*Fancisco Nunes
SOPRO DA PLANÍCIE
OVIBEJA: 'Todo o Alentejo deste mundo'
*José Gonçalves
SAUDAVELMENTE FALANDO
*Lique
QUANDO AS PALAVRAS DANÇAM
*Luís Bonifácio
BOLINANDO
31 Anos depois – O poder autárquico e o meio-ambiente
*Raúl
ESTENDAL DE LETRAS
O regime democrático instituído em Portugal está longe de ser um poço de virtudes
*Teacher
SECUNDÁRIO E COMPLEMENTAR
*Valéria Mendez
FADO FALADO
A Primeira Vedeta Internacional do Fado
*Vi e Cócó
MONÓLOGOS COM CRISTA
*Wind
O ESPELHO DAS PALAVRAS
*Fancisco Nunes
SOPRO DA PLANÍCIE
*GolfinhU2
TUTO B(U)ONO
Brevemente .... com desejos de rápidas melhoras
*José Gonçalves
SAUDAVELMENTE FALANDO
*Lique
QUANDO AS PALAVRAS DANÇAM
*Paulo Querido
ARROBAS
A última comemoração do 25 de Abril ( 2004 ) e o que dissemos nós, O POVO
*Pedro Guedes
OUTRAS MARGENS
A terra a quem a trabalha: mortos fora dos cemitérios, já
*Raúl
ESTENDAL DE LETRAS
Nunca trocarei a minha liberdade, por um qualquer bem-estar
*Teacher
SECUNDÁRIO E COMPLEMENTAR
*Vi e Cócó
MONÓLOGOS COM CRISTA
Onde está você neste 25 de Abril?
*Wind
O ESPELHO DAS PALAVRAS
Dá-vos vontade de rir o título do post? Pois fiquem sabendo que é mesmo isso que penso depois da saída da 2ª edição do "Café Expresso-Tadechuva".
Ainda estou a suar, já bebi 4 cafés em hora e meia, já pisei o rabo à Tuka, já fumei quase um maço de SG Ventil, e sei lá mais o que é que aconteceu!
Tudo porque o trabalho MAGNÍFICO que hoje aqui se apresenta teve a mão dessa extraordinária companheira que é a MARIA ( apetece-me repetir sem parar o nome da rapariga). Sem ela eu não seria capaz de fazer nada disto ( ou talvez fizesse daqui a cem anos ). Está na hora de todos os que lerem este post irem lá à caixinha dela e deixarem também um agradecimento.
Isto ainda vai mudar muito, mas para esta semana...CHEGA, uffffa!!!!
Aquele Abração do
Zecatelhado
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* Zecatelhado
O SABOR DOS DIAS
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*Fancisco Nunes
SOPRO DA PLANÍCIE
'E o fundo das costas lavado com água de malvas?... (1)'
'E o fundo das costas lavado com água de malvas?...(2)'
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*GolfinhU2
TUTO B(U)ONO
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*José Gonçalves
SAUDAVELMENTE FALANDO
Via láctea (um esclarecimento)
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*Lique
QUANDO AS PALAVRAS DANÇAM
Direito à vida?
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*Luís Bonifácio
BOLINANDO
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*Maria
INSTANTES
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*Paulo Querido
ARROBAS
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*Pedro Guedes
OUTRAS MARGENS
O desafio do Conclave
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*Raúl
ESTENDAL DE LETRAS
O mundo fascinante do automóvel
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*Teacher
SECUNDÁRIO E COMPLEMENTAR
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* Thita
EM CRESCENDO
Um olhar de criança sobre o mundo
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*Valéria Mendez
FADO FALADO
De Proscrita a Ícone duma Música Urbana
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*Vi e Cócó
MONÓLOGOS COM CRISTA
EU não vou reformar o meu pano do pó!
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*Wind
O ESPELHO DAS PALAVRAS
Sophia de Mello Breyner Andresen
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* Zecatelhado
O SABOR DOS DIAS


A Aventura
"...O Barco vai de saída
adeus ó cais de Alfama
se agora vou de partida...
....
lembra-te de mim nesta aventura
p'ra lá da loucura
p'ra lá do Equador..."
Aí está " a barca" prometida. Ainda um esboço tosco do projecto pensado mas já FLUTUA nas águas.
Ideias, muitas! Arrojo, muito! Horinhas a pensar e a dar ao dedo, bué! Mas a vontade de fazer algo um bocado a "quebrar o tradicional", bué, bué!
Por enquanto, reuniu-se aqui um grupo de amigos, do melhor que há por aí nestas coisas dos blogues ( muitos mais haveriam tão bons ou melhores que estes, mas como compreendem seria impossível de todo juntar tanta gente ) e decidiram dar corpo e alma a um bloco de opiniões a que vamos chamar de
"CAFÉ EXPRESSO-TADECHUVA", prontinho a ser devorado com o pequeno almoço de sábado.
Como tinhamos prometido, aqui neste espaço coabitam pessoas de todas as opiniões e crenças, num espírito verdadeiramente democrático, ou seja, onde o direito à palavra não conhece margens de qualquer espécie. De Libertários a Conservadores há de tudo minha gente! Viva o direito ao contraditório!
Estava previsto já para o primeiro número, um acompanhamento destes textos com um vídeo surpresa, mas não foi humanamente possível executar a tempo o dito, pelo que só na próxima semana teremos oportunidade de o fazer.
Queria deixar aqui TRÊS VIVAS aos soberbos "redactores" deste "blog-jornal":
Ao Francisco Nunes, ao Golfinho, ao José Gonçalves, à Lique, ao Luís Bonifácio, à Manuela, à Maria, ao Paulo Querido, ao Pedro Guedes, ao Raúl, à Teacher, à Valéria, à Vi, ao Cócó, à Wind, ... e um VIVA muito especial para a "mascote" deste grupo, a pequena Thita.
Isto ainda agora vai começar, vai-se transformar semana-após-semana numa coisa cada vez mais burilada, mais trabalhada, e vai ser bonito ver o "miúdo" a crescer, acreditem.
Para finalizar, gostaria de pedir a todos que fossem deixando opiniões, críticas, icentivos e pateadas. Só assim, de opinião crítica livre mas justa se constroem boas coisas.
Uma boa semana para todos, com o já celebérrimo
ABRAÇÃO do
Zecatelhado
*Fancisco Nunes
SOPRO DA PLANÍCIE


