abril 30, 2005

Primeira Página

Primeira Página

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O SABOR DOS DIAS

* Zecatelhado

O SABOR DOS DIAS

1º de Maio

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SOPRO DA PLANÍCIE

*Fancisco Nunes

SOPRO DA PLANÍCIE


OVIBEJA: 'Todo o Alentejo deste mundo'

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TUTO B(U)ONO

*GolfinhU2

TUTO B(U)ONO

Hasta la vista

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SAUDAVELMENTE FALANDO

*José Gonçalves

SAUDAVELMENTE FALANDO

DIA DO TRABALHADOR

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QUANDO AS PALAVRAS DANÇAM

*Lique

QUANDO AS PALAVRAS DANÇAM

1º de Maio

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INSTANTES

*Maria
INSTANTES

Questões de género

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ARROBAS

*Paulo Querido
ARROBAS

Deco: eles sabem o que fazem?

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OUTRAS MARGENS

*Pedro Guedes
OUTRAS MARGENS

Reescrever a história

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SECUNDÁRIO E COMPLEMENTAR

*Teacher
SECUNDÁRIO E COMPLEMENTAR

Reciclagem

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EM CRESCENDO

* Thita
EM CRESCENDO

Dia da Mãe

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FADO FALADO

*Valéria Mendez
FADO FALADO

A Primeira Vedeta Internacional do Fado

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MONÓLOGOS COM CRISTA

*Vi e Cócó
MONÓLOGOS COM CRISTA

Esta semana, coisita pouca...

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O ESPELHO DAS PALAVRAS

*Wind
O ESPELHO DAS PALAVRAS

Ruy Belo

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abril 23, 2005

- Ouça o Primeiro Comunicado do M.F.A.


Posted by Zecatelhado at 01:59 PM | Comments (1)

