser "muito velho" para cantar e sentir Povo que lavas no rio. E até aplaudo que os mais jovens cantem coisas dos consagrados e em particular da Amália. É natural que assim seja e parece-me mais uma forma de homenagem do que uma tentativa de imitação (qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe que Amália é inimitável).
Um abraço.
P.S. Já agora, a Gaivota, que mencionei mais acima, é só a melhor canção de todos os tempos e de todos os lugares.
Posted by: Fernando at maio 1, 2005 04:50 AM'Tou a gostar disto Fernando...conheço bem poucas pessoas com quem possa falar de musica com propriedade...
Dou-lhe toda a razão, menos num ponto-continuo a ser infléxiel em relação às jovens fadistas cantarem coisas tão pesadas como o Medo de Reinaldo ferreira ou o Malaventurado de Bernardim...Não combina.Convenhamos que só a idade traz um certo acervo emocional...Quanto a se cantar coisas de Amália, sou a favor, meu caro, é sinal que Amália fez escola, nada mais...O que eu sou frontalmente contra,é gravar-se os standards de Amália, sem a preocupação de criar um caminho proprio, uma interpretação personalizada...´Mas em espectaculos, concertos, etc, até é saudável que se cante Amália...para que a memória perdure.Quanto aos discos, é o que eu lhe digo-Se forem suficientemente talentosos para seguirem o caminho proprio,Variações cantou o Povo que lavas no rio, a Dulce Pontes também...concordo e aceito. Se fôr para fazer como fez a Mariza, que gravou Primavera de David Mourão Ferreira, em que até as pausas eram decalcadas da versão amaliana, faça-me o favor...Se eu quizer ouvir oPrimavera ouço pela Amalia...Se posso ter un Van Gogh na parede, não vou pôr um quadro da loja dos trezentos...Percebeu a minha ideia?
E em relação à Gaivota, vou-lhe contar uma "estoria" que se passou num jantar em Paris do já longinquo 1985.Amália estava no Olympia a fazer uma série de oito recitais seguidos.O Alain também lá estava.Pessoa duma finura e dum talento sem nome...Amália, depois de ter cantado durante duas horas, e depois da ceia no reastaurante connosco, lembrou-se de se levantar e cantar a Gaivota à cappella, para dar um exemplo da conversa que o Alain estava a ter , dizendo que o valor duma composição musical, é quando as notas e os compassos são empregues de tal forma que fique para o artista a liberdade sufiente para voar, exemplificando com a Gaivota que, desde a primeira versão gravada em 65, depois a segunda versão gravada em 70(Com que voz), até `as diferentes interpretações de Amália ao vivo nos concertos,consegue sempre surpreendê-lo, apesar de ser ele o autor da musica.O que ainda mais o surpreendia, era que, nâo obstante Amália cantasse sempre diferente, acabava sempre por respeitar ao milimetro as notas originais da canção.E então foi uma delicia ver Amália improvisar sobre a Gaivota...Um dos maiores momentos que vivi com Amália...
Com mais este postal da Valéria, ficámos a conhecer ainda melhor a história do fado. Com as discussões que se geraram...mais ainda. Fico imensamente orgulhoso em ter despoletado este tipo de coisa chamada Café Expresso-Tadechuva. Puxa! Está mesmo a valer a pena.
Um abração do
Zecatelhado
Mais uma lição de história:)
Posted by: wind at maio 3, 2005 01:33 PMI just got into blogging and I absolutely love it, so thanks, I keep track of this blog as well as 5 others so far.
Posted by: Bruce Parker at maio 24, 2005 12:42 AM