Por esses campos fora.
Ficou famosa aqui na Planície uma figura dada a coscuvilhices e boatos. Com
medo de se ver em 'grandes assados' terminava sempre as suas confidências ao interlocutor do momento com a seguinte frase: "Eh pá, agora vê lá, han!...Não contes isto a mais de quinze!" Achamos brilhante. A um blogue que está a dar os primeiros passos há uma certa discrição que convem... É necessário evitar o elogio excessivo e o enxovalho arrasador.
Acima de tudo pede-se aos leitores deste espaço que nos deixem criar aqui o(s)
nosso(s) próprio(s) espaço(s), ganhar o nosso ritmo e fazer as nossas
adaptações a esta nova -e esperemos que válida- experiência. 'Somos um
blogue a fazer a rodagem'. -Lembrámo-nos agora, não sabemos bem porquê, do outro que pedia que o deixassem trabalhar... é isso mesmo: Deixem-nos
trabalhar!-
(São os prezados leitores, obviamente, livres de nos recomendarem ou de nos
dispensarem. Num caso, ou noutro, sigam o conselho da figura citada: Não
contem a vossa opinião a mais de quinze 'gaijos'.)
*GolfinhU2
TUTO B(U)ONO


GolfinhU2

Em 1980, só existiram dois discos: “Crocodiles”, dos Echo & The Bunnymen (quem não se lembra do português Pete de Freitas?) e “Boy” dos U2. Em 1987, foi lançado aquele que foi considerado o melhor disco de todos os tempos, "Joshua Tree" dos U2.
Na década de 90, existiram “Nevermind” dos Nirvana; “Mellow Gold” de Beck; “Dookie” dos Greenday; e “Achtung Baby!” e “Zooropa” dos U2.
Nos alvores do novo milénio, surgiu “Kid A” dos Radiohead, e a música nunca mais foi a mesma, o ano passado uma banda punk já referenciada acima, os Greenday, lançaram um álbum conceptual, “American Idiot”, laçando novamente o mote pró-agit para esta década e para os tempos vindouros.
Os U2 nasceram após o massacre punk, mas foram influenciados, e muito, no início, por bandas punk, como por exemplo, os Clash, os Ramones, tinham como ídolo Patti smith e idolatravam David Bowie.
O nome da banda, escolhido após "The Hype", "Feedback"; U2, não foi escolhido ao acaso, foi escolhido para marcar uma posição. Como se sabe U2 é um avião espião norte-americano. Escolheram-no porque estávamos em plena guerra fria.
Na altura da crise dos mísseis de Cuba, um U2 foi abatido sobre os céus da Ex-URSS por míssel terra-ar, coisa que os norte-americanos pensavam nunca ser possível.
E se com esse nome os U2 queriam ser uma banda de intervenção e Punk, nomeadamente como os clash foram; também não foram naifs, escolheram-no para atraír o público norte-americano e conquistar a américa tal como os Beatles tinham feito.
O primeiro contacto real que tive com os "fab four" de Dublin foi em 1982 em Vilar de Mouros, vinham eles fazer a primeira parte dos Stranglers (uma banda punk que adoravam), e que era inserido na promoção do seu disco “Gloria.”
Desse seu concerto, tinha 12 anos, do que me lembro, é da sua energia em palco, das guitarras, dum som que nunca tinha ouvido, excepto em casa no àlbum “Boy” (na altura ouvia Duran Duran e os neo-romantics), e a atitude de Bono em palco.
Bono fez uma coisa que me marcou para o resto da vida, subiu para o alto de uma coluna e saltou para o público.
Desde então sou fã.
A segunda vez (a terceira em Portugal foi a "Popmart Tour") foi na Zooropa Tour, em 15/5/1993.
Nessa ocasião vieram apresentar o seu último trabalho, de então, "Achtung Baby!"
Esse àlbum e o conceito desse concerto tiveram uma história.
Ao longo dos anos 80, os U2 passaram de uma banda culto até ao Live Aid.
Daí foi um salto ao reconhecimento internacional. A partir da participação nesse concerto, abriram-se de par em par as portas dos EUA, por onde se demoraram em longas digressões por estádios cheios até ao duplo àlbum "Ratlle & Hum".
Quando a "Love Town Tour" terminou em Dublin a 31/12/1989 (o muro de Berlim tinha acabado de caír a 9/11/89), os quatro estavam de rastos em termos físicos e emocionais. Larry disse mesmo a Bono que estava cansado de ver os U2 todas as noites como uma jukebox, e que os U2 não eram Bruce Springrsteen, Bruce é que gostava de tocar noite após noite hits.
Nesse concerto houve uma frase enigmática, que na altura ninguém entendeu e que foi dita por Bono: "É tempo de voltar a sonhar o U2". Bono estava a anunciar o fim dos U2.
Foi nestas condições que se reuniram em Berlim no Outono de 1990 nos Hansa Ton Studios. O ambiente era tenso. Bono e Edge queriam gravar um disco mais techno, Adam e Larry não abdicavam do som Rock, directo dos U2.
Havia discussões, chegaram mesmo a existir vias de facto, tudo por causa do passado da banda. Eis que senão, da guitarra de Edge, sai uma melodia, três acordos, Larry passa e pede~lhe para continuar a tocar, junta-se à bateria, pede a Adam para acrescentar o baixo, e Bono que tinha escrito uma letra sobre um amigo que sofria de SIDA e que fora expulso de casa pelo pai. Assim se criou a melhor música de todos os tempos: "One", e os quatro fizeram as pazes.
Depois de alguns meses em Berlim, os U2 regressaram a Dublin onde as canções foram termindadas.
Era evidente que o àlbum seria mais sombrio que todos os outros: a imagem dos irlandeses redentores de toda a Humanidade e que faziam por esta o que os políticos não queriam que tinha ficado bem patente por exemplo em músicas ao vivo como “Bullet the blue sky” (em que criticavam a política externa norte-americana e os tele-evangelistas de então), “Silver and gold” (a crítica contra os países ocidentais em não aplicarem sanções económicas contra o regime do Apartheid na Àfrica do Sul), tornara-se insuportável para os próprios membros dos U2.
O próprio nome do àlbum era uma chamada de atenção à América, e um regresso às origens; Actung Baby!, alemão e inglês, era sinal que os U2 estavam de volta à Europa.
Foi neste cenário, de cansaço da imagem que tinham, e de voltarem novamente à Europa, que nomeadamente Bono criou dois alter-egos: Fly e Macphisto (uma parábola a Mefisto).
Mas também, para criticarem o que se passava na altura na América, a guerra do Golfo, onde tudo era mediatizado, tudo era televisionado, o horror entrava-nos pela casa dentro como se fosse um videogame
E assim surgiu o conceito da ZOOTV que foi criado por Brian Eno: Um gigantesco palco cheio de televisores de todas dimensões onde passavam imagens subliminares, vídeos, imagens de outras estações por satélite, mas funcionando como uma verdadeira televisão. Podia-se sintonizar e ver a Zootv por satélite.