-Cronologia do Movimento


CRONOLOGIA DE ABRIL:DIA 24: 22h00 - Otelo regressa ao RE 1, onde se farda. Recebe do major Sanches Osório os primeiros quatro comunicados, entregues por Vítor Alves, bem como a notícia de que o Regimento de Infantaria 1 (Amadora) não adere, deixando, assim, de garantir o cerco à prisão de Caxias e a protecção de Spínola. Entrega os comunicados ao seu adjunto para que este os faça chegar ao grupo de comandos que tomará o R.C.P. - O capitão Salgueiro Maia, que vai comandar a coluna militar da EPC, na "Operação Fim Regime", dá início a uma breve reunião, no piso dos quartos dos oficiais, para dar a conhecer a Ordem de Operações, distribuir missões e definir detalhes para o desencadear da operação.22h30 - No Posto de Comando encontra-se reunido o Estado Maior do Movimento das Forças Armadas, dirigido pelo major Otelo Saraiva de Carvalho e constituído pelos tenentes-coronéis Garcia dos Santos e Nuno Fisher Lopes Pires, major Sanches Osório, capitão Luís Macedo, adjunto operacional, e comandante Vítor Crespo, que assegura a ligação com a Marinha, garantida pela presença permanente do comandante Almada Contreiras no Centro de Comunicações da Armada (CCA). Contam, também, com a colaboração de quatro oficiais do RE 1 (Frazão, Máximo, Reis e Cepeda).22h48 - Uma falha técnica suspende, durante alguns minutos, a transmissão dos Emissores Associados de Lisboa, facto que causa natural apreensão nas largas dezenas de militares que aguardam ansiosamente o primeiro sinal para entrar em acção. 22h51 - Restabelecimento da emissão dos E.A.L.. 22h55 - 1ª senha: a voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus». Era o primeiro sinal para o início das operações militaresadesencadear pelo Movimento das Forças Armadas.23h00 - Na Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, os capitães Mira Monteiro e Oliveira Patrício e os tenentes Marques Nave, Cabaças Ruaz, Sales Grade, Andrade da Silva e António Pedro procedem à detenção dos comandante e 2º comandante da unidade, respectivamente coronel Mário Belo de Carvalho e tenente-coronel João Manuel Pereira do Nascimento, ocupam as centrais rádio e telefónica e assumem o controlo do quartel.Recolhem à Escola Prática de Infantaria (EPI) as forças que se encontravam em exercícios de campo.O «10º grupo de comandos» divide-se em equipas, distribuídas por 4 automóveis, para constituir patrulhas destinadas, além de manter a vigilância ao R.C.P., a observar as principais instalações das Forças de Segurança (GNR, PSP, LP e DGS), e dos quartéis da Calçada da Ajuda (RC 7 e RL 2):No BC 5 o major Cardoso Fontão comunica aos oficiais presentes o que está a acontecer e os objectivos do MFA. A adesão é total.O capitão António Ramos abandona as instalações do Jornal do Comércio e dirige-se para a residência do general Spínola, aonde acorreram, durante a madrugada, o tenente-coronel Dias de Lima e o major Carlos Alexandre de Morais.23h25 - O capitão Garcia Correia chega à porta de armas da EPC, acompanhado do 2º comandante, tenente-coronel Henrique Sanches, que nessa noite havia convidado para jantar em sua casa, na expectativa de o aliciar para o movimento, o que se revelara infrutífero. Este, verificando que o oficial de dia fora substituído, ordena-lhe que retire imediatamente o braçal, no que não é obedecido.23h30 - Henrique Sanches convoca para o seu gabinete o major Costa Ferreira, os capitães Garcia Correia e Correia Bernardo, o tenente Ribeiro Sardinha e o oficial de dia substituto, capitão Pedro Aguiar. O seu objectivo é demovê-los da acção revolucionária. No entanto, é informado da sua determinação em prosseguir a acção, bem como de todos os oficiais presentes nessa noite na EPC.- DIA 25 - 00h00 - João Paulo Dinis conclui o programa nos E.A.L. e regressa a casa, seguindo instruções do chefe militar do MFA. 00h20 – Nos estúdios da Rádio Renascença, situados na Rua Capelo, ao Chiado, Paulo Coelho, que ignora os compromissos assumidos pelos seus colegas do programa Limite, lê anúncios publicitários. Apesar dos sinais desesperados de Manuel Tomás, que se encontra na cabina técnica acompanhado de Carlos Albino, para sair do ar, o radialista prossegue paulatinamente a sua tarefa. Após 19 segundos de aguda tensão, Tomás dá uma "sapatada" na mão do técnico José Videira, provocando o arranque da bobine com a gravação que continha a célebre senha: a canção Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso. 00h30 - Na EPAM, um grupo de capitães e subalternos armados dá voz de prisão ao oficial de dia, alferes miliciano Pinto Bessa, e ao oficial de prevenção, aspirante miliciano Leão. O capitão Gaspar assume provisoriamente as funções de oficial de serviço.No Campo de Instrução Militar de Santa Margarida (CIMSM) começam-se a encher carregadores na arrecadação de material de guerra.Na EPA continua-se (iniciada às 23h00) a preparação final do golpe, onde o capitão Santos Silva assumira já o comando, acolitado pelos tenentes Ruaz, Sales Grade e Sousa Brandão. Na EPI, os capitães Rui Rodrigues, Aguda e Albuquerque ordenam a formatura da companhia de intervenção, a três bigrupos de cinquenta homens. O capitão Silvério executa o plano de defesa do quartel. Os majores Aurélio Trindade e Cerqueira Rocha convidam o coronel Jasmins de Freitas a aceitar o comando da unidade.00h40 - Na EPC, em Santarém os oficiais do MFA procuram obter a adesão ao Movimento do tenente coronel Henrique Sanches. Não o conseguindo, procedem à sua detenção.No Campo de Tiro da Serra da Carregueira (CTSC) os capitães Oliveira Pimentel e Frederico Morais iniciam a preparação dos homens para levar a bom termo a sua missão - conquistar a Emissora Nacional.01h00 - No BC 5 o major Fontão ordena ao alferes Frazão que controle e mantenha pessoal de guarda à central telefónica. Manda fechar os portões e neutralizar a central rádio.No CIMSM o tenente Luís Pessoa reúne os cabos milicianos e consegue a sua adesão imediata.Na EPC o major Rui Costa Ferreira assume o comando.01h30 - Na EPC Salgueiro Maia manda acordar o pessoal e formar em parada. A adesão é entusiástica. Salgueiro Maia comandará a força tendo o tenente Alfredo Assunção como seu adjunto.No CIAAC, em Cascais, um grupo de jovens oficiais vê impedida a sua entrada na unidade que, ao contrário do que se previa, não adere ao Movimento. Contactam o Posto de Comando pedindo nova missão.Na EPAM os soldados são armados. No exterior tudo está tranquilo.No RI 14 os capitães Gertrudes da Silva, Silveira Costeira, Aprígio Ramalho, Ferreira do Amaral e Augusto convocam os oficiais subalternos e esclarecem a situação. Controlam a central telefónica e os postos de rádio da ordem pública e do Serviço de Telecomunicações Militares (STM).No Regimento de Cavalaria 3 (RC 3), em Estremoz, é problemático o cumprimento da missão: marchar sobre Lisboa com uma coluna de autometralhadoras, estacionando na zona da portagem da Ponte Salazar, aguardando ordens do Posto de Comando. O comandante, coronel Caldas Duarte, mostra-se indeciso e pede tempo para reflectir.02h00 - No RI 14, em Viseu, inicia-se a preparação da companhia que vai seguir para a Figueira da Foz, onde se juntará a outras unidades em acção (RI 10, CICA 2, RAP 3) com vista a constituir o agrupamento «November».A companhia de intervenção a três bigrupos comandada pelo capitão Rui Rodrigues abandona a EPI, em Mafra, para seguir por Malveira, Loures, Frielas e Camarate até ao Aeroporto da Portela, que deverá ocupar e defender.No BC 5 o major Cardoso Fontão manda distribuir armas, munições e aparelhos de rádio e formar as companhias.Do CTSC saem duas viaturas pesadas e um jipe, com um total de 47 homens, e dirigem-se para o seu objectivo.02h30 – Os capitães Dinis de Almeida e Fausto Almeida Pereira executam vitoriosamente o plano de controlo do Regimento de Artilharia Pesada 3 (RAP 3), na Figueira da Foz, neutralizando os subalternos milicianos em serviço. Almeida Pereira abre o portão da unidade aos oficiais da Escola Central de Sargentos (ECS) de Águeda.Forças da EPI iniciam a ocupação dos pontos chave de Mafra, assegurando o domínio da vila e dos respectivos acessos.02h40 - Forças da Escola Prática de Engenharia (EPE) saem de Tancos para se dirigirem à ponte da Golegã-Chamusca, e aí se juntarem às Companhias de Caçadores 4241/73 e 4246/73 oriundas de Santa Margarida.02h50 - Uma coluna da EPAM, num total de cerca de cem homens, montados em duas viaturas ligeiras e três pesadas, comandada pelo capitão Teófilo Bento, inicia a curta marcha em direcção ao objectivo.03h00 - A Rádio Televisão Portuguesa (R.T.P.) - Mónaco na linguagem cifrada dos militares revoltosos - é tomada de assalto pela força da EPAM. As 16 viaturas militares, precedidas de um automóvel de exploração civil, que constituíam a força da EPA - composta por uma bateria de artilharia (BTR 8,8) e uma companhia de artilharia motorizada comandadas, respectivamente, pelos capitães Oliveira Patrício e Mira Monteiro - cruzam a porta da unidade e partem de Vendas Novas em direcção a Lisboa.Uma bateria de artilharia (BTR 10,5) da EPA, comandada pelo capitão Duarte Mendes, ocupa posições a cavaleiro das estradas de Montemor-o-Novo e Lavre, assegurando a interdição destes eixos viários e garantindo a segurança próxima da unidade.Abrem-se os portões do quartel do BC 5 dando saída a duas companhias operacionais. O major Campos Moura e o capitão Correia Pombinho, encarregues de assinalar a saída dos homens do BC 5 e que aguardam na viatura do primeiro, escondida por detrás de sebes fronteiras à Penitenciária, partem de imediato para informar o 10º «Grupo de Comandos» do facto. Em Lamego, no Centro de Instrução de Operações Militares (CIOE), o seu comandante, tenente-coronel Sacramento Marques dá ordem de saída a uma companhia de tropas especiais que, após cinco horas de percurso, entrará no Porto.Nesta cidade, uma força do CICA 1, comandada pelo tenente-coronel Carlos Azeredo, penetra no Quartel-General da Região Militar do Porto (QG/RMP), transformando-o no posto de comando das forças em operações na Região Norte.03h07 - Encontro do 10º «grupo de comandos» com a segunda companhia do BC 5, comandada pelo tenente Mascarenhas, na confluência da rua Castilho com a Sampaio Pina. O major Fontão estabelece contacto proferindo a senha Coragem! a que o capitão Mendonça de Carvalho responde com Pela Vitória!03h12 - Efectuada a junção com êxito, encaminham-se para a entrada do Rádio Clube Português que o porteiro Alcino Leal virá a abrir, dando entrada a oito oficiais, sete dos quais armados com pistolas Walther. Estava conquistado sem incidentes o R.C.P., tendo o capitão Santos Coelho informado, de seguida, o Posto de Comando de que México passara para as mãos do MFA.03h15 - A coluna do CTSC, comandada pelos capitães Frederico Morais e Oliveira Pimentel, chega à Emissora Nacional (E.N.) e ocupa a estação de rádio oficial. Tóquio viera completar o domínio de três objectivos fundamentais na área da comunicação social.03h15 - As Companhias de Caçadores (Ccaç) 4241/73 e 4246/73 encontram-se com a EPE. A Ccaç 4241/73 marcha para o centro emissor do R.C.P., em Porto Alto; a Ccaç 4246/73 dirigir-se-á a Vila Franca de Xira para dominar a Ponte Marechal Carmona e a EPE seguirá para Lisboa a fim de ocupar posições de defesa na Casa da Moeda.03h16 - No posto de comando do MFA é interceptada uma conversa telefónica entre o general Andrade e Silva, ministro do Exército e o Prof. Silva Cunha, ministro da Defesa, trocam impressões sobre a situação geral, revelando que tinham conhecimento de que se preparava um jantar importante de carácter conspirativo, mas que a DGS vigiava os oficiais. O primeiro membro do governo, entre outras considerações, afirma que "A situação está sem alteração e perfeitamente sob controlo...está tudo sossegado e não há qualquer problema em qualquer ponto do País." A chamada é interrompida porque o responsável máximo da DGS se encontrava noutro telefone para falar com o ministro da Defesa.03h30 - A força da EPC - com 10 viaturas blindadas, 12 viaturas de transporte de tropas, duas ambulâncias e um jipe e precedida por uma viatura civil, com três oficiais milicianos - comandada pelo capitão Salgueiro Maia, cruza a porta da unidade e sai de Santarém em direcção a Lisboa.A primeira companhia do BC 5, comandada pelo capitão Bicho Beatriz, toma posições de cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa (QG/RML). O oficial de serviço, aspirante Silva, informa o chefe do Estado-Maior, coronel Duque, da situação. Inicia-se, a partir de então, de acordo com a cadeia hierárquica, o processo de prevenção dos principais responsáveis das Forças Armadas.Carlos Albino e Manuel Tomás retiram-se das instalações da Rádio Renascença.03h30 - Surge o primeiro alarme oficial das forças governamentais sobre a eclosão do Movimento, na cidade do Porto: o coronel Santos Júnior, comandante da PSP local, informa o Comando da GNR da tomada do QG/RMP pelos revoltosos.03h31 – Os ministros da Defesa e do Exército retomam o diálogo telefónico, acabando por concluir que o Presidente da República, nesse dia, "pode deslocar-se à vontade, porque, por lá (Tomar), está tudo calmo".03h40 - A coluna do RI 10 de Aveiro, comandada pelo capitão Pizarro, chega aos portões do RAP 3. O coronel Sílvio Aires de Figueiredo, comandante da última unidade, é detido, nessa altura, pelo capitão Dinis de Almeida. Decorrerá ainda algum tempo até que se constitua o Agrupamento Norte: a coluna do RAP 3 demora a formar, é preciso municiar as tropas chegadas de Aveiro, aguarda-se que cheguem as forças do Centro de Instrução de Condução Auto 2 (CICA 2) da Figueira da Foz e do RI 14 de Viseu.03h55 - A companhia do RI 14 autotransportada, comandada pelo capitão Silveira Costeira, constituída por 4 viaturas pesadas, 1 ambulância e 1 viatura de exploração civil, sai do quartel passando por Tondela, Santa Comba Dão, Luso, Anadia e Cantanhede.03h56 - O Posto de Comando toma conhecimento que foi quebrado o factor surpresa. O documento onde são anotadas as escutas telefónicas – intitulado A Fita do Tempo – regista: «Concentração que avança sobre Lisboa. Ele (Min. Ex?) vai já para lá (?)».03h57 - A ausência de notícias da coluna da EPI, que ainda não conquistara o Aeroporto, conduz ao adiamento da transmissão do primeiro comunicado inicialmente prevista para as 4h00.04h00 - Um pelotão do BC 5 desloca-se para a residência de António de Spínola, a fim de garantir a sua segurança.O programa «A noite é nossa», do R.C.P., deixa de transmitir publicidade, passando a emitir apenasmúsica.04h15: O general Eduardo Martins Soares, comandante da RMP, apela aos coronéis Rui Mendonça, comandante do RI 8, e Carneiro de Magalhães, comandante do RI 13, ambos de Braga, para avançarem sobre o Porto e libertarem o QG das mãos dos insurrectos. Nos dois casos, os oficiais das unidades recusam-se a cumprir tais ordens.04h20 - A coluna da EPI, comandada pelo capitão Rui Rodrigues, assume o controlo do Aeródromo Base nº 1 (Figo Maduro) e do Aeroporto de Lisboa. O capitão Costa Martins emite um comunicado NOTAM, interditando o espaço aéreo português e desviando o tráfego para os aeroportos de Las Palmas e Madrid. Nova Iorque encontra-se sob o controlo do Movimento.04h22 - Em resposta a um telefonema de Silva Cunha, a mulher do Ministro do Exército informa-o que «O Alberto saiu agora de casa».04h26 - O Rádio Clube Português transmite o 1º comunicado do Movimento das Forças Armadas, lido por Joaquim Furtado. Seguem-se o Hino Nacional e marchas militares, designadamente uma da autoria de John Philip de Sousa que se viria a transformar no hino do MFA. Os portugueses começam a tomar conhecimento de que algo de muito importante se está a desenrolar no País.No Grupo de Artilharia Contra Aeronaves 2 (GACA 2) de Torres Novas os capitães do Quadro Permanente, Pacheco, Dias Costa e Ferreira da Silva, conseguem a adesão dos tenentes milicianos comandantes de companhias mobilizadas para o Ultramar e que aguardam embarque. 04h30 - Rendição do QG/RML. O major Cardoso Fontão comunica ao posto de comando que Canadá fora ocupado sem incidentes.Forças do CICA 1 detêm, à saída da sua residência, o chefe do Estado-Maior do Q.G./R.M.N., coronel Ramos de Freitas.04h45 - O 2º comunicado do MFA é emitido, apelando à desmobilização de eventuais acções contra o Movimento.O primeiro grupo do BC 5, comandado pelo major Fontão, penetra no interior do R.C.P. O alarme é dado no Quartel-General da Região Militar de Coimbra (QG/RMC). Rapidamente se apercebem de que a maior parte das unidades segue o Movimento.O governador da Região Militar de Lisboa reúne-se com o corpo do seu Estado-Maior na residência do respectivo subchefe.05h00 - Após uma viagem sem problemas, a coluna da EPC passa na portagem da auto-estrada, em Sacavém.05h00.- No Quartel-General da Região Militar de Évora (QG/RME) é recebida ordem do Ministério do Exército para entrar de prevenção rigorosa.Marcelo Caetano recebe um telefonema do director-geral da PIDE/DGS, major Silva Pais, que lhe comunica estar a Revolução na rua, sendo a situação muito grave, pelo que se tornava necessário que o Presidente do Conselho se refugiasse no Quartel do Comando-Geral da GNR no Largo do Carmo.05h15 Leitura do 3º comunicado que, entre outros apelos, aconselha a população a permanecer em casa. Grande parte desta, pelo contrário, vai para a rua, passando a manifestar um acolhimento eufórico à iniciativa dos militares, misturando-se com eles, conferindo, assim, ao golpe militar, muitos dos contornos de uma verdadeira revolução.05h19 - O general Nascimento telefona ao recém nomeado CEMGFA, general Luz Cunha, a informá-lo que "está muita tropa na rua e é preferível seguir para aqui".5h20 - O general Viotti de Carvalho, vice-chefe do Estado-Maior do Exército (EME) determina ao comandante da EPTm para proceder à escuta das comunicações militares e as relatasse para o Estado-Maior. No entanto, há largas horas que a referida unidade militar desempenhava aquela missão, mas a favor do MFA.05h27 - O ministro do Exército ordena ao RI 6, do Porto, que liberte o Q.G./R.M.P, determinação que não será cumprida, uma vez que a unidade era afecta ao MFA. 05h30 - No itinerário para o Terreiro do Paço, Salgueiro Maia cruza-se com viaturas da Polícia de Segurança Pública, no Campo Grande e, cerca de 10 minutos depois, com a Polícia de Choque, na Av. Fontes Pereira de Melo, que não se manifestam.05h30 - O Comando Territorial do Algarve (CTA) ordena a entrada em prevenção rigorosa das suas três unidades.05h32 – O ministro do Exército determina ao general Carvalhais que se ocupe da protecção dos CTT, Águas e Electricidade.05h45 - O 4º comunicado sintetiza os anteriores alertando para que a situação não se encontra ainda totalmente controlada. 