fevereiro 26, 2006

ABC DOS DIAS

* Zecatelhado

Cantemos Todos

Esta é a selecção que fiz esta semana nos blogues que mais visito. Muitos outros podiam (e