Quando perguntaram a Larry o que poderiam esperar deste espectáculo, respondeu: "TV e Rock`n Roll, não é isso que querem?"
Foi neste cenário, ansioso, confesso, que fui assistir, a 15 de Maio de 1993 a ZooTV em Portugal.
Antes de entrar, dois jovens do Porto perguntaram-me se tinha bilhetes, tinha dois, para mim e para a namorada de então, ofereceram-me 50 contos por cada um. Nem pensar, eram os U2.
Cá fora vendiam-se T-Shirts que variavam entre os 500$00 e os 1.500$00, estas, merchandising oficial da banda, que hoje se vende dentro dos recintos.
Para o Warm Up uma banda de techno chamada Utah Saints (qualquer parecença na pronúncia do nome com U2 é mesmo isso coincidência), não deu para aquecer.
E o show começou. Dois cabeçudos aparecem, um vestido à Edge, e um de cabedal a imitar o Fly, o alter-ego de Bono.
De repente, Lights Off, "Tv, Drug of the nation", dos D.H.O.H, uma música que era o espelho da sociedade de então.
Num tempo em que o mundo era incerto, com o fim do muro de Berlim, com a reorganização da antiga Europa de Leste e da Ex-URSS, com o estado lastimoso com que os aliados tinham deixado o Iraque, e com a indefinição da nova União Europeia, surge a 9ª Sinfonia de Beethoven, o Hino da Alegria. Os U2 queriam deixar uma mensagem de esperança para o mundo, como depois deixaram para a Europa em “Zooropa.”
De repente no ecrã surgem rapazes da juventude hitleriana a tocarem tambores, a fazerem-nos lembrar os nacionalismos que então estavam a surgir na Europa (não, os U2 não tinham deixado as causas para trás, apenas não falavam nelas directamente aos microfone, agora apareciam nos ecrãs para os fãs pensarem nelas enquanto os divertiam com a música)
Veio “ZooStation”, e o Alter-ego Fly de Bono; no ecrã caíam estrelas da bandeira da União Europeia. A música de Achtung Baby! começara, a loucura também. O palco iluminou-se através dos faróis dos trabants pendurados (uma lembrança da antiga Alemanha de Leste, e para nos lembrar o que o capitalismo estava a fazer àquelas economias).
Depois "Fly", que foi uma personagem que Bono criou para ironizar com ele próprio, com os artistas em geral, para dizer as coisas sobre ele que odiara no passado. Quando ele diz, que todo o artista é um canibal, e que todo o poeta é um ladrão, está-se a referir a ele, pois é um devorador de livros, e é a eles que vai buscar as ideias para as canções. Um deles, todos sabemos, é a "Bíblia"
Nessa música, nos ecrãs, frases passavam a uma velocidade que o olho humano não conseguia ler - subliminares-, parando somente em frases chave, como por exemplo, ""Watch more TV!", "Believe", "Silent=Death". mais críticas à sociedade de então.
Eis que chega "Even Better than Real Thing". Bono faz zapping entre vários canais, e chega à RTP 1. Era dia do festival da canção. Ele diz, isto aqui não é Eurovision, isto é Zoorovision. Nos outros concertos ele costumava dizer, vocês não vieram aqui para ver televisão pois não? Mais uma sátira à sociedade mediatizida de então e ao que parece nada mudou desde então.
Depois o primeiro momento de ouro da noite. "ONE". Nos ecrãs, o vídeo de ONE da autoria de David Wojnarowicz, o dos búfalos. O tal que no fim se lançam de um precipício e se suicidiam. Esse vídeo, o mais belo de One, é uma metáfora, representa o pai e o filho da canção de One.
Nos ecrãs, "Smell the flowers while you can", um grito para o problema da SIDA. Ao mesmo tempo “Um” aparecia em todas as línguas existentes.
Passando à frente, "Dirty old Town" interpretada por Larry e anunciada por Bono, como o homem que começou toda esta confusão.
Em "Trying to throw your arms around the world" Bono chama uma jovem ao palco, de seu nome Maria, que por acaso era o seu dia de aniversário e mais de 60.000 pessoas cantaram-lhe o “Parabéns a você”, enquanto Maria bebia um bom Champanhe.
Em "Satellite of love" o dueto com Lou Reed (em Videowall), "live from the moon", como Bono disse.
Chega o momento alto da noite para mim, "Bullet the Blue Sky". Esta é a minha música favorita dos U2, pela música em si, e pelo tema que aborda.
Nesta última digressão, a "Vertigo Tour", os U2, tiraram a carga ideológica, já não cantam a última parte da canção, substituíram-na por "This are the hands that built America."
Aqui, ainda não. A guitarra de Edge soltou os riffles que nos sufocam, nos ecrãs cruzes do KKK a arder. A voz de Bono distorcida. O baixo de Adam melhor que nunca e a marcar a música. Bono vestido de piloto como na letra da canção. No meio desta, solta a frase: “não deixaremos voltar a acontecer”, e as cruzes do KKK transformam-se em cruzes suásticas.
Mais uma alusão ao recrudescimento dos movimentos neonazis na Europa (as causas estavam no ecrã).
No meio o solo de Edge. Depois deste, a entrada da bateria, 60.000 pessoas a baterem palmas, era como ver uma seara de trigo da bancada onde estava. Arrepiava. Os meus 5.500$00 até ali estavam bem gastos. A andrenalina tinha chegado ao ponto máximo.
Os U2 tornaram-se "animais musicais" em palco e sabem como controlar as emoções e depois daquela descarga de energia, "Running to stand Still", uma música calma, e o problema da droga. As causas pelas primeira vez saíam do ecrã, passavam para a música, mas nunca como dantes num sermão.
Depois a brilhante passagem para "Steets", os ecrãs iluminaram-se, apareceram os U2 nas filmagens de Joshua Tree. O que há a dizer de "Streets"? "Streets" é "Streets".
Até ao fim, a nova transformação de Bono em MacPhisto.
Depois de "Desire", e após ter dito que gostou muito de nós porque cantávamos muito bem em Inglês, mas que ele preferia falar em Irlandês (o problema da Irlanda levantado de forma subtil e irónica), eis que liga para uma companhia de táxis lisboeta para o levar dali para fora. Estávamos à espera que ligasse para Mário Soares ou Bill Clinton como costumava fazer.
No fim, os dois momentos românticos (para a minha pessoa), da noite, "Love is blindness" e "Can`t help falling in love with you", de Elvis Presley, com direito a reprise do próprio Elvis.
As luzes acenderam-se e os "fab four" de Dublin partiram de imediato para esta cidade para continuar com as gravações de "Zooropa".
Quanto a mim, dirigi-me a casa da minha namorada de então na Costa da Caparica, cheio de andrenalina devido ao melhor concerto que assisti até então, and the night was "a private show and no one else gonna to know".
*José Gonçalves
SAUDAVELMENTE FALANDO