05h46 - O Ministro do Exército ordena ao comandante do Regimento de Cavalaria 7 (RC 7), coronel António Romeiras Júnior, que, com os carros de combate M47, tome posições em Vale de Cavalos para deter uma coluna da EPC que fora «referenciada no Cartaxo» e que «vem a caminho de Lisboa».05h50 - Uma força do CICA 1 ocupa o centro emissor de Miramar (Porto) do R.C.P.05h55 - As forças de Salgueiro Maia instalam-se no Terreiro do Paço, de forma marcadamente intimidatória. Encontram-se cercados os ministérios, a Câmara Municipal, a Marconi, o Banco de Portugal e a 1ª Divisão da P.S.P., estando dirigidas as metralhadoras para as janelas do Ministério do Exército. «Estamos aqui para derrubar o Governo» declara Salgueiro Maia ao jornalista Adelino Gomes.05h59 - O ministro do Exército telefona ao coronel Romeiras Júnior, e ordena-lhe que "veja se consegue salvar esta coisa, pois estamos todos cercados", recebendo a resposta que as forças daquela unidade iam a caminho e já se encontravam na Av. 24 de Julho.06h00 - O Quartel-General da Região Militar de Tomar (QG/RMT) ordena às unidades que passem ao estado de prevenção rigorosa. Mas já há algumas horas que forças de Tancos (EPE), de Santa Margarida (Ccaç 4241 e 4246) e de Santarém se movimentam em apoio do MFA.A companhia do GACA 2 de Torres Novas, na qual ocorrera uma viragem da situação (de força inimiga passa a apoiante), ocupa o Quartel e resiste a todas as ameaças, apesar de se manter sem contactos com o Posto de Comandos do MFA até às 20h00 do dia 26.06h05 - O alferes miliciano David e Silva chega ao Terreiro do Paço comandando um pelotão de AML/Chaimites reforçado com Panhards do RC 7, favorável ao Governo, mas adere imediatamente ao Movimento, colocando-se às ordens de Salgueiro Maia. A mesma atitude será tomada por dois pelotões do Regimento de Lanceiros 2 (RL 2) que guardam o Ministério do Exército, à excepção de sete elementos que virão a possibilitar a fuga aos membros do Governo aí refugiados.06h10 - O ministro do Exército pede ao general da FA Henrique Troni para "mandar dois aviões sobrevoar o Terreiro do Paço".06h50 - A bateria de obuses do Regimento de Artilharia Pesada 2 de Vila Nova de Gaia toma posição em ambas as entradas da Ponte da Arrábida, no Porto, dando acesso unicamente às «forças amigas» (do MFA).Uma força do RL 2, comandada pelo tenente Ravasco, tenta, sem êxito, recuperar o QG/RML.07h00 - Forças da EPA de Vendas Novas, comandadas pelos capitães Patrício e Mira Monteiro, ocupam a colina do Cristo-Rei, em Almada (com o nome de código Londres).Surge no Terreiro do Paço, do lado da Ribeira das Naus, um pelotão de reconhecimento Panhard do RC 7, orientado pelo seu 2º comandante, tenente-coronel Ferrand de Almeida que, perante o dilema de ter de disparar ou de se render, opta por esta última posição, sendo preso.Uma coluna do RC 3 de Estremoz, sob o comando do capitão Andrade Moura e Alberto Ferreira, sai do Quartel e dirige-se a Setúbal, a fim de atingir a Ponte Salazar (actual Ponte 25 de Abril). Juntam-se-lhe os capitães Miquelina Simões e Gastão Silva, colocados no Regimento de Lanceiros 1 de Elvas, na sequência do frustrado golpe das Caldas.O Agrupamento Norte – envolvendo, nesta altura, forças do RAP 3 e CICA 2 da Figueira da Foz e do RI 10 de Aveiro - sai a porta de armas do Quartel e mete-se à estrada em direcção a Leiria.07h30 - O RI 14 de Viseu chega à Figueira da Foz e integra as forças do Agrupamento Norte muito antes da sua chegada a Leiria, assumindo o comando o capitão Gertrudes da Silva.É lido por Luís Filipe Costa o 5º comunicado do Movimento das Forças Armadas, em que se fornecem elementos acerca dos objectivos do MFA.É detido, nas imediações do R.C.P., o tenente-coronel Chorão Vinhas, comandante interino do BC 5.Uma segunda coluna da EPC, constituída por cinco carros de combate (2 M47 e 3 M24) e dois pelotões de atiradores (cerca de 60 homens), comandada pelo capitão Correia Bernardo, atinge o perímetro de Santarém, pronta para avançar para Lisboa em apoio da coluna de Salgueiro Maia. A evolução favorável dos acontecimentos acabou por tornar desnecessária tal medida. 07h40 - A Companhia de Caçadores (Ccaç 4241/73) ocupa o centro emissor do R.C.P., em Porto Alto.07h50 - Os capitães Glória Alves e Ferreira Lopes, à frente de um pelotão do Centro de Instrução de Condução Auto 5 (CICA 5) de Lagos, ocupam o centro retransmissor de Fóia.08h00 - Verifica-se o corte de energia ao centro emissor do R.C.P., em Porto Alto, que passa a funcionar com o gerador de emergência.A Companhia do CIOE, comandada pelo capitão Delgado da Fonseca, chega à cidade do Porto, dirigindo-se ao CICA 1.08h15 - Uma força da GNR saída do Quartel do Cabeço de Bola, constituída por 12 "Land Rover", toma posição no Campo das Cebolas. Após um breve diálogo com Salgueiro Maia e face à disparidade de meios, o comandante é convencido a abandonar o local.08h22 – O CEMGFA, general Luz Cunha, informa o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Paiva Brandão, que "pretende utilizar meios da Escola Prática do Serviço de Material (EPSM) para tomar posições e libertar o AB 1. Irem pela auto-estrada e tomarem estrada secundária. Terem cuidado com o Cmdt. dessa força porque a entrega do Ferrand o deixou muito em baixo".08h30 - É lido, pela primeira vez na Emissora Nacional, um comunicado do MFA.08h50 - Uma coluna de nove viaturas militares da EPE de Tancos estaciona no centro emissor do R.C.P., a fim de reforçar a sua defesa. Mais tarde segue para Lisboa onde ocupa a Casa da Moeda, seu objectivo inicial.09h00 - A fragata Almirante Gago Coutinho, comandada pelo capitão-de-fragata Seixas Louçã, toma posição no Tejo, em frente ao Terreiro do Paço, intimidando directamente as forças de Salgueiro Maia. Perante esta situação, a artilharia do Movimento, já estacionada no Cristo-Rei, recebe ordens do Posto de Comando para afundar a fragata no caso desta abrir fogo. O vaso de guerra terá recebido ordem do vice-chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Jaime Lopes, "para se preparar para abrir fogo". A ordem de disparar nunca chegou.O major Cardoso Fontão detém, nas imediações do Q.G./R.M.L., o brigadeiro Serrano que, no 16 de Março, comandara o cerco ao RI 15.Chega à residência de Spínola o médico Carlos Vieira da Rocha, amigo do general e proprietário do automóvel Peugeot que os haveria de transportar, no final da tarde, ao Quartel do Carmo.09h15 - Uma força da EPC, com uma AML e uma ETT/Panhard, comandadas pelo alferes Sequeira Marcelino e pelo aspirante Pedro Ricciardi, vai reforçar a protecção do QG/RML, em São Sebastião da Pedreira.09h35 - Chega ao Terreiro do Paço uma força comandada pelo brigadeiro Junqueira dos Reis, 2º comandante da RML, constituída por 4 CC/M47, uma companhia de atiradores do Regimento de Infantaria 1 e alguns pelotões da Polícia Militar. Dois dos carros de combate, comandados pelo major Pato Anselmo, tomam posições na Ribeira das Naus, enquanto os outros dois, sob o comando do coronel Romeiras Júnior, penetram na Rua do Arsenal.09h40 - Protegidos pelos blindados do RC 7, os ministros da Defesa, Silva Cunha, do Interior, César Moreira Baptista, do Exército, Andrade e Silva, da Marinha, Pereira Crespo, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Joaquim Luz Cunha, o governador militar de Lisboa, Edmundo Luz Cunha, o subsecretário de estado do Exército, coronel Viana de Lemos e o almirante Henrique Tenreiro, fogem pelas traseiras do Ministério do Exército, abrindo um buraco na parede que comunica com a biblioteca do Ministério da Marinha. No parque de estacionamento interior tomam lugar numa carrinha que os transporta ao Regimento de Lanceiros 2, onde instalam o Posto de Comando das tropas leais ao Governo. 10h00 - Na Rua do Arsenal, o tenente Alfredo Assunção, da EPC, empreende uma tentativa de negociação com o coronel Romeiras Júnior e o brigadeiro Junqueira dos Reis.Este oficial-general agride com três murros o emissário dos revoltosos que responde com continência e uma rígida posição de sentido. O brigadeiro manda, em seguida, abrir fogo sobre ele, não sendo obedecido, por intervenção directa do coronel Romeiras. Assunção regressa, então, para junto das suas tropas.10h10 - Chega ao Terreiro do Paço o tenente-coronel Correia de Campos, enviado do Posto de Comando da Pontinha, com a missão de coordenar as operações.10h15 - Um grupo de comandos, que integra Correia de Campos e Jaime Neves, passa revista ao Ministério do Exército, confirmando a fuga dos ministros que tinha por missão prender, procedendo à detenção de diversos oficiais superiores, designadamente o coronel Álvaro Fontoura, chefe de gabinete do ministro do Exército que seriam, pouco depois, transferidos para o RE 1.10h30 - Depois de algumas tentativas infrutíferas para a rendição do major Pato Anselmo, na Ribeira das Naus, esse intento é alcançado por um civil, o ex-alferes miliciano Fernando Brito e Cunha, que actua às ordens de Correia de Campos. Os dois carros de combate e as tropas que os seguiam passam-se para o lado dos revoltosos, ficando sob o comando de Salgueiro Maia.O Agrupamento Norte, comandado pelo capitão Gertrudes da Silva, atinge Peniche, com o objectivo de ocupar essa odiosa prisão política do Regime. Face à resistência da PIDE/DGS, a companhia do CICA 2 e duas secções de obuses do RAP 3 montam cerco àquele objectivo, seguindo o grosso da coluna para Lisboa.10h45 – Face à perda de metade da sua coluna, o 2º comandante da RML transfere o CC/M47 do alferes miliciano Fernando Sottomayor (RC 7) para a Ribeira das Naus. Seguidamente, o brigadeiro Junqueira dos Reis ordena-lhe que abra fogo sobre Salgueiro Maia, quando este se encontra entre a esquina do Ministério do Exército e o muro para o rio Tejo, numa tentativa para obter a rendição do remanescente das forças fiéis ao governo. O oficial miliciano recusa-se a obedecer, sendo detido e transferido para o RL2.10h50 - Junqueira dos Reis ordena, sem sucesso, aos soldados que abram fogo. Perante a desobediência generalizada, o oficial-general dá dois tiros para o ar e dirige-se para a Rua do Arsenal, onde se encontra o carro de combate do comandante do RC 7.11h00 - Incapaz de se fazer obedecer, o 2º governador militar de Lisboa conserva as forças que lhe restavam nas posições que ocupavam, não tomando, naquela altura, mais nenhuma iniciativa.O governo consegue cortar a emissão em FM do R.C.P., desligando o comutador de Monsanto.É detido, por forças do BC 5, nas instalações do Quartel Mestre General, o seu responsável, general Louro de Sousa.11h30 - As unidades estacionadas no Terreiro do Paço dividem-se, avançando: a Escola Prática de Cavalaria para o Quartel do Carmo, sendo, ao longo de todo o percurso, aclamada entusiasticamente pela população.forças dos Regimentos de Cavalaria 7, Lanceiros 2 e Infantaria 1 - que contavam com 16 blindados - comandadas por Jaime Neves e pelos tenentes de Cavalaria Cadete e Baluda Cid, para o Quartel-General da Legião Portuguesa (Marrocos). 11h45 - Difundido novo comunicado do MFA ao País, informando que, de Norte a Sul, a situação se encontra dominada e que "...em breve chegará a hora da libertação."12h00 - A fragata Almirante Gago Coutinho retira para o Mar da Palha.No Rossio, uma companhia do Regimento de Infantaria 1 , da Amadora, comandada pelo capitão Fernandes, tenta barrar o caminho para o Quartel do Carmo, à coluna da EPC. Após curto diálogo com o comandante das tropas, estas passam para o lado de Salgueiro Maia.12h30 - É montado o cerco ao Quartel da GNR, no Carmo, pela coluna da EPC. 12h45 - Forças hostis da GNR ocupam posições na retaguarda do dispositivo de Salgueiro Maia.13h00 - Um comunicado do MFA tranquiliza as famílias dos militares envolvidos no movimento revoltoso.Face ao cerco do Quartel do Carmo, o brigadeiro Junqueira dos Reis dirige-se, com os dois CC/M47 e os lanceiros e atiradores que lhe restavam, para o Largo de Camões, na esperança de, conjuntamente com forças da GNR, tentar libertar o Presidente do Conselho. Tais intenções rapidamente se verificam inexequíveis. A companhia do RI 1 passa-se para as fileiras do MFA e uma parte da guarnição de um M/47 abandona-o, confinando o brigadeiro a uma posição de crescente fraqueza face ao aumento do poderio dos revoltosos. 13h15 - A coluna do RC 3 de Estremoz atinge o seu objectivo, a Ponte Salazar. 13h30 - Um helicanhão sobrevoa o Largo do Carmo, causando grande ansiedade entre militares e civis.13h40 - O comandante e o Estado-Maior da Legião Portuguesa apresentam a sua rendição.14h00 - Corte de energia ao emissor de Miramar (Porto) do R.C.P.14h30 - É lido por Clarisse Guerra, aos microfones do Rádio Clube Português, um comunicado do MFA, no qual se dá conta dos objectivos e posições controlados e do ultimato para a rendição de Marcelo Caetano.15h10 - Salgueiro Maia solicita, com megafone, a rendição do Carmo em 10 minutos. Momentos antes recebera do Posto de Comando do MFA uma mensagem escrita pelo major Otelo Saraiva de Carvalho na qual ordena que apresente um aviso-ultimato para a rendição.15h15 - São libertados da Trafaria os onze militares que aí se encontravam detidos em consequência do falhado golpe das Caldas.15h30 - Não sendo atendido após 15 minutos, Salgueiro Maia ordena ao tenente Santos Silva para fazer uma rajada da torre da Chaimite sobre as janelas mais altas do Quartel, repetindo o apelo de rendição logo a seguir.15h45 - Do Quartel do Carmo sai o major Hugo Velasco, membro do MFA, para falar com o capitão Salgueiro Maia.16h00 - O coronel Abrantes da Silva, a pedido de Salgueiro Maia, entra no Quartel para dialogar com os sitiados.Forças do CIOE dirigem-se aos estúdios da R.T.P. (Monte da Virgem) e do R.C.P. (Tenente Valadim), no Porto, para proceder à sua ocupação.16h15 - O capitão Salgueiro Maia dá ordens ao alferes miliciano Carlos Beato para instalar os seus homens no cimo das varandas do edifício da Companhia de Seguros Império e fazer fogo sobre a frontaria do Carmo, agora com armas automáticas G-3.16h25 - O comandante da força da EPC, na ausência de resposta por parte dos sitiados no Quartel do Carmo, ordena a colocação de um blindado em posição de tiro e chega a dar "voz" de "um, dois"..., sendo interrompido pelo tenente Alfredo Assunção que conduz dois civis até ele. Trata-se de Pedro Feytor Pinto, director dos Serviços de Informação da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, e Nuno Távora, que se dizem portadores de uma mensagem do general Spínola para Marcelo Caetano.16h30 - Salgueiro Maia autoriza a entrada no Quartel dos dois mensageiros.16h30 - Spínola comunica ao Posto de Comando do MFA ter recebido um pedido de Marcelo Caetano para ser ele a aceitar a rendição do chefe do governo. Otelo, após recolher a opinião dos presentes, concede-lhe esse mandato.16h45 - Os dois mensageiros saem do Quartel do Carmo e deslocam-se num jipe, acompanhados por Alfredo Assunção, para casa de Spínola que, entretanto, se dirige já para o Carmo.17h00 - Salgueiro Maia desloca-se ao interior do Quartel e fala com Marcelo Caetano que, após ter colocado algumas perguntas, lhe solicita que um oficial-general vá efectuar a transmissão de poderes (Spínola, com quem, aliás, falara já ao telefone) para que o poder não caia na rua.17h00 - Salgueiro Maia pede a Francisco Sousa Tavares e a Pedro Coelho, oposicionistas ligados à CEUD e ao PS, para ajudarem a afastar a população. Sousa Tavares sobe para uma guarita da GNR e, usando o megafone, apela à calma.17h45 - Chegada ao Largo do Carmo do general António de Spínola, acompanhado pelo tenente-coronel Dias de Lima, major Carlos Alexandre Morais, capitão António Ramos e dr. Carlos Vieira da Rocha. Após longos minutos envolvido pela multidão, o Peugeot que transportava Spínola consegue, finalmente, chegar junto da porta de armas do quartel.18h00 - António de Spínola, acompanhado por Salgueiro Maia (que o informa sobre o modo como os membros do Governo serão retirados das instalações), entra no Quartel do Carmo para dialogar com Marcelo Caetano.18h15 - Spínola encontra-se com Marcelo e informa-o dos procedimentos que serão adoptados para a sua saída do local e posterior evacuação para a Madeira. Enquanto isso, Salgueiro Maia pede à população que abandone o Largo do Carmo, a fim de se proceder à retirada do Presidente do Conselho e dos ministros. O apelo é ignorado.18h20 - Um comunicado do MFA informa o País da entrega de Marcelo Caetano e de membros do seu ex-governo, refugiados no Carmo.18h25 - Às ordens de Salgueiro Maia, soldados formam um cordão em frente da porta de armas do Quartel, por forma a ser possível retirar Marcelo Caetano em segurança.18h30 - O Agrupamento Norte chega a Lisboa.Numa manobra difícil, a autometralhadora Chaimite penetra, de marcha atrás, no Quartel do Carmo.19h00 - Marcelo Caetano, Rui Patrício e Moreira Baptista abandonam o Quartel do Carmo, sendo conduzidos na autometralhadora Chaimite "Bula", em direcção ao Quartel da Pontinha.A Baixa de Lisboa é invadida por enorme multidão que vitoria as Forças Armadas e a Liberdade.19h50 - Comunicado do MFA anunciando formalmente a queda do Governo.20h05 - É lida, através dos emissores do RCP, a Proclamação do Movimento das Forças Armadas.20h30 - Na Rua António Maria Cardoso, onde se situa a sede da PIDE/DGS, agentes desta polícia política abrem fogo sobre a multidão que se aglomera na referida artéria, causando 4 mortos e dezenas de feridos.21h00 - A Chaimite "Bula" e a coluna da EPC atingem o Quartel da Pontinha.21h00 - Forças do RAP 3 e da EPI deslocam-se ao Comando da 1ª Região Aérea, em Monsanto, para proceder à detenção dos ministros da Defesa, do Exército e da Marinha, e de outras altas patentes militares que ali se haviam refugiado desde a tarde, conduzindo-os ao RE 1.22h00 - Forças de pára-quedistas chegam à prisão de Caxias, onde a PIDE/DGS continua a resistir.23h30 - Chegada da EPC ao RC 7 e RL 2 que ocupa, perante a rendição, sem resistência, dos seus comandantes.DIA 26: 01h30 - A Junta de Salvação Nacional - de que fazem parte o capitão-de-fragata António Rosa Coutinho, coronel Carlos Galvão de Melo, general Francisco da Costa Gomes, brigadeiro Jaime Silvério Marques, capitão-de-mar-e-guerra José Pinheiro de Azevedo e o general Manuel Diogo Neto, ausente do Continente - apresenta-se à Nação, através da Rádio Televisão Portuguesa, lendo uma proclamação e tendo o general António de Spínola como Presidente. 07h00 - O tenente-coronel Almeida Bruno desloca-se à Rua Almirante Saldanha, ao Restelo, para solicitar ao ex-Presidente da República, Américo Tomás, que o acompanhe ao aeroporto a fim de embarcar no DC-6 que o conduzirá à ilha da Madeira.O tenente-coronel Lopes Pires acompanha ao aeroporto o ex-Presidente do Conselho, Marcelo Caetano e os ex-ministros Silva Cunha e Moreira Baptista.07h30 - O major Vítor Alves lê, perante a Comunicação Social, a versão definitiva do Programa do MFA.07h40 - O DC-6 levanta voo da pista da Portela e parte rumo ao Funchal.09h46 - Na Rua António Maria Cardoso, sede da PIDE/DGS, verifica-se a rendição incondicional daquela polícia política, sendo o edifício ocupado por forças do Exército e da Marinha10h00 - Rendição do Forte de Caxias.11h00 - Salgueiro Maia e as forças da EPC ocupam o edifício da Secretariado-Geral da Defesa Nacional, na Cova da Moura, onde a Junta de Salvação Nacional e o MFA passarão a funcionar.13h00 - Inicia-se a libertação dos presos políticos nas cadeias de Caxias e Peniche.Divulga-se o Programa do MFA que havia sido apresentado pelo major Vítor Alves, no Quartel da Pontinha, ao princípio da manhã, depois da 1ª conferência de imprensa da Junta de Salvação Nacional.DIA 28 - Mário Soares regressa a Portugal.DIA 30 - Álvaro Cunhal regressa a Portugal.MAIO: - 1 de MAIO – Centenas de milhares de pessoas, em todo o País, festejam nas ruas o Dia do Trabalhador, em democracia e liberdade. "O Povo está com o MFA" será a palavra de ordem mais gritada.