Os desafios aceitam-se e sujeitamo-nos às suas vicissitudes, ou recusam-se e
perdemos algo de nós próprios.
Face ao desafio/convite do Zeca.
Aqui fica a minha colaboração.
jgonçalves
VIA LÁCTEA
O entendimento do governo de José Sócrates será de dinamizar os Centros de
Saúde, de reactivar as Unidades de Saúde Familiar, de co-responsabilizar
médicos e enfermeiros na gestão dessas unidades.
Entre outras medidas igualmente em estudo e que na generalidade merecem o nosso aplauso, umas, o beneficio da dúvida outras.
Mas é sobre a primeira, que a preocupação é para já mais premente.
Como levará a boa água ao mau moinho, este Ministro da Saúde, se pretender
continuar a contar com clínicos não dedicados, mais preocupados com as horas
nas clínicas privadas, do que nos centros de Saúde, que não têm pejo em
privilegiar "delegados de propaganda médica", em prejuízo de utentes "quase" sempre carentes de cuidados médicos.
*Lique
QUANDO AS PALAVRAS DANÇAM


Poesia
Caminho que as palavras escolhem para se juntar. Sem justificação ou prévia intenção. Expressão de sentimentos, de sensações. Jogo de palavras, até.
Olhando à minha volta, a poesia pode estar em todo o lado. Uma flor, uma pedra. O belo e o feio. Tudo pode despertar uma frase que insiste em fazer-se ouvir. Uma frase que sei ter ligação com outras. E que só me larga quando encontra as palavras que a completam. Nessa obsessão pelo complemento, pela forma, pelo final, o poema instala-se e sussurra-me ao ouvido, como se não fosse possível dizer nem escrever mais nada. Tento fugir dele, agarrar outras palavras, outras ideias. Tudo sai imperfeito. Tudo desagua naquele que está dentro de mim, latente.
Num momento, numa hora inesperada, o poema encontra a forma de se dizer e os versos jorram, encaixam. Lutam um pouco entre si, até encontrarem a forma procurada. E eu escrevo.
Mas nenhum poema me deixa completamente. As palavras parecem mudar, acendem interrogações, sugerem novas ideias e inquietações. Por vezes, outra frase salta. E tudo recomeça.
Poesia. A que leio e a que tento escrever. Aquela sem a qual não vivo. A que acende o sonho ou denuncia a iniquidade. A ideia que se faz palavra e as palavras que são alimento das ideias.
*Luís Bonifácio
BOLINANDO


A Volta da Mina – Uma bolina Histórica

A Volta da Mina, foi iniciada pelos pilotos portugueses em meados do século XV, mais precisamente, ao que parece, em 1444–1445. Trata-se da rota de retorno da Costa da Mina, em arco, pelo largo, contornando os ventos de norte e leste no Atlântico e facilitando assim o regresso a Portugal. Seguindo esta volta, os marinheiros contornavam Cabo Verde a sul e rumavam norte pelo meio do Atlântico, passando a oeste da Madeira e das Canárias e virando para leste apenas perto dos Açores. Esta mesma rota era utilizada na viagem de Lisboa para a Costa da Mina. Para além de ter sido a primeira vez que o homem se aventurou no alto mar durante muitas semanas, apoiando-se unicamente na navegação astronómica sem o apoio do reconhecimento da costa e teve um papel determinante no futuro de Portugal.
Esta rota, como se pode verificar na figura, passa relativamente perto do Brasil, mais concretamente pelos penedos de São Pedro e São Paulo, a 650 milhas náuticas da costa Brasileira.
Existe um hiato, até agora nunca explicado, entre 1487 – Passagem do Cabo por Bartolomeu dias e 1498 - Viagem de Vasco da Gama. Este hiato é muito estranho, pois não se compreende porque é que após ser ultrapassado a última dificuldade antes da Índia, se parou a exploração durante 10 anos.
Temos no entanto de compreender o que se passou entretanto.
Em 1492 Colombo chegou à América – Apesar de os Portugueses, saberem que ele não tinha chegado ao Oriente, A existência da América poderia possibilitar um ponto de apoio para a chegada ao Oriente pelo Oeste. (Não se conhecia nessa altura o que é hoje a América Central, que impossibilitava essa navegação)
Em 1494, assinou-se o tratado de Tordesilhas, A primeira versão deste tratado traçava a linha de demarcação 100 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde, passando ao largo da Costa Brasileira, pouco tempo passado Portugal exigiu que a linha fosse traçada mais para Oeste, passando agora a 370 léguas de Cabo Verde abrangendo toda a costa Brasileira da foz do Amazonas ao Rio da Prata.
Este facto revela que nessa altura a coroa Portuguesa conhecia não só, a localização precisa do Brasil, mas também as características da navegação das suas costa, pelo que o seu descobrimento deve-se ter dado entre 1487e 1490, quando alguma nau se desviou mais para Oeste durante a execução da “Volta da Mina”.
A existência do Brasil, não foi por si só, o motivo desta alteração. À coroa Portuguesa apenas a Índia interessava e era necessário fazer tudo para impedir Espanha de poder lá chegar. O formato da costa brasileira é responsável por um fenómeno marítimo, que condiciona o clima da Europa Ocidental, chamado “Corrente do Golfo”. A enorme massa de água quente gerada no equador (Golfo da Guiné) é empurrada pelos ventos para oeste, até encontrar a costa brasileira. Ao chegar ao Cabo Branco (Paraíba), ponta mais oriental do Brasil, a maior parte da corrente quente flete para norte, atravessando o equador (único local do globo onde a água do hemisfério sul passa para o hemisfério norte) em direcção ao mar dos sargaços, ao encontrar a corrente polar da costa americana, a corrente do Golfo atravessa o atlântico e banha as costas da Europa até à extremidade norte da Noruega.
Esta corrente é bastante forte e por esse motivo é muito difícil a navegação costeira à vela entre a foz do rio amazonas e o rio da prata, obrigando a navegação em alto mar. A impossibilidade de a Espanha ter bases de apoio tanto na costa Brasileira como na costa Africana vedava, tecnicamente falando, o seu acesso à Índia.
É difícil provar o que acima afirmo, a maior parte dos registos secretos da época das descobertas foram destruídos pelo Terramoto de 1755, ao contrário dos registos Espanhóis, onde toda e qualquer investigação sobre esta época se apoia, que se encontram preservados a quase 100%.
Ó menina, é para o jornal? Vamos lá aparecer?
Deixei-me perder pelas margens do Douro.
Hoje como ontem. E amanhã também, quem sabe...
Sem o querer, tornam-se intimas.
Não faço ideia se vou tirar uma única fotografia, mas carrego a máquina fotográfica como se fosse um pincel ou um lápis.
As manhãs são-me terrivelmente sedutoras. O ar fresco envolve e traz o cheiro a maresia. Deixo-o tomar-me.
As cores encantam-me, coadas pela luz suave. Respiro fundo, para saborear, e deixo-me ir.
Há muitas gaivotas. Sempre. Quando está Sol, preguiçam. Se está vento, é uma canseira! Brincam voando numa dança sem fim.
Também há as garças. Imóveis, esperam que um peixe distraído passe por perto para se banquetearem.
Mais adiante está o lavadouro público. Há sempre uma mulher lavando ou estendendo roupa nas teias de cordel junto ao passeio.
E os barcos, serenos, no meio do rio. De regresso estão as traineiras da Afurada, perseguidas por bandos de passarada atrás de um manjar fácil. Em terra estão outros, os que precisam de atenção especial para tratar maleitas do uso e não se converterem em cascos esqueléticos a apodrecer dentro de água.
Umas orelhas saltitantes passam a correr por mim. De repente estaca, ofegante, e olha para trás em busca do dono. Companheiros de andar cadenciado passam em conversas sem fim. Uma fila de bicicletas ultrapassa a menina que corre. Também há os que preferem o exercício da mente, e se deliciam com um livro, sentados num banco.
Olho aqui e ali. Sento-me no chão para colher uma imagem, ou subo a um banco para conseguir “apanhar” o que quero. Ajoelho-me. Troco lentes. Espero que a gaivota levante voo. Disparo. E sigo absorta nos meus pensamentos e nas imagens.
Sinto-me observada. Sorrio de volta.
- Ó menina, é para o jornal? Vamos lá aparecer?


*Maria
INSTANTES


Expresso
Devia ser da responsabilidade, só podia ser da responsabilidade, esse nervoso miudinho que a tinha tomado de assalto.
Não que ela não tivesse já alguma experiência, já servia cafés, atrás daquele balcão, discreto e alto, há algum tempo, mas agora era diferente, o estabelecimento tinha amplas janelas para a rua, mais clientes, mais visibilidade.
No seu café, a penumbra protegia-a. Os clientes eram habituais, já se tinham estabelecido cumplicidades, jogos de olhar que substituíam longas conversas, pedidos ou agradecimentos destilados num único gesto.
Passar a trabalhar num novo café seria diferente, novas caras, novas exigências, novas personalidades, novas solicitações às quais era necessário responder.
Teria ainda de abandonar o conforto e a omissão de um balcão demasiado alto para a sua pequena estatura. Teria agora de circular entre as mesas, estar atenta, olhar os clientes nos olhos, ser chamada por eles, quem sabe, até ser apelidada de “dona”!
Entrou um cliente, o primeiro, que se sentou numa mesa próxima da entrada, o que a obrigava a ela a percorrer todo o espaço, a deixar a sombra protectora e a receber a luz do sol da manhã filtrada pelas janelas. Ajeitou a saia e fez-se ao caminho, quilómetros que eram, porque assim lhe pareciam.
“Bom dia, o que deseja?”
“Um Expresso.”
Tirou um café, e um segundo logo de seguida. Olhou para os dois, comparou o creme que se acumulava na superfície e escolheu o primeiro. Colocou no pires um pau de canela e um pequeno bago de café e chocolate.
Pousou-o tremulamente sobre a mesa, e mesmo sem deixar que a chávena se aproximasse dos lábios, perguntou ansiosamente:
-Como está?
*Paulo Querido
ARROBAS


A crise da Direita (e como resolvê-la)
Usem a palavra que usarem, a que melhor descreve o estado actual (e futuro) da Direita portuguesa é a palavra crise. Uma crise profunda e que não é fácil ruminar. A crise radica num desajuste da realidade. O pior problema da Direita portuguesa é apenas e somente ter de se habituar, 30 anos depois, à Democracia. Enquanto o não fizer, enquanto continuar a travestir de "democracia" a sua autocracia, a Direita -- ou melhor: as direitas -- continuará a penar.
À excepção de um curto período, que começa com o PREC e acaba na morte de Sá Carneiro, em que os dois principais partidos da Direita se viram forçados, tal era a confusão e gritaria geral nas ruas, a exercícios democráticos, não mais PSD e PP se deram ao luxo de contrariar a sua natureza: estruturas musculadas com a única finalidade de evitar que o Poder político caisse no homem da rua. (Aliás, é legítimo especular que foi essa evidência de musculação centralizante a responsável por atrair ao PSD, como moscas, gentes oriundas do "socialismo" de tiranetes à esquerda da Esquerda democrática.)
Ora, acabou por acontecer à Direita o que era manifestamente previsível. Caiu do poder precisamente na altura em que os seus dois comandatori eram homens fracos. Vazios de autoridade e de poder pessoal. (Ao contrário do que julgou Paulo Portas, a autoridade não é um fato que se veste e uma máscara que se põe.)
O CDS está a braços com uma crise ainda pior, uma crise de identidade agravada a que se junta a absoluta orfandade de líderes e o rigoroso vazio de ideias. Os partidos mais pequenos andam ainda a acotovelar-se no espaço mediático. Resta ao país da Direita que pensa no Poder apontar para o PSD.
O PSD não sabe exercer política em oposição. O que é compreensível: raramente teve oportunidade de praticar ao longo de 30 anos. Os seus quadros têm a mais fácil das noções de comando: o comando no Poder, o comando com todos os meios à disposição. Obter esse estatuto, limpo e entregue na forma de um Governo, é uma tarefa em grande medida desconhecida por aquelas bandas. O Poder transmitia-se das mãos de um líder para as do seguinte.
O PSD está longe, muito longe da chamada "sociedade civil". É, hoje, um partido sem reconhecimento fora das suas bases, ou clientelas, naturais. As suas cúpulas na capital assustam o que resta do país rural, que foi um dos seus sustentáculos eleitorais. Os seus desastres regionais e autárquicos minaram a credibilidade junto do eleitor médio urbano. Exceptuando os oportunistas que vêm no partido uma escada para o emprego, os jovens não conseguem emocionalmente aderir a um partido de imagem gasta, demasiado piquenicão e pouco ou nada concerto. Isto para não mencionar a ausência de respiração cultural que o partido continua a evidenciar, apesar de tão repetida essa sua lacuna. Partido de alguns homens cultos, partido com atroz imagem de incultura: um paradoxo sem solução?
O PSD só voltará ao Poder por uma de duas vias. A primeira é aparentemente a possível, quando olhamos para o Congresso do PSD que se aproxima. Tentar colocar o partido na senda democrática. A segunda está fora de questão: não tem um putativo comandante das tropas. O último que parecia capaz de continuar a saga autocrática fugiu, revelando-se afinal um completo bluff. Sempre suspeitei que Durão Barroso não tinha estrutura e vocação para encarnar o pai tutelar de que o PSD (e o seu eleitorado) precisa para dar um sentido à sua vida -- e estender a mão à mesada do Estado.
Porém, a primeira tem uma desvantagem: só chegará ao Poder numa estratégia de médio ou longo prazo. O PSD correrá o risco, diminuto mas existente ainda assim (sendo isto tão novidade no partido quanto a ausência de um pai), de as suas franjas se virem a encantar por alguma das forças liberais saídas nos dois últimos anos do novo espaço de pensamento democrático que são os blogues, entretanto a organizarem-se em partidos.
A segunda não tem espaço de germinação. Os barões, essa reserva de massa cinzenta do partido, também fugiram da actividade partidária, engordaram na vida civil e é claro que não deixaram prole: uma figura tutelar basta-se a si própria, um líder não forma discípulos (forma seguidistas). Está provado que eram barões sem exércitos, apenas séquitos. O homem que vem de Londres não tem o calo político necessário e pronto foi metido na ordem pela casta de aparelhistas. Fora do aparelho restam ao PSD uma, duas figuras boas no mister de zurzir inimigos e aparar os excessos internos, demasiado aburguesadas para agora virem desperdiçar anos de vida numa empreitada espinhosa e de final incerto.
Portanto, o país da Direita que anseia pelo Poder tem um problema. Não se vê como pode o PSD querer ser governo no lugar do governo. Simplesmente, não tem gente.
A resolução deste bico de obra não é fácil, claro. Talvez a direita devesse olhar para o que se passou com a Esquerda nos últimos anos, em que passou a sua crise. Da qual saiu com uma pujança tão forte que... conquistou a sua maior maioria das últimas décadas.
Por exemplo, o PS. Em pouco mais de um ano, graças aos seus (bons) hábitos democráticos, renasceu e antes e durante o seu Congresso revitalizou o seu tecido através do amplo (até acalorado) debate de ideias, choque de personalidades e luta de tendências. E no entanto o PS vinha de um processo semelhante ao do PSD: desacreditado por uma liderança frágil que falhou na governação, estava ausente da sociedade civil; estava compartimentado pelo PSD ao centro e pelo crescimento do BE à esquerda. Não parecia ter, ou não tinha, nenhum candidato com impacto na opinião pública. Porém, o amplo debate ideológico entre três-candidados-três ao Congresso despertou um interesse mediático suficiente para levar a carta à opinião pública. Quando do Congresso emergiu José Sócrates, o partido estava renascido e a sua credibilidade praticamente reposta. É certo que beneficiou logo de seguida dos erros do adversário, mas foi um mero empurão: era uma questão de tempo até Sócrates se apresentar à altura da governação perante o eleitorado.
Os outros partidos e grupos podem também olhar o exemplo dos seus “correspondentes” do outro lado do espectro partidário.
O PP deverá rever-se no PCP: um eleitorado a morrer de velho, uma doutrina fechada à modernidade, um aparelho sem nenhum rosto conhecido e credível. O PCP estava moribundo. Afinal, a solução andava por lá: um novo secretário geral capaz de, pragmaticamente, centrar o discurso doutrinal no aspectos práticos da sociedade contemporânea, de forma a fazer-se ouvir junto do eleitorado. O efeito de arrastamento da mudança fez o resto.
O Partido Liberal pode vir a ter ao Centro-direita um papel semelhante ao do BE à Esquerda: ser o fiel da balança da modernidade discursiva ideológica (no caso, o liberalismo puro, económico e social). Ao contrário do BE, não parte de uma reunião de mini-partidos organizados como tal. Mas não nos iludamos, há ao centro gente que não se revê na representação do PSD (e até do PS, ala centrista), muito menos do PP. Há adubo social suficiente para deitar as raízes. O resto: uma estratégia de crescimento a dez anos, alicerçada numa preocupação fundamental em estar onde estão as pessoas (as sua pessoas) tirando partido das novas formas comunicacionais e da leveza da sua estrutura descentralizada para conquistar admiração.
Os ciclos são o que são. Ao contrário do que se passou grosso modo na Europa (e até nos EUA) a Direita portuguesa está programaticamente atrasada e funcionalmente desajustada. Fruto de demasiados anos alapada ao Poder, durante os quais “engordou” à sombra do Estado, “cozendo-se” com ele. A travessia do deserto é sempre boa para perder as gorduras e renovar os tecidos, repôr a elasticidade dos músculos. É do que a Direita precisa.
*Pedro Guedes
OUTRAS MARGENS