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Primeira Página

Primeira Página

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O SABOR DOS DIAS

* Zecatelhado

O SABOR DOS DIAS

E Depois de Abril...

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SOPRO DA PLANÍCIE

*Fancisco Nunes

SOPRO DA PLANÍCIE


25 de Abril, sempre!

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TUTO B(U)ONO

*GolfinhU2

TUTO B(U)ONO

Brevemente .... com desejos de rápidas melhoras

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SAUDAVELMENTE FALANDO

*José Gonçalves

SAUDAVELMENTE FALANDO

SERÁ QUE VÊM?

AS SOBRAS

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QUANDO AS PALAVRAS DANÇAM

*Lique

QUANDO AS PALAVRAS DANÇAM

Abril do meu contentamento

Posted by Zecatelhado at 12:11 AM | Comments (9)

BOLINANDO

*Luís Bonifácio
BOLINANDO

31 Anos Depois …. (1ª Parte)

Posted by Zecatelhado at 12:10 AM | Comments (6)

PORTO MEU

*Manuela
PORTO MEU

Podia contar-vos...

Posted by Zecatelhado at 12:09 AM | Comments (6)

INSTANTES

*Maria
INSTANTES

25 - IIII - 74

30 (+ 1) anos

Posted by Zecatelhado at 12:08 AM | Comments (8)

ESTENDAL DE LETRAS

*Raúl
ESTENDAL DE LETRAS

Nunca trocarei a minha liberdade, por um qualquer bem-estar

Posted by Zecatelhado at 12:05 AM | Comments (9)

SECUNDÁRIO E COMPLEMENTAR

*Teacher
SECUNDÁRIO E COMPLEMENTAR

Medo

Posted by Zecatelhado at 12:04 AM | Comments (6)

EM CRESCENDO

* Thita
EM CRESCENDO

25 de Abril

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FADO FALADO

*Valéria Mendez
FADO FALADO

FADO, FUTEBOL E FÁTIMA

Posted by Zecatelhado at 12:02 AM | Comments (15)

MONÓLOGOS COM CRISTA

*Vi e Cócó
MONÓLOGOS COM CRISTA

Onde está você neste 25 de Abril?

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O ESPELHO DAS PALAVRAS

*Wind
O ESPELHO DAS PALAVRAS

José Carlos Ary dos Santos

Posted by Zecatelhado at 12:00 AM | Comments (5)

abril 16, 2005

- É com esta forma de ser e estar no mundo que a ilha de More fica mais perto que Cacilhas!

Dá-vos vontade de rir o título do post? Pois fiquem sabendo que é mesmo isso que penso depois da saída da 2ª edição do "Café Expresso-Tadechuva".
Ainda estou a suar, já bebi 4 cafés em hora e meia, já pisei o rabo à Tuka, já fumei quase um maço de SG Ventil, e sei lá mais o que é que aconteceu!
Tudo porque o trabalho MAGNÍFICO que hoje aqui se apresenta teve a mão dessa extraordinária companheira que é a MARIA ( apetece-me repetir sem parar o nome da rapariga). Sem ela eu não seria capaz de fazer nada disto ( ou talvez fizesse daqui a cem anos ). Está na hora de todos os que lerem este post irem lá à caixinha dela e deixarem também um agradecimento.
Isto ainda vai mudar muito, mas para esta semana...CHEGA, uffffa!!!!
Aquele Abração do
Zecatelhado

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Posted by Zecatelhado at 12:16 AM | Comments (10)

Pregões da Lisboa Antiga

* Zecatelhado

O SABOR DOS DIAS

Pregões da Lisboa Antiga

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Deputado da NAÇÃO

*Fancisco Nunes

SOPRO DA PLANÍCIE



'E o fundo das costas lavado com água de malvas?... (1)'

'E o fundo das costas lavado com água de malvas?...(2)'

Deputado da NAÇÃO

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"Drowning Man"

*GolfinhU2

TUTO B(U)ONO

"Drowning Man"

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Via láctea (um esclarecimento)

*José Gonçalves

SAUDAVELMENTE FALANDO

Via láctea (um esclarecimento)

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Direito à vida?

*Lique

QUANDO AS PALAVRAS DANÇAM

Direito à vida?


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Ontem e Hoje

*Luís Bonifácio
BOLINANDO

Ontem e Hoje

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Sonhos

*Manuela
PORTO MEU

Sonhos

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Genealogia das idades

*Maria
INSTANTES

Genealogia das idades

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Direitos & blogues

*Paulo Querido
ARROBAS

Direitos & blogues

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Posted by Zecatelhado at 12:07 AM | Comments (5)

O desafio do Conclave

*Pedro Guedes
OUTRAS MARGENS

O desafio do Conclave


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Posted by Zecatelhado at 12:06 AM | Comments (21)

O mundo fascinante do automóvel

*Raúl
ESTENDAL DE LETRAS

O mundo fascinante do automóvel

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Computadores, bah!

*Teacher
SECUNDÁRIO E COMPLEMENTAR

Computadores, bah!

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Um olhar de criança sobre o mundo

* Thita
EM CRESCENDO

Um olhar de criança sobre o mundo

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De Proscrita a Ícone duma Música Urbana

*Valéria Mendez
FADO FALADO

De Proscrita a Ícone duma Música Urbana

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Posted by Zecatelhado at 12:02 AM | Comments (8)

EU não vou reformar o meu pano do pó!

*Vi e Cócó
MONÓLOGOS COM CRISTA

EU não vou reformar o meu pano do pó!

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Posted by Zecatelhado at 12:01 AM | Comments (9)

Sophia de Mello Breyner Andresen

*Wind
O ESPELHO DAS PALAVRAS

Sophia de Mello Breyner Andresen

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abril 09, 2005

A Aventura

* Zecatelhado

O SABOR DOS DIAS


A Aventura

"...O Barco vai de saída
adeus ó cais de Alfama
se agora vou de partida...
....
lembra-te de mim nesta aventura
p'ra lá da loucura
p'ra lá do Equador..."

Aí está " a barca" prometida. Ainda um esboço tosco do projecto pensado mas já FLUTUA nas águas.
Ideias, muitas! Arrojo, muito! Horinhas a pensar e a dar ao dedo, bué! Mas a vontade de fazer algo um bocado a "quebrar o tradicional", bué, bué!
Por enquanto, reuniu-se aqui um grupo de amigos, do melhor que há por aí nestas coisas dos blogues ( muitos mais haveriam tão bons ou melhores que estes, mas como compreendem seria impossível de todo juntar tanta gente ) e decidiram dar corpo e alma a um bloco de opiniões a que vamos chamar de
"CAFÉ EXPRESSO-TADECHUVA", prontinho a ser devorado com o pequeno almoço de sábado.
Como tinhamos prometido, aqui neste espaço coabitam pessoas de todas as opiniões e crenças, num espírito verdadeiramente democrático, ou seja, onde o direito à palavra não conhece margens de qualquer espécie. De Libertários a Conservadores há de tudo minha gente! Viva o direito ao contraditório!
Estava previsto já para o primeiro número, um acompanhamento destes textos com um vídeo surpresa, mas não foi humanamente possível executar a tempo o dito, pelo que só na próxima semana teremos oportunidade de o fazer.
Queria deixar aqui TRÊS VIVAS aos soberbos "redactores" deste "blog-jornal":
Ao Francisco Nunes, ao Golfinho, ao José Gonçalves, à Lique, ao Luís Bonifácio, à Manuela, à Maria, ao Paulo Querido, ao Pedro Guedes, ao Raúl, à Teacher, à Valéria, à Vi, ao Cócó, à Wind, ... e um VIVA muito especial para a "mascote" deste grupo, a pequena Thita.
Isto ainda agora vai começar, vai-se transformar semana-após-semana numa coisa cada vez mais burilada, mais trabalhada, e vai ser bonito ver o "miúdo" a crescer, acreditem.
Para finalizar, gostaria de pedir a todos que fossem deixando opiniões, críticas, icentivos e pateadas. Só assim, de opinião crítica livre mas justa se constroem boas coisas.
Uma boa semana para todos, com o já celebérrimo
ABRAÇÃO do
Zecatelhado

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Por Esses Campos Fora

*Fancisco Nunes

SOPRO DA PLANÍCIE


Por esses campos fora.

Ficou famosa aqui na Planície uma figura dada a coscuvilhices e boatos. Com
medo de se ver em 'grandes assados' terminava sempre as suas confidências ao interlocutor do momento com a seguinte frase: "Eh pá, agora vê lá, han!...Não contes isto a mais de quinze!" Achamos brilhante. A um blogue que está a dar os primeiros passos há uma certa discrição que convem... É necessário evitar o elogio excessivo e o enxovalho arrasador.
Acima de tudo pede-se aos leitores deste espaço que nos deixem criar aqui o(s)
nosso(s) próprio(s) espaço(s), ganhar o nosso ritmo e fazer as nossas
adaptações a esta nova -e esperemos que válida- experiência. 'Somos um
blogue a fazer a rodagem'. -Lembrámo-nos agora, não sabemos bem porquê, do outro que pedia que o deixassem trabalhar... é isso mesmo: Deixem-nos
trabalhar!-

(São os prezados leitores, obviamente, livres de nos recomendarem ou de nos
dispensarem. Num caso, ou noutro, sigam o conselho da figura citada: Não
contem a vossa opinião a mais de quinze 'gaijos'.)

Posted by Zecatelhado at 12:14 AM | Comments (11)

Tuto B(u)ono

*GolfinhU2

TUTO B(U)ONO


GolfinhU2
zoocard.jpg
Em 1980, só existiram dois discos: “Crocodiles”, dos Echo & The Bunnymen (quem não se lembra do português Pete de Freitas?) e “Boy” dos U2. Em 1987, foi lançado aquele que foi considerado o melhor disco de todos os tempos, "Joshua Tree" dos U2.
Na década de 90, existiram “Nevermind” dos Nirvana; “Mellow Gold” de Beck; “Dookie” dos Greenday; e “Achtung Baby!” e “Zooropa” dos U2.
Nos alvores do novo milénio, surgiu “Kid A” dos Radiohead, e a música nunca mais foi a mesma, o ano passado uma banda punk já referenciada acima, os Greenday, lançaram um álbum conceptual, “American Idiot”, laçando novamente o mote pró-agit para esta década e para os tempos vindouros.
Os U2 nasceram após o massacre punk, mas foram influenciados, e muito, no início, por bandas punk, como por exemplo, os Clash, os Ramones, tinham como ídolo Patti smith e idolatravam David Bowie.
O nome da banda, escolhido após "The Hype", "Feedback"; U2, não foi escolhido ao acaso, foi escolhido para marcar uma posição. Como se sabe U2 é um avião espião norte-americano. Escolheram-no porque estávamos em plena guerra fria.
Na altura da crise dos mísseis de Cuba, um U2 foi abatido sobre os céus da Ex-URSS por míssel terra-ar, coisa que os norte-americanos pensavam nunca ser possível.
E se com esse nome os U2 queriam ser uma banda de intervenção e Punk, nomeadamente como os clash foram; também não foram naifs, escolheram-no para atraír o público norte-americano e conquistar a américa tal como os Beatles tinham feito.
O primeiro contacto real que tive com os "fab four" de Dublin foi em 1982 em Vilar de Mouros, vinham eles fazer a primeira parte dos Stranglers (uma banda punk que adoravam), e que era inserido na promoção do seu disco “Gloria.”
Desse seu concerto, tinha 12 anos, do que me lembro, é da sua energia em palco, das guitarras, dum som que nunca tinha ouvido, excepto em casa no àlbum “Boy” (na altura ouvia Duran Duran e os neo-romantics), e a atitude de Bono em palco.
Bono fez uma coisa que me marcou para o resto da vida, subiu para o alto de uma coluna e saltou para o público.
Desde então sou fã.
A segunda vez (a terceira em Portugal foi a "Popmart Tour") foi na Zooropa Tour, em 15/5/1993.
Nessa ocasião vieram apresentar o seu último trabalho, de então, "Achtung Baby!"
Esse àlbum e o conceito desse concerto tiveram uma história.
Ao longo dos anos 80, os U2 passaram de uma banda culto até ao Live Aid.
Daí foi um salto ao reconhecimento internacional. A partir da participação nesse concerto, abriram-se de par em par as portas dos EUA, por onde se demoraram em longas digressões por estádios cheios até ao duplo àlbum "Ratlle & Hum".
Quando a "Love Town Tour" terminou em Dublin a 31/12/1989 (o muro de Berlim tinha acabado de caír a 9/11/89), os quatro estavam de rastos em termos físicos e emocionais. Larry disse mesmo a Bono que estava cansado de ver os U2 todas as noites como uma jukebox, e que os U2 não eram Bruce Springrsteen, Bruce é que gostava de tocar noite após noite hits.
Nesse concerto houve uma frase enigmática, que na altura ninguém entendeu e que foi dita por Bono: "É tempo de voltar a sonhar o U2". Bono estava a anunciar o fim dos U2.
Foi nestas condições que se reuniram em Berlim no Outono de 1990 nos Hansa Ton Studios. O ambiente era tenso. Bono e Edge queriam gravar um disco mais techno, Adam e Larry não abdicavam do som Rock, directo dos U2.
Havia discussões, chegaram mesmo a existir vias de facto, tudo por causa do passado da banda. Eis que senão, da guitarra de Edge, sai uma melodia, três acordos, Larry passa e pede~lhe para continuar a tocar, junta-se à bateria, pede a Adam para acrescentar o baixo, e Bono que tinha escrito uma letra sobre um amigo que sofria de SIDA e que fora expulso de casa pelo pai. Assim se criou a melhor música de todos os tempos: "One", e os quatro fizeram as pazes.
Depois de alguns meses em Berlim, os U2 regressaram a Dublin onde as canções foram termindadas.
Era evidente que o àlbum seria mais sombrio que todos os outros: a imagem dos irlandeses redentores de toda a Humanidade e que faziam por esta o que os políticos não queriam que tinha ficado bem patente por exemplo em músicas ao vivo como “Bullet the blue sky” (em que criticavam a política externa norte-americana e os tele-evangelistas de então), “Silver and gold” (a crítica contra os países ocidentais em não aplicarem sanções económicas contra o regime do Apartheid na Àfrica do Sul), tornara-se insuportável para os próprios membros dos U2.
O próprio nome do àlbum era uma chamada de atenção à América, e um regresso às origens; Actung Baby!, alemão e inglês, era sinal que os U2 estavam de volta à Europa.
Foi neste cenário, de cansaço da imagem que tinham, e de voltarem novamente à Europa, que nomeadamente Bono criou dois alter-egos: Fly e Macphisto (uma parábola a Mefisto).
Mas também, para criticarem o que se passava na altura na América, a guerra do Golfo, onde tudo era mediatizado, tudo era televisionado, o horror entrava-nos pela casa dentro como se fosse um videogame
E assim surgiu o conceito da ZOOTV que foi criado por Brian Eno: Um gigantesco palco cheio de televisores de todas dimensões onde passavam imagens subliminares, vídeos, imagens de outras estações por satélite, mas funcionando como uma verdadeira televisão. Podia-se sintonizar e ver a Zootv por satélite.
Quando perguntaram a Larry o que poderiam esperar deste espectáculo, respondeu: "TV e Rock`n Roll, não é isso que querem?"
Foi neste cenário, ansioso, confesso, que fui assistir, a 15 de Maio de 1993 a ZooTV em Portugal.
Antes de entrar, dois jovens do Porto perguntaram-me se tinha bilhetes, tinha dois, para mim e para a namorada de então, ofereceram-me 50 contos por cada um. Nem pensar, eram os U2.
Cá fora vendiam-se T-Shirts que variavam entre os 500$00 e os 1.500$00, estas, merchandising oficial da banda, que hoje se vende dentro dos recintos.
Para o Warm Up uma banda de techno chamada Utah Saints (qualquer parecença na pronúncia do nome com U2 é mesmo isso coincidência), não deu para aquecer.
E o show começou. Dois cabeçudos aparecem, um vestido à Edge, e um de cabedal a imitar o Fly, o alter-ego de Bono.
De repente, Lights Off, "Tv, Drug of the nation", dos D.H.O.H, uma música que era o espelho da sociedade de então.
Num tempo em que o mundo era incerto, com o fim do muro de Berlim, com a reorganização da antiga Europa de Leste e da Ex-URSS, com o estado lastimoso com que os aliados tinham deixado o Iraque, e com a indefinição da nova União Europeia, surge a 9ª Sinfonia de Beethoven, o Hino da Alegria. Os U2 queriam deixar uma mensagem de esperança para o mundo, como depois deixaram para a Europa em “Zooropa.”
De repente no ecrã surgem rapazes da juventude hitleriana a tocarem tambores, a fazerem-nos lembrar os nacionalismos que então estavam a surgir na Europa (não, os U2 não tinham deixado as causas para trás, apenas não falavam nelas directamente aos microfone, agora apareciam nos ecrãs para os fãs pensarem nelas enquanto os divertiam com a música)
Veio “ZooStation”, e o Alter-ego Fly de Bono; no ecrã caíam estrelas da bandeira da União Europeia. A música de Achtung Baby! começara, a loucura também. O palco iluminou-se através dos faróis dos trabants pendurados (uma lembrança da antiga Alemanha de Leste, e para nos lembrar o que o capitalismo estava a fazer àquelas economias).
Depois "Fly", que foi uma personagem que Bono criou para ironizar com ele próprio, com os artistas em geral, para dizer as coisas sobre ele que odiara no passado. Quando ele diz, que todo o artista é um canibal, e que todo o poeta é um ladrão, está-se a referir a ele, pois é um devorador de livros, e é a eles que vai buscar as ideias para as canções. Um deles, todos sabemos, é a "Bíblia"
Nessa música, nos ecrãs, frases passavam a uma velocidade que o olho humano não conseguia ler - subliminares-, parando somente em frases chave, como por exemplo, ""Watch more TV!", "Believe", "Silent=Death". mais críticas à sociedade de então.
Eis que chega "Even Better than Real Thing". Bono faz zapping entre vários canais, e chega à RTP 1. Era dia do festival da canção. Ele diz, isto aqui não é Eurovision, isto é Zoorovision. Nos outros concertos ele costumava dizer, vocês não vieram aqui para ver televisão pois não? Mais uma sátira à sociedade mediatizida de então e ao que parece nada mudou desde então.
Depois o primeiro momento de ouro da noite. "ONE". Nos ecrãs, o vídeo de ONE da autoria de David Wojnarowicz, o dos búfalos. O tal que no fim se lançam de um precipício e se suicidiam. Esse vídeo, o mais belo de One, é uma metáfora, representa o pai e o filho da canção de One.
Nos ecrãs, "Smell the flowers while you can", um grito para o problema da SIDA. Ao mesmo tempo “Um” aparecia em todas as línguas existentes.
Passando à frente, "Dirty old Town" interpretada por Larry e anunciada por Bono, como o homem que começou toda esta confusão.
Em "Trying to throw your arms around the world" Bono chama uma jovem ao palco, de seu nome Maria, que por acaso era o seu dia de aniversário e mais de 60.000 pessoas cantaram-lhe o “Parabéns a você”, enquanto Maria bebia um bom Champanhe.
Em "Satellite of love" o dueto com Lou Reed (em Videowall), "live from the moon", como Bono disse.
Chega o momento alto da noite para mim, "Bullet the Blue Sky". Esta é a minha música favorita dos U2, pela música em si, e pelo tema que aborda.
Nesta última digressão, a "Vertigo Tour", os U2, tiraram a carga ideológica, já não cantam a última parte da canção, substituíram-na por "This are the hands that built America."
Aqui, ainda não. A guitarra de Edge soltou os riffles que nos sufocam, nos ecrãs cruzes do KKK a arder. A voz de Bono distorcida. O baixo de Adam melhor que nunca e a marcar a música. Bono vestido de piloto como na letra da canção. No meio desta, solta a frase: “não deixaremos voltar a acontecer”, e as cruzes do KKK transformam-se em cruzes suásticas.
Mais uma alusão ao recrudescimento dos movimentos neonazis na Europa (as causas estavam no ecrã).
No meio o solo de Edge. Depois deste, a entrada da bateria, 60.000 pessoas a baterem palmas, era como ver uma seara de trigo da bancada onde estava. Arrepiava. Os meus 5.500$00 até ali estavam bem gastos. A andrenalina tinha chegado ao ponto máximo.
Os U2 tornaram-se "animais musicais" em palco e sabem como controlar as emoções e depois daquela descarga de energia, "Running to stand Still", uma música calma, e o problema da droga. As causas pelas primeira vez saíam do ecrã, passavam para a música, mas nunca como dantes num sermão.
Depois a brilhante passagem para "Steets", os ecrãs iluminaram-se, apareceram os U2 nas filmagens de Joshua Tree. O que há a dizer de "Streets"? "Streets" é "Streets".
Até ao fim, a nova transformação de Bono em MacPhisto.
Depois de "Desire", e após ter dito que gostou muito de nós porque cantávamos muito bem em Inglês, mas que ele preferia falar em Irlandês (o problema da Irlanda levantado de forma subtil e irónica), eis que liga para uma companhia de táxis lisboeta para o levar dali para fora. Estávamos à espera que ligasse para Mário Soares ou Bill Clinton como costumava fazer.
No fim, os dois momentos românticos (para a minha pessoa), da noite, "Love is blindness" e "Can`t help falling in love with you", de Elvis Presley, com direito a reprise do próprio Elvis.
As luzes acenderam-se e os "fab four" de Dublin partiram de imediato para esta cidade para continuar com as gravações de "Zooropa".
Quanto a mim, dirigi-me a casa da minha namorada de então na Costa da Caparica, cheio de andrenalina devido ao melhor concerto que assisti até então, and the night was "a private show and no one else gonna to know".