Eles que se federem
Segundo rezam as últimas crónicas e passados os primeiros receios – que vão regressar mais cedo do que se julga - o arco constitucional entendeu levar a votos a sinistra constituição europeia. Mais: entendeu assim e por fim (admitindo que até lá não se arrepende…) dar oportunidade aos portugueses de se pronunciarem sobre a “construção europeia”, essa frase feita muito em uso e que serve essencialmente para caracterizar os avanços federalistas e de um super-Estado europeu que nos querem a todo o custo servir sem que nunca o tenhamos pedido.
Pessoalmente, a ideia de referendar a independência nacional parece-me inacreditável, mas como os tempos estão para baixas expectativas, do mal o menos, que o objecto da consulta é assunto demasiado sério para ficar unicamente às mãos dos nossos digníssimos parlamentares. Vamos pois – todos os que suspeitamos da bondade do articulado – tratar de meter mãos à obra e preparar o caminho.
De início, importa dizer que somos muitos mais do que se pensa e provenientes das mais diversas correntes e sensibilidades. Ainda agora por terras de França, onde as sondagens estão à beirinha de provocar um enfarte à camarilha de Bruxelas, se vislumbram apoios ao “não” que vão da extrema-esquerda mais feroz aos nacionalistas de Le Pen, passando pelo PS, pelos monárquicos e pelas direitas mais sistémicas. O argumentário ainda é mais vasto: desde a recusa da entrada da Turquia na UE até aos que entendem que o tratado é muito liberal e nada social, há mil e uma razões para todos os gostos. E como nestas coisas um pouco de pragmatismo não fará mal a ninguém, recordemos o que bem dizia na passada semana Miguel Freitas da Costa, no Diário de Notícias: “todos os argumentos são bons”.
É evidente que o caminho será difícil e virá cheio de acidentes de percurso, que nestas coisas de referendos é sabido que não basta votar; é preciso votar bem, por forma a que o dever cívico seja merecedor do beneplácito do sistema. Não sendo assim nada feito, que esta coisa dos referendos está pensada para alunos aplicados. O que digo não constitui aliás facto novo: temos por cá o exemplo do aborto, onde o resultado – posto que não foi o desejado – parece que afinal não valeu. E a marosca também é conhecida lá fora. Recordem-se que aqui há uns anos, os dinamarqueses entenderam mandar Maastricht à fava. Pois que não podia ser, remataram os tecnocratas europeus. E assim foi. Por cansaço, lá acabou por passar a encomenda. Já sabemos que a vida é assim, mas nem por isso devemos desanimar. No fim, até pode bem ser que não sejamos chamados a votar uma aberração que entretanto franceses e ingleses já tenham mandado aquela parte. Nesse caso, tanto melhor.
*Raúl
ESTENDAL DE LETRAS


Na minha primeira colaboração é importante esta revelação
O António, para mim e outros amigos que tiveram o prazer de o conhecer
pessoalmente,mas mais conhecido no universo blogosférico pelo Zecatelhado,
lançou-se num projecto cujo figurino é semelhante ao de um semanário dos que se vão publicando na nossa praça. Resolveu convidar para o seu corpo “editorial”, para além da minha pessoa, vários outros amigos, que também eles possuindo os seus próprios blogues irão emprestar uma colaboração semanal igual à minha.
Estes amigos apostam numa qualidade de abordagem nos seus blogues, absolutamente invejável, o que me leva a recear não ser capaz de ombrear com eles nos trabalhos com que nos irão brindar semanalmente. Irei pois fazer todos os possíveis, primeiro para não desmerecer a confiança que o António depositou na minha pessoa, mas sobretudo para não desiludir quem quer que seja dos que procurem o “Café Expresso”, como um espaço de visita obrigatória, tal como fazem os leitores de um qualquer semanário que não dispensam a sua leitura. Nesta minha primeira colaboração quero apenas, para terminar, deixar expresso que desejo ao querido amigo António votos para que este projecto seja coroado do êxito que ele idealizou para o mesmo.
*Teacher
SECUNDÁRIO E COMPLEMENTAR