Posted by Zecatelhado at 12:13 AM | Comments (25)

Via Láctea

*José Gonçalves

SAUDAVELMENTE FALANDO


Os desafios aceitam-se e sujeitamo-nos às suas vicissitudes, ou recusam-se e
perdemos algo de nós próprios.
Face ao desafio/convite do Zeca.
Aqui fica a minha colaboração.
jgonçalves

VIA LÁCTEA

O entendimento do governo de José Sócrates será de dinamizar os Centros de
Saúde, de reactivar as Unidades de Saúde Familiar, de co-responsabilizar
médicos e enfermeiros na gestão dessas unidades.
Entre outras medidas igualmente em estudo e que na generalidade merecem o nosso aplauso, umas, o beneficio da dúvida outras.
Mas é sobre a primeira, que a preocupação é para já mais premente.
Como levará a boa água ao mau moinho, este Ministro da Saúde, se pretender
continuar a contar com clínicos não dedicados, mais preocupados com as horas
nas clínicas privadas, do que nos centros de Saúde, que não têm pejo em
privilegiar "delegados de propaganda médica", em prejuízo de utentes "quase" sempre carentes de cuidados médicos.

Posted by Zecatelhado at 12:12 AM | Comments (9)

Poesia

*Lique

QUANDO AS PALAVRAS DANÇAM


Poesia
Caminho que as palavras escolhem para se juntar. Sem justificação ou prévia intenção. Expressão de sentimentos, de sensações. Jogo de palavras, até.
Olhando à minha volta, a poesia pode estar em todo o lado. Uma flor, uma pedra. O belo e o feio. Tudo pode despertar uma frase que insiste em fazer-se ouvir. Uma frase que sei ter ligação com outras. E que só me larga quando encontra as palavras que a completam. Nessa obsessão pelo complemento, pela forma, pelo final, o poema instala-se e sussurra-me ao ouvido, como se não fosse possível dizer nem escrever mais nada. Tento fugir dele, agarrar outras palavras, outras ideias. Tudo sai imperfeito. Tudo desagua naquele que está dentro de mim, latente.
Num momento, numa hora inesperada, o poema encontra a forma de se dizer e os versos jorram, encaixam. Lutam um pouco entre si, até encontrarem a forma procurada. E eu escrevo.
Mas nenhum poema me deixa completamente. As palavras parecem mudar, acendem interrogações, sugerem novas ideias e inquietações. Por vezes, outra frase salta. E tudo recomeça.
Poesia. A que leio e a que tento escrever. Aquela sem a qual não vivo. A que acende o sonho ou denuncia a iniquidade. A ideia que se faz palavra e as palavras que são alimento das ideias.

Posted by Zecatelhado at 12:11 AM | Comments (12)

A Volta da Mina – Uma Bolina Histórica

*Luís Bonifácio
BOLINANDO


A Volta da Mina – Uma bolina Histórica


A Volta da Mina, foi iniciada pelos pilotos portugueses em meados do século XV, mais precisamente, ao que parece, em 1444–1445. Trata-se da rota de retorno da Costa da Mina, em arco, pelo largo, contornando os ventos de norte e leste no Atlântico e facilitando assim o regresso a Portugal. Seguindo esta volta, os marinheiros contornavam Cabo Verde a sul e rumavam norte pelo meio do Atlântico, passando a oeste da Madeira e das Canárias e virando para leste apenas perto dos Açores. Esta mesma rota era utilizada na viagem de Lisboa para a Costa da Mina. Para além de ter sido a primeira vez que o homem se aventurou no alto mar durante muitas semanas, apoiando-se unicamente na navegação astronómica sem o apoio do reconhecimento da costa e teve um papel determinante no futuro de Portugal.
Esta rota, como se pode verificar na figura, passa relativamente perto do Brasil, mais concretamente pelos penedos de São Pedro e São Paulo, a 650 milhas náuticas da costa Brasileira.
Existe um hiato, até agora nunca explicado, entre 1487 – Passagem do Cabo por Bartolomeu dias e 1498 - Viagem de Vasco da Gama. Este hiato é muito estranho, pois não se compreende porque é que após ser ultrapassado a última dificuldade antes da Índia, se parou a exploração durante 10 anos.
Temos no entanto de compreender o que se passou entretanto.
Em 1492 Colombo chegou à América – Apesar de os Portugueses, saberem que ele não tinha chegado ao Oriente, A existência da América poderia possibilitar um ponto de apoio para a chegada ao Oriente pelo Oeste. (Não se conhecia nessa altura o que é hoje a América Central, que impossibilitava essa navegação)
Em 1494, assinou-se o tratado de Tordesilhas, A primeira versão deste tratado traçava a linha de demarcação 100 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde, passando ao largo da Costa Brasileira, pouco tempo passado Portugal exigiu que a linha fosse traçada mais para Oeste, passando agora a 370 léguas de Cabo Verde abrangendo toda a costa Brasileira da foz do Amazonas ao Rio da Prata.
Este facto revela que nessa altura a coroa Portuguesa conhecia não só, a localização precisa do Brasil, mas também as características da navegação das suas costa, pelo que o seu descobrimento deve-se ter dado entre 1487e 1490, quando alguma nau se desviou mais para Oeste durante a execução da “Volta da Mina”.
A existência do Brasil, não foi por si só, o motivo desta alteração. À coroa Portuguesa apenas a Índia interessava e era necessário fazer tudo para impedir Espanha de poder lá chegar. O formato da costa brasileira é responsável por um fenómeno marítimo, que condiciona o clima da Europa Ocidental, chamado “Corrente do Golfo”. A enorme massa de água quente gerada no equador (Golfo da Guiné) é empurrada pelos ventos para oeste, até encontrar a costa brasileira. Ao chegar ao Cabo Branco (Paraíba), ponta mais oriental do Brasil, a maior parte da corrente quente flete para norte, atravessando o equador (único local do globo onde a água do hemisfério sul passa para o hemisfério norte) em direcção ao mar dos sargaços, ao encontrar a corrente polar da costa americana, a corrente do Golfo atravessa o atlântico e banha as costas da Europa até à extremidade norte da Noruega.
Esta corrente é bastante forte e por esse motivo é muito difícil a navegação costeira à vela entre a foz do rio amazonas e o rio da prata, obrigando a navegação em alto mar. A impossibilidade de a Espanha ter bases de apoio tanto na costa Brasileira como na costa Africana vedava, tecnicamente falando, o seu acesso à Índia.
É difícil provar o que acima afirmo, a maior parte dos registos secretos da época das descobertas foram destruídos pelo Terramoto de 1755, ao contrário dos registos Espanhóis, onde toda e qualquer investigação sobre esta época se apoia, que se encontram preservados a quase 100%.

Posted by Zecatelhado at 12:10 AM | Comments (13)

Ó Menina, é Para o Jornal? Vamos lá Aparecer?

*Manuela
PORTO MEU


Ó menina, é para o jornal? Vamos lá aparecer?

Deixei-me perder pelas margens do Douro.
Hoje como ontem. E amanhã também, quem sabe...
Sem o querer, tornam-se intimas.
Não faço ideia se vou tirar uma única fotografia, mas carrego a máquina fotográfica como se fosse um pincel ou um lápis.
As manhãs são-me terrivelmente sedutoras. O ar fresco envolve e traz o cheiro a maresia. Deixo-o tomar-me.
As cores encantam-me, coadas pela luz suave. Respiro fundo, para saborear, e deixo-me ir.
Há muitas gaivotas. Sempre. Quando está Sol, preguiçam. Se está vento, é uma canseira! Brincam voando numa dança sem fim.
Também há as garças. Imóveis, esperam que um peixe distraído passe por perto para se banquetearem.
Mais adiante está o lavadouro público. Há sempre uma mulher lavando ou estendendo roupa nas teias de cordel junto ao passeio.
E os barcos, serenos, no meio do rio. De regresso estão as traineiras da Afurada, perseguidas por bandos de passarada atrás de um manjar fácil. Em terra estão outros, os que precisam de atenção especial para tratar maleitas do uso e não se converterem em cascos esqueléticos a apodrecer dentro de água.
Umas orelhas saltitantes passam a correr por mim. De repente estaca, ofegante, e olha para trás em busca do dono. Companheiros de andar cadenciado passam em conversas sem fim. Uma fila de bicicletas ultrapassa a menina que corre. Também há os que preferem o exercício da mente, e se deliciam com um livro, sentados num banco.
Olho aqui e ali. Sento-me no chão para colher uma imagem, ou subo a um banco para conseguir “apanhar” o que quero. Ajoelho-me. Troco lentes. Espero que a gaivota levante voo. Disparo. E sigo absorta nos meus pensamentos e nas imagens.
Sinto-me observada. Sorrio de volta.
- Ó menina, é para o jornal? Vamos lá aparecer?

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Expresso

*Maria
INSTANTES


Expresso

Devia ser da responsabilidade, só podia ser da responsabilidade, esse nervoso miudinho que a tinha tomado de assalto.
Não que ela não tivesse já alguma experiência, já servia cafés, atrás daquele balcão, discreto e alto, há algum tempo, mas agora era diferente, o estabelecimento tinha amplas janelas para a rua, mais clientes, mais visibilidade.
No seu café, a penumbra protegia-a. Os clientes eram habituais, já se tinham estabelecido cumplicidades, jogos de olhar que substituíam longas conversas, pedidos ou agradecimentos destilados num único gesto.
Passar a trabalhar num novo café seria diferente, novas caras, novas exigências, novas personalidades, novas solicitações às quais era necessário responder.
Teria ainda de abandonar o conforto e a omissão de um balcão demasiado alto para a sua pequena estatura. Teria agora de circular entre as mesas, estar atenta, olhar os clientes nos olhos, ser chamada por eles, quem sabe, até ser apelidada de “dona”!
Entrou um cliente, o primeiro, que se sentou numa mesa próxima da entrada, o que a obrigava a ela a percorrer todo o espaço, a deixar a sombra protectora e a receber a luz do sol da manhã filtrada pelas janelas. Ajeitou a saia e fez-se ao caminho, quilómetros que eram, porque assim lhe pareciam.

“Bom dia, o que deseja?”
“Um Expresso.”

Tirou um café, e um segundo logo de seguida. Olhou para os dois, comparou o creme que se acumulava na superfície e escolheu o primeiro. Colocou no pires um pau de canela e um pequeno bago de café e chocolate.
Pousou-o tremulamente sobre a mesa, e mesmo sem deixar que a chávena se aproximasse dos lábios, perguntou ansiosamente:

-Como está?