Telhados de vidro
Ir ao Google, teclar ‘escola secundária’ e visitar algumas páginas de escola, é receita para acalmar o espírito do cidadão, ou nem por isso: há páginas pobres e páginas ricas; actualizadas ou recheadas de ‘novidades’ com 3 , 4 anos. Páginas bem organizadas, ou tudo ao molhe e fé em Deus. Telhados de vidro a deixar ver a realidade do ensino, o Projecto Educativo da escola.
Grande parte das ES contam a sua história de mais de cem anos de modo muito semelhante. E, se umas parecem paradas no tempo, a maioria tem convivido lindamente com as múltiplas reformas do ensino por que passaram.
A democratização do ensino empanturrou as ES, que rebentavam pelas costuras nos anos 80. A seguir, a construção mal planeada de novas escolas acelerou o processo de esvaziamento das antigas, que perde(ra)m alunos e recursos essenciais ao seu bom funcionamento. Como não têm autonomia para gerir necessidades específicas , apenas recebem coisas , às vezes perfeitamente inúteis. Mandam-lhes cadeiras e mesas, mas recusam-se a deixar actualizar o programa de informatização da biblioteca. É pelo menos o que nos dizem os Conselhos Executivos.
Talvez fosse urgente mudar esta maneira de agir. Exigir às escolas responsabilidade e reconhecer que o mérito não se mede (só) pelos resultados dos exames.
Escola Secundária Bocage
Escola Secundária Marquês de Pombal
* Thita
EM CRESCENDO


“Sinto que o título do espaço que me destinaram no Café-Expresso, e ainda melhor acompanhado por um não menos expressivo subtítulo, super motiva.
Sobretudo, depois de pensar que serei alvo duma muito justificada pergunta: “Mas quem é esta miúda, misturada aqui com a gente?”
Em princípio até me provocou um nervoso miudinho quando comecei a escrever esta crónica, chamemos-lhe assim, e fez-me repensar se devia continuar ou não. Mas isto é mesmo assim, e não há que ter medo de seguir em frente. Muito menos, se tivesse que faltar à palavra dada ao “Tio” Zé do Telhado. Seja o que Deus quiser, foi a minha opção.
Então é assim:
Acompanhando o raciocínio do subtítulo - Um olhar de criança sobre o mundo - chego à conclusão de que o mundo visto pelos nossos olhos é diferente. Os meus onze anitos, quase doze, hihi…( isto é of the record), dizem porquê:
Sendo igualmente redondo, o nosso mundo tem cores diferentes e distintas. Mais vivas e com menos sombreados, partindo do princípio de que somos, à partida, menos pessimistas e acreditamos à primeira nas coisas que nos parecem bem.
Além disso, temos a excepcional qualidade de podermos brincar por tudo e por nada, o sabor de rir de tudo e de todos, a sorte espectacular de nos pagarem as coisas e sermos livres de dizer os maiores disparates sem que a pena atribuída seja muito pesada.
Por outro lado, há quem nos trate nas palminhas das mãos e nos julgue por gente pura como os charutos de Havana. O que às vezes não é verdade. Eu explico o atrevimento:
Gostamos de ter o nosso próprio espaço, temos ciúmes do que é nosso e não somos tão tolerantes com o próximo como os adultos. Desconfiamos de muitas coisas que, para nós, fazem sentido e tememos coisas do Arco-da-Velha.
Eu pelo menos, tenho medo do escuro e das injecções com agulhas muito grandes. Não acredito em Príncipes Encantados e desconfio dos que falam demais, dos dentistas e da esmola quando é grande. Mas numa coisa se pode ter a certeza: somos meigas e reconhecemos uma pessoa amiga a dois ou três quilómetros de distância. Basta saber levar-nos…
Beijinhos a todos.”
*Valéria Mendez
FADO FALADO


"BOA NOITE, MENOS PR'Ó VIOLA"
Rezam as narrativas dos Antigos, que a sala do Café Luso, estava nessa noite, especialmente cheia. Muito longe, daquela " Lisboa d' outras eras ", delineavam--se os mais maquiavélicos planos, que algum dia, um homem, poderá ter idealizado. "Desenhava-se" Auschwitz, planeava-se morte.
Em Lisboa, cidade das sete colinas, os locais misturavam-se com os fugitivos de Hitler; principes, duques e judeus, carregando algum do ouro, que tinham tido possibilidade de transportar até à extrema ponta da Europa, não fôra o Diabo Alemão tecê-las. As Capelas do Fado, eram então, palco de encontros fortuitos, romances imprevistos, mesa de planificação duma fuga pr'ás Américas, ou simplesmente, um desopilar de espírito, com uma musica estranha, quase sem cartão de identidade.
" Perguntam-me pl'o Fado, eu o conheci,
era um ébrio, um vádio, que andava na Mouraria...
talvez ainda mais magro que um cão galgo
a dizer que era fidalgo, por andar com a fidalguia..."
Assim o cantava o "Britinho", FREDERICO DE BRITO , grande estilista e
criador do Fado, que rematava assim,com intuição certeira, a sua concepção
da origem, daquela viciante e estranha musica:
"Pois eu;
Sei bem onde ele nasceu,
que não passou dum plebeu,
sempre a puxar pl'a vaidade.
Sei mais;
sei que o Fado é um dos tais,
que não conheceu os pais,
nem tem certidão de idade."
As luzes da Sala escureceram. Aos poucos, o silêncio tomou lugar ao burburinho multilingue. Ali, não se ouviam as bombas a cair algures na Europa. Todos estavam a salvo. E a musica que os embalava, chamava-se Fado.
As primeiras notas duma guitarra estranha, fizeram-se ouvir. Era como que um lamento. Mas, tinha um não sei quê de amparo de mãe.
Uma mulher, aproxima-se dos guitarristas, envolta num xaile, que não era preto, mas branco côr da neve, feito todo em " carochê ", como dizia a ti Ana, que os fazia pr'ás fadistas. A sua voz cálida e grave, começou:
"O amante não aparecera,
Triste Severa, sempre fiel,
Chamou a Tia Macheta,
velha alcoveta, pr'a saber dele.
A Velha, pegou nas cartas
sebentas, fartas de mãos tão sujas,
e antes de as embaralhar
pôs-se a grasnar, como as corujas..."
(Linhares Barbosa)
Era BERTA CARDOSO , a bruxa do Fado, que assim cantava os desamores da Severa do final do outro século, cuja memória 'inda era clara, no "ghetto" fadista. Terminado o Fado, muito aplaudido, a ti Berta lá se esgueirou, qual velha bruxa, para uma mesa dum canto escuro da sala, sentou-se, benzeu-se com a mâo direita, e emborcou um copo de tinto.
Da mesma mesa, levantou-se um homem baixo, de meia idade, de lenço ao pescoço, cigarro ao canto da boca.
Chegado ao pequeno palco, o homem olhou fixamente os guitarristas e os olhos que o vigiavam na escuridão.
" BOA NOUTE, MENOS PR'Ó VIOLA !", cumprimentava assim o fadista. Parece que tinha discutido uns "tempos" ou "compassos", com o viola, e tinham entrado em desacordo. Afinal a autoria da musica, pertencia-lhe . E vinha agora, aquele marmanjo do viola, a ditar sentenças...
"Naquela casa de esquina,
mora a Senhora do Monte
e a Providência Divina,
mora ali, quase defronte.
Por fazer bem à desgraça,
deu-lhe a desgraça também
e aquela Divina Graça
que Nossa Senhora tem..."
Eram uns versos simples e lindos, do poeta Gabriel de 0liveira. Aquela musica assentava-lhe, como uma luva. Terminado o Fado, o publico, consciente que estava perante um caso sério da Arte do Fado, não lhe negou um sentido aplauso. Por entre obrigados, e já acendendo novo cigarro, ao dirigir-se para a mesinha do canto, alguém da plateia gritou : " BRAVO ALFREDO !!! VIVA O FADISTA !!! ABAIXO O MARCENEIRO!!!"
E dizem os Antigos, que a partir desse dia, o fadista de nome ALFREDO DUARTE, marceneiro de profissão, passou a ser conhecido por ALFREDO MARCENEIRO.
*Vi e Cócó
MONÓLOGOS COM CRISTA