Posted by Zecatelhado at 12:08 AM | Comments (12)

A crise da Direita (e como resolvê-la)

*Paulo Querido
ARROBAS


A crise da Direita (e como resolvê-la)

Usem a palavra que usarem, a que melhor descreve o estado actual (e futuro) da Direita portuguesa é a palavra crise. Uma crise profunda e que não é fácil ruminar. A crise radica num desajuste da realidade. O pior problema da Direita portuguesa é apenas e somente ter de se habituar, 30 anos depois, à Democracia. Enquanto o não fizer, enquanto continuar a travestir de "democracia" a sua autocracia, a Direita -- ou melhor: as direitas -- continuará a penar.
À excepção de um curto período, que começa com o PREC e acaba na morte de Sá Carneiro, em que os dois principais partidos da Direita se viram forçados, tal era a confusão e gritaria geral nas ruas, a exercícios democráticos, não mais PSD e PP se deram ao luxo de contrariar a sua natureza: estruturas musculadas com a única finalidade de evitar que o Poder político caisse no homem da rua. (Aliás, é legítimo especular que foi essa evidência de musculação centralizante a responsável por atrair ao PSD, como moscas, gentes oriundas do "socialismo" de tiranetes à esquerda da Esquerda democrática.)
Ora, acabou por acontecer à Direita o que era manifestamente previsível. Caiu do poder precisamente na altura em que os seus dois comandatori eram homens fracos. Vazios de autoridade e de poder pessoal. (Ao contrário do que julgou Paulo Portas, a autoridade não é um fato que se veste e uma máscara que se põe.)
O CDS está a braços com uma crise ainda pior, uma crise de identidade agravada a que se junta a absoluta orfandade de líderes e o rigoroso vazio de ideias. Os partidos mais pequenos andam ainda a acotovelar-se no espaço mediático. Resta ao país da Direita que pensa no Poder apontar para o PSD.
O PSD não sabe exercer política em oposição. O que é compreensível: raramente teve oportunidade de praticar ao longo de 30 anos. Os seus quadros têm a mais fácil das noções de comando: o comando no Poder, o comando com todos os meios à disposição. Obter esse estatuto, limpo e entregue na forma de um Governo, é uma tarefa em grande medida desconhecida por aquelas bandas. O Poder transmitia-se das mãos de um líder para as do seguinte.
O PSD está longe, muito longe da chamada "sociedade civil". É, hoje, um partido sem reconhecimento fora das suas bases, ou clientelas, naturais. As suas cúpulas na capital assustam o que resta do país rural, que foi um dos seus sustentáculos eleitorais. Os seus desastres regionais e autárquicos minaram a credibilidade junto do eleitor médio urbano. Exceptuando os oportunistas que vêm no partido uma escada para o emprego, os jovens não conseguem emocionalmente aderir a um partido de imagem gasta, demasiado piquenicão e pouco ou nada concerto. Isto para não mencionar a ausência de respiração cultural que o partido continua a evidenciar, apesar de tão repetida essa sua lacuna. Partido de alguns homens cultos, partido com atroz imagem de incultura: um paradoxo sem solução?
O PSD só voltará ao Poder por uma de duas vias. A primeira é aparentemente a possível, quando olhamos para o Congresso do PSD que se aproxima. Tentar colocar o partido na senda democrática. A segunda está fora de questão: não tem um putativo comandante das tropas. O último que parecia capaz de continuar a saga autocrática fugiu, revelando-se afinal um completo bluff. Sempre suspeitei que Durão Barroso não tinha estrutura e vocação para encarnar o pai tutelar de que o PSD (e o seu eleitorado) precisa para dar um sentido à sua vida -- e estender a mão à mesada do Estado.
Porém, a primeira tem uma desvantagem: só chegará ao Poder numa estratégia de médio ou longo prazo. O PSD correrá o risco, diminuto mas existente ainda assim (sendo isto tão novidade no partido quanto a ausência de um pai), de as suas franjas se virem a encantar por alguma das forças liberais saídas nos dois últimos anos do novo espaço de pensamento democrático que são os blogues, entretanto a organizarem-se em partidos.
A segunda não tem espaço de germinação. Os barões, essa reserva de massa cinzenta do partido, também fugiram da actividade partidária, engordaram na vida civil e é claro que não deixaram prole: uma figura tutelar basta-se a si própria, um líder não forma discípulos (forma seguidistas). Está provado que eram barões sem exércitos, apenas séquitos. O homem que vem de Londres não tem o calo político necessário e pronto foi metido na ordem pela casta de aparelhistas. Fora do aparelho restam ao PSD uma, duas figuras boas no mister de zurzir inimigos e aparar os excessos internos, demasiado aburguesadas para agora virem desperdiçar anos de vida numa empreitada espinhosa e de final incerto.
Portanto, o país da Direita que anseia pelo Poder tem um problema. Não se vê como pode o PSD querer ser governo no lugar do governo. Simplesmente, não tem gente.
A resolução deste bico de obra não é fácil, claro. Talvez a direita devesse olhar para o que se passou com a Esquerda nos últimos anos, em que passou a sua crise. Da qual saiu com uma pujança tão forte que... conquistou a sua maior maioria das últimas décadas.
Por exemplo, o PS. Em pouco mais de um ano, graças aos seus (bons) hábitos democráticos, renasceu e antes e durante o seu Congresso revitalizou o seu tecido através do amplo (até acalorado) debate de ideias, choque de personalidades e luta de tendências. E no entanto o PS vinha de um processo semelhante ao do PSD: desacreditado por uma liderança frágil que falhou na governação, estava ausente da sociedade civil; estava compartimentado pelo PSD ao centro e pelo crescimento do BE à esquerda. Não parecia ter, ou não tinha, nenhum candidato com impacto na opinião pública. Porém, o amplo debate ideológico entre três-candidados-três ao Congresso despertou um interesse mediático suficiente para levar a carta à opinião pública. Quando do Congresso emergiu José Sócrates, o partido estava renascido e a sua credibilidade praticamente reposta. É certo que beneficiou logo de seguida dos erros do adversário, mas foi um mero empurão: era uma questão de tempo até Sócrates se apresentar à altura da governação perante o eleitorado.
Os outros partidos e grupos podem também olhar o exemplo dos seus “correspondentes” do outro lado do espectro partidário.
O PP deverá rever-se no PCP: um eleitorado a morrer de velho, uma doutrina fechada à modernidade, um aparelho sem nenhum rosto conhecido e credível. O PCP estava moribundo. Afinal, a solução andava por lá: um novo secretário geral capaz de, pragmaticamente, centrar o discurso doutrinal no aspectos práticos da sociedade contemporânea, de forma a fazer-se ouvir junto do eleitorado. O efeito de arrastamento da mudança fez o resto.
O Partido Liberal pode vir a ter ao Centro-direita um papel semelhante ao do BE à Esquerda: ser o fiel da balança da modernidade discursiva ideológica (no caso, o liberalismo puro, económico e social). Ao contrário do BE, não parte de uma reunião de mini-partidos organizados como tal. Mas não nos iludamos, há ao centro gente que não se revê na representação do PSD (e até do PS, ala centrista), muito menos do PP. Há adubo social suficiente para deitar as raízes. O resto: uma estratégia de crescimento a dez anos, alicerçada numa preocupação fundamental em estar onde estão as pessoas (as sua pessoas) tirando partido das novas formas comunicacionais e da leveza da sua estrutura descentralizada para conquistar admiração.
Os ciclos são o que são. Ao contrário do que se passou grosso modo na Europa (e até nos EUA) a Direita portuguesa está programaticamente atrasada e funcionalmente desajustada. Fruto de demasiados anos alapada ao Poder, durante os quais “engordou” à sombra do Estado, “cozendo-se” com ele. A travessia do deserto é sempre boa para perder as gorduras e renovar os tecidos, repôr a elasticidade dos músculos. É do que a Direita precisa.

Posted by Zecatelhado at 12:07 AM | Comments (9)

Eles Que se Federem

*Pedro Guedes
OUTRAS MARGENS


Eles que se federem

Segundo rezam as últimas crónicas e passados os primeiros receios – que vão regressar mais cedo do que se julga - o arco constitucional entendeu levar a votos a sinistra constituição europeia. Mais: entendeu assim e por fim (admitindo que até lá não se arrepende…) dar oportunidade aos portugueses de se pronunciarem sobre a “construção europeia”, essa frase feita muito em uso e que serve essencialmente para caracterizar os avanços federalistas e de um super-Estado europeu que nos querem a todo o custo servir sem que nunca o tenhamos pedido.
Pessoalmente, a ideia de referendar a independência nacional parece-me inacreditável, mas como os tempos estão para baixas expectativas, do mal o menos, que o objecto da consulta é assunto demasiado sério para ficar unicamente às mãos dos nossos digníssimos parlamentares. Vamos pois – todos os que suspeitamos da bondade do articulado – tratar de meter mãos à obra e preparar o caminho.
De início, importa dizer que somos muitos mais do que se pensa e provenientes das mais diversas correntes e sensibilidades. Ainda agora por terras de França, onde as sondagens estão à beirinha de provocar um enfarte à camarilha de Bruxelas, se vislumbram apoios ao “não” que vão da extrema-esquerda mais feroz aos nacionalistas de Le Pen, passando pelo PS, pelos monárquicos e pelas direitas mais sistémicas. O argumentário ainda é mais vasto: desde a recusa da entrada da Turquia na UE até aos que entendem que o tratado é muito liberal e nada social, há mil e uma razões para todos os gostos. E como nestas coisas um pouco de pragmatismo não fará mal a ninguém, recordemos o que bem dizia na passada semana Miguel Freitas da Costa, no Diário de Notícias: “todos os argumentos são bons”.
É evidente que o caminho será difícil e virá cheio de acidentes de percurso, que nestas coisas de referendos é sabido que não basta votar; é preciso votar bem, por forma a que o dever cívico seja merecedor do beneplácito do sistema. Não sendo assim nada feito, que esta coisa dos referendos está pensada para alunos aplicados. O que digo não constitui aliás facto novo: temos por cá o exemplo do aborto, onde o resultado – posto que não foi o desejado – parece que afinal não valeu. E a marosca também é conhecida lá fora. Recordem-se que aqui há uns anos, os dinamarqueses entenderam mandar Maastricht à fava. Pois que não podia ser, remataram os tecnocratas europeus. E assim foi. Por cansaço, lá acabou por passar a encomenda. Já sabemos que a vida é assim, mas nem por isso devemos desanimar. No fim, até pode bem ser que não sejamos chamados a votar uma aberração que entretanto franceses e ingleses já tenham mandado aquela parte. Nesse caso, tanto melhor.

Posted by Zecatelhado at 12:06 AM | Comments (11)

Na Minha Primeira Colaboração é Importante Esta Revelação

*Raúl
ESTENDAL DE LETRAS


Na minha primeira colaboração é importante esta revelação

O António, para mim e outros amigos que tiveram o prazer de o conhecer
pessoalmente,mas mais conhecido no universo blogosférico pelo Zecatelhado,
lançou-se num projecto cujo figurino é semelhante ao de um semanário dos que se vão publicando na nossa praça. Resolveu convidar para o seu corpo “editorial”, para além da minha pessoa, vários outros amigos, que também eles possuindo os seus próprios blogues irão emprestar uma colaboração semanal igual à minha.
Estes amigos apostam numa qualidade de abordagem nos seus blogues, absolutamente invejável, o que me leva a recear não ser capaz de ombrear com eles nos trabalhos com que nos irão brindar semanalmente. Irei pois fazer todos os possíveis, primeiro para não desmerecer a confiança que o António depositou na minha pessoa, mas sobretudo para não desiludir quem quer que seja dos que procurem o “Café Expresso”, como um espaço de visita obrigatória, tal como fazem os leitores de um qualquer semanário que não dispensam a sua leitura. Nesta minha primeira colaboração quero apenas, para terminar, deixar expresso que desejo ao querido amigo António votos para que este projecto seja coroado do êxito que ele idealizou para o mesmo.

Posted by Zecatelhado at 12:05 AM | Comments (14)

Telhados de Vidro

*Teacher
SECUNDÁRIO E COMPLEMENTAR


Telhados de vidro

Ir ao Google, teclar ‘escola secundária’ e visitar algumas páginas de escola, é receita para acalmar o espírito do cidadão, ou nem por isso: há páginas pobres e páginas ricas; actualizadas ou recheadas de ‘novidades’ com 3 , 4 anos. Páginas bem organizadas, ou tudo ao molhe e fé em Deus. Telhados de vidro a deixar ver a realidade do ensino, o Projecto Educativo da escola.
Grande parte das ES contam a sua história de mais de cem anos de modo muito semelhante. E, se umas parecem paradas no tempo, a maioria tem convivido lindamente com as múltiplas reformas do ensino por que passaram.
A democratização do ensino empanturrou as ES, que rebentavam pelas costuras nos anos 80. A seguir, a construção mal planeada de novas escolas acelerou o processo de esvaziamento das antigas, que perde(ra)m alunos e recursos essenciais ao seu bom funcionamento. Como não têm autonomia para gerir necessidades específicas , apenas recebem coisas , às vezes perfeitamente inúteis. Mandam-lhes cadeiras e mesas, mas recusam-se a deixar actualizar o programa de informatização da biblioteca. É pelo menos o que nos dizem os Conselhos Executivos.
Talvez fosse urgente mudar esta maneira de agir. Exigir às escolas responsabilidade e reconhecer que o mérito não se mede (só) pelos resultados dos exames.
Escola Secundária Bocage
Escola Secundária Marquês de Pombal

Posted by Zecatelhado at 12:04 AM | Comments (13)

Em Crescendo

* Thita
EM CRESCENDO


“Sinto que o título do espaço que me destinaram no Café-Expresso, e ainda melhor acompanhado por um não menos expressivo subtítulo, super motiva.
Sobretudo, depois de pensar que serei alvo duma muito justificada pergunta: “Mas quem é esta miúda, misturada aqui com a gente?”
Em princípio até me provocou um nervoso miudinho quando comecei a escrever esta crónica, chamemos-lhe assim, e fez-me repensar se devia continuar ou não. Mas isto é mesmo assim, e não há que ter medo de seguir em frente. Muito menos, se tivesse que faltar à palavra dada ao “Tio” Zé do Telhado. Seja o que Deus quiser, foi a minha opção.