Pensamentos domésticos
Anda uma mulher quase duas semanas a "escrever na cabeça" dúzias de redacções lindas e cheias de tchã, que aquilo tudo junto e publicado em livro ainda era candidato a um Prémio Camões – pelo menos - e vai-se a ver, na hora de atacar o teclado varreu-se-me tudo!...
Tantas conversas cultas e inteligentes com o Cocó, verdadeiras tertúlias intelectuais cheias de "conteúdo de qualidade" (seja lá isso o que for), e tudo o vento da desmemoriação levou. Sim, que a minha cozinha mais parecia uma Brasileira do Chiado nos tempos em que por lá paravam os altos vultos da literatura e da cultura: o Cocó e eu trocando ideias de alto nível sobre a cultura, a literatura, a ciência – e até uns pozes de religião e inzoterismo, com a morte do Papa, e a numerologia do treze e as medidas da Grande Pirâmide de Gizé – entre o lavar da loiça do almoço e o cozer da sopa para o jantar, e tudo a panela de pressão cozeu, tudo a varinha mágica da falta de memória triturou, trucidou, reduziu a pó, cinza e nada! Nem a Dona Bárbara Guimarães e seus ilustres convidados têm conversas tão ricas e enriquecedoras!!!
É triste, meus amigos leitores, o avançar da idade e o recuar da memória. Esta luta parecida com a que a praia trava duas vezes por dia com o mar, mas que sempre acaba empatada: quando um avança a outra recua, e passadas doze horas acontece a mesma coisa – mas ao contrário... No caso da idade e da memória, é sempre a primeira que avança e a segunda que recua (menos nos homens, que esses, coitados, também vêem recuar o cabelo enquanto a testa avança, avança....). Esta reflexão podia levar-nos ao assunto "capachinhos", mas estou quase deprimida com esta contrariedade, este percalço, e não me apetece entrar a fundo no tema capilar.
Contrariedade ainda por cima mais grave no primeiro dia do novo emprego, mesmo no início de uma nova carreira, e sobretudo, tendo por patrão pessoa de tão alto nível e que me merece tanta consideração e estima como o nosso tão querido Senhor Zeca Telhado, e por colegas alguma da nata dos habitantes do Bairro Weblog.com.pt. Grrrrrr!
Resta-me esperar e desejar que este obstáculo venha a dar razão àquela frase antiga que diz que "O Espanhol não quer bom princípio". E também passar despercebida no meio das redacções dos colegas de "Café", que aposto que têm todos assuntos palpitantes, pertinentes, entusiasmantes – e redigidos de forma inteligente e culta, ao contrário deste par de cérebros em que um é completamente galináceo de nascença e o outro para lá caminha.
Vale-nos a bondade do nosso Chefe das Redacções, que sabe acolher, e entender e valorizar, esta forma simples de pensar e escrever de uma simples mulher do povo apoiada apenas pelo seu galo de estimação.
Desde já aqui afirmamos que nos empenharemos a fundo, comprando amanhã mesmo um caderno destinado exclusivamente a registar pequenos apontamentos do nosso quotidiano diálogo – futuras sementes inspiradoras para redacções que acompanhem, embora de longe, o brilho das que constituem todo o restante desta primeira edição daquele que virá a ser uma referência na blogosfera nacional, quiçá mundial: o Café Expresso.
Saudações crónicas da Vi & Cocó
*Wind
O ESPELHO DAS PALAVRAS


Olá amigos:
Este pequeno espaço será dedicado, como diz o título, à poesia e aos poetas portugueses.
Vamos valorizar o que é nosso e que muitas vezes passa despercebido.
Durante as próximas semanas tentarei trazer aqui poemas e pequenas biografias dos seus autores.
Mas nada melhor do que Ary dos Santos para vos dizer o que é um poema.
Poesia orgasmo
De silabas de letras de fonemas
se faz a escrita. Não se faz um verso.
Tem de correr no corpo dos poemas
o sangue das artérias do universo.
Cada palavra há-de ser um grito.
Um murmúrio um gemido uma erecção
que transporte do humano ao infinito
a dor o fogo a flor a vibração.
A poesia é de mel ou de cicuta?
Quando um poeta se interroga e escuta
ouve ternura luta espanto ou espasmo?
Ouve como quiser seja o que for
fazer poemas é escrever amor
a poesia o que tem de ser é orgasmo.



Olá Amigos, companheiros e Camaradas!
Lá em cima, em rodapé, está uma explicação completa do que vai acontecer neste espaço a partir do próximo dia 9 de Abril.
Faltam ensaiar uns pequenos por(maiores)menores para que tudo corra conforme este vosso amigo espera.
Esta vai mesmo ser uma experiência ÚNICA na blogosfera portuguesa e estou francamente "em pulgas" para que arranque.
Já repararam com toda a certeza no riquíssimo leque de "ciber/jornalistas" que fazem parte desta empreitada. Óbviamente que gostaria de contar com muitos outros igualmente magníficos, mas como percebem, isso não seria viável para já; Quem sabe num futuro próximo?
E agora vou aqui fazer mais umas afinaçõezitas, o que vos confesso, me está a proporcionar um "gôzo do caraças".
Façam o favor de ir já começando a mandar uns "bitaites"aí em baixo!
Inté...
Aquele Abração do
Zecatelhado