Então é assim:
Acompanhando o raciocínio do subtítulo - Um olhar de criança sobre o mundo - chego à conclusão de que o mundo visto pelos nossos olhos é diferente. Os meus onze anitos, quase doze, hihi…( isto é of the record), dizem porquê:
Sendo igualmente redondo, o nosso mundo tem cores diferentes e distintas. Mais vivas e com menos sombreados, partindo do princípio de que somos, à partida, menos pessimistas e acreditamos à primeira nas coisas que nos parecem bem.
Além disso, temos a excepcional qualidade de podermos brincar por tudo e por nada, o sabor de rir de tudo e de todos, a sorte espectacular de nos pagarem as coisas e sermos livres de dizer os maiores disparates sem que a pena atribuída seja muito pesada.
Por outro lado, há quem nos trate nas palminhas das mãos e nos julgue por gente pura como os charutos de Havana. O que às vezes não é verdade. Eu explico o atrevimento:
Gostamos de ter o nosso próprio espaço, temos ciúmes do que é nosso e não somos tão tolerantes com o próximo como os adultos. Desconfiamos de muitas coisas que, para nós, fazem sentido e tememos coisas do Arco-da-Velha.
Eu pelo menos, tenho medo do escuro e das injecções com agulhas muito grandes. Não acredito em Príncipes Encantados e desconfio dos que falam demais, dos dentistas e da esmola quando é grande. Mas numa coisa se pode ter a certeza: somos meigas e reconhecemos uma pessoa amiga a dois ou três quilómetros de distância. Basta saber levar-nos…

Beijinhos a todos.”

Posted by Zecatelhado at 12:03 AM | Comments (13)

"BOA NOITE, MENOS PR'Ó VIOLA"

*Valéria Mendez
FADO FALADO


"BOA NOITE, MENOS PR'Ó VIOLA"

Rezam as narrativas dos Antigos, que a sala do Café Luso, estava nessa noite, especialmente cheia. Muito longe, daquela " Lisboa d' outras eras ", delineavam--se os mais maquiavélicos planos, que algum dia, um homem, poderá ter idealizado. "Desenhava-se" Auschwitz, planeava-se morte.
Em Lisboa, cidade das sete colinas, os locais misturavam-se com os fugitivos de Hitler; principes, duques e judeus, carregando algum do ouro, que tinham tido possibilidade de transportar até à extrema ponta da Europa, não fôra o Diabo Alemão tecê-las. As Capelas do Fado, eram então, palco de encontros fortuitos, romances imprevistos, mesa de planificação duma fuga pr'ás Américas, ou simplesmente, um desopilar de espírito, com uma musica estranha, quase sem cartão de identidade.

" Perguntam-me pl'o Fado, eu o conheci,
era um ébrio, um vádio, que andava na Mouraria...
talvez ainda mais magro que um cão galgo
a dizer que era fidalgo, por andar com a fidalguia..."

Assim o cantava o "Britinho", FREDERICO DE BRITO , grande estilista e
criador do Fado, que rematava assim,com intuição certeira, a sua concepção
da origem, daquela viciante e estranha musica:

"Pois eu;
Sei bem onde ele nasceu,
que não passou dum plebeu,
sempre a puxar pl'a vaidade.
Sei mais;
sei que o Fado é um dos tais,
que não conheceu os pais,
nem tem certidão de idade."

As luzes da Sala escureceram. Aos poucos, o silêncio tomou lugar ao burburinho multilingue. Ali, não se ouviam as bombas a cair algures na Europa. Todos estavam a salvo. E a musica que os embalava, chamava-se Fado.
As primeiras notas duma guitarra estranha, fizeram-se ouvir. Era como que um lamento. Mas, tinha um não sei quê de amparo de mãe.
Uma mulher, aproxima-se dos guitarristas, envolta num xaile, que não era preto, mas branco côr da neve, feito todo em " carochê ", como dizia a ti Ana, que os fazia pr'ás fadistas. A sua voz cálida e grave, começou:

"O amante não aparecera,
Triste Severa, sempre fiel,
Chamou a Tia Macheta,
velha alcoveta, pr'a saber dele.
A Velha, pegou nas cartas
sebentas, fartas de mãos tão sujas,
e antes de as embaralhar
pôs-se a grasnar, como as corujas..."


(Linhares Barbosa)

Era BERTA CARDOSO , a bruxa do Fado, que assim cantava os desamores da Severa do final do outro século, cuja memória 'inda era clara, no "ghetto" fadista. Terminado o Fado, muito aplaudido, a ti Berta lá se esgueirou, qual velha bruxa, para uma mesa dum canto escuro da sala, sentou-se, benzeu-se com a mâo direita, e emborcou um copo de tinto.
Da mesma mesa, levantou-se um homem baixo, de meia idade, de lenço ao pescoço, cigarro ao canto da boca.
Chegado ao pequeno palco, o homem olhou fixamente os guitarristas e os olhos que o vigiavam na escuridão.
" BOA NOUTE, MENOS PR'Ó VIOLA !", cumprimentava assim o fadista. Parece que tinha discutido uns "tempos" ou "compassos", com o viola, e tinham entrado em desacordo. Afinal a autoria da musica, pertencia-lhe . E vinha agora, aquele marmanjo do viola, a ditar sentenças...


"Naquela casa de esquina,
mora a Senhora do Monte
e a Providência Divina,
mora ali, quase defronte.
Por fazer bem à desgraça,
deu-lhe a desgraça também
e aquela Divina Graça
que Nossa Senhora tem..."

Eram uns versos simples e lindos, do poeta Gabriel de 0liveira. Aquela musica assentava-lhe, como uma luva. Terminado o Fado, o publico, consciente que estava perante um caso sério da Arte do Fado, não lhe negou um sentido aplauso. Por entre obrigados, e já acendendo novo cigarro, ao dirigir-se para a mesinha do canto, alguém da plateia gritou : " BRAVO ALFREDO !!! VIVA O FADISTA !!! ABAIXO O MARCENEIRO!!!"
E dizem os Antigos, que a partir desse dia, o fadista de nome ALFREDO DUARTE, marceneiro de profissão, passou a ser conhecido por ALFREDO MARCENEIRO.

Posted by Zecatelhado at 12:02 AM | Comments (14)

Pensamentos Domésticos

*Vi e Cócó
MONÓLOGOS COM CRISTA


Pensamentos domésticos

Anda uma mulher quase duas semanas a "escrever na cabeça" dúzias de redacções lindas e cheias de tchã, que aquilo tudo junto e publicado em livro ainda era candidato a um Prémio Camões – pelo menos - e vai-se a ver, na hora de atacar o teclado varreu-se-me tudo!...
Tantas conversas cultas e inteligentes com o Cocó, verdadeiras tertúlias intelectuais cheias de "conteúdo de qualidade" (seja lá isso o que for), e tudo o vento da desmemoriação levou. Sim, que a minha cozinha mais parecia uma Brasileira do Chiado nos tempos em que por lá paravam os altos vultos da literatura e da cultura: o Cocó e eu trocando ideias de alto nível sobre a cultura, a literatura, a ciência – e até uns pozes de religião e inzoterismo, com a morte do Papa, e a numerologia do treze e as medidas da Grande Pirâmide de Gizé – entre o lavar da loiça do almoço e o cozer da sopa para o jantar, e tudo a panela de pressão cozeu, tudo a varinha mágica da falta de memória triturou, trucidou, reduziu a pó, cinza e nada! Nem a Dona Bárbara Guimarães e seus ilustres convidados têm conversas tão ricas e enriquecedoras!!!
É triste, meus amigos leitores, o avançar da idade e o recuar da memória. Esta luta parecida com a que a praia trava duas vezes por dia com o mar, mas que sempre acaba empatada: quando um avança a outra recua, e passadas doze horas acontece a mesma coisa – mas ao contrário... No caso da idade e da memória, é sempre a primeira que avança e a segunda que recua (menos nos homens, que esses, coitados, também vêem recuar o cabelo enquanto a testa avança, avança....). Esta reflexão podia levar-nos ao assunto "capachinhos", mas estou quase deprimida com esta contrariedade, este percalço, e não me apetece entrar a fundo no tema capilar.
Contrariedade ainda por cima mais grave no primeiro dia do novo emprego, mesmo no início de uma nova carreira, e sobretudo, tendo por patrão pessoa de tão alto nível e que me merece tanta consideração e estima como o nosso tão querido Senhor Zeca Telhado, e por colegas alguma da nata dos habitantes do Bairro Weblog.com.pt. Grrrrrr!
Resta-me esperar e desejar que este obstáculo venha a dar razão àquela frase antiga que diz que "O Espanhol não quer bom princípio". E também passar despercebida no meio das redacções dos colegas de "Café", que aposto que têm todos assuntos palpitantes, pertinentes, entusiasmantes – e redigidos de forma inteligente e culta, ao contrário deste par de cérebros em que um é completamente galináceo de nascença e o outro para lá caminha.
Vale-nos a bondade do nosso Chefe das Redacções, que sabe acolher, e entender e valorizar, esta forma simples de pensar e escrever de uma simples mulher do povo apoiada apenas pelo seu galo de estimação.
Desde já aqui afirmamos que nos empenharemos a fundo, comprando amanhã mesmo um caderno destinado exclusivamente a registar pequenos apontamentos do nosso quotidiano diálogo – futuras sementes inspiradoras para redacções que acompanhem, embora de longe, o brilho das que constituem todo o restante desta primeira edição daquele que virá a ser uma referência na blogosfera nacional, quiçá mundial: o Café Expresso.
Saudações crónicas da Vi & Cocó

Posted by Zecatelhado at 12:01 AM | Comments (11)

Poesia Orgasmo

*Wind
O ESPELHO DAS PALAVRAS


Olá amigos:

Este pequeno espaço será dedicado, como diz o título, à poesia e aos poetas portugueses.
Vamos valorizar o que é nosso e que muitas vezes passa despercebido.
Durante as próximas semanas tentarei trazer aqui poemas e pequenas biografias dos seus autores.
Mas nada melhor do que Ary dos Santos para vos dizer o que é um poema.

Poesia orgasmo

De silabas de letras de fonemas
se faz a escrita. Não se faz um verso.
Tem de correr no corpo dos poemas
o sangue das artérias do universo.

Cada palavra há-de ser um grito.
Um murmúrio um gemido uma erecção
que transporte do humano ao infinito
a dor o fogo a flor a vibração.
A poesia é de mel ou de cicuta?
Quando um poeta se interroga e escuta
ouve ternura luta espanto ou espasmo?
Ouve como quiser seja o que for
fazer poemas é escrever amor
a poesia o que tem de ser é orgasmo.

Posted by Zecatelhado at 12:00 AM | Comments (8)

abril 08, 2005

- O Futuro Espaço do "Velho" Tadechuva Vai Ser Isto...


Olá Amigos, companheiros e Camaradas!
Lá em cima, em rodapé, está uma explicação completa do que vai acontecer neste espaço a partir do próximo dia 9 de Abril.
Faltam ensaiar uns pequenos por(maiores)menores para que tudo corra conforme este vosso amigo espera.
Esta vai mesmo ser uma experiência ÚNICA na blogosfera portuguesa e estou francamente "em pulgas" para que arranque.
Já repararam com toda a certeza no riquíssimo leque de "ciber/jornalistas" que fazem parte desta empreitada. Óbviamente que gostaria de contar com muitos outros igualmente magníficos, mas como percebem, isso não seria viável para já; Quem sabe num futuro próximo?
E agora vou aqui fazer mais umas afinaçõezitas, o que vos confesso, me está a proporcionar um "gôzo do caraças".
Façam o favor de ir já começando a mandar uns "bitaites"aí em baixo!
Inté...
Aquele Abração do
Zecatelhado


Posted by Zecatelhado at 11:58 AM | Comments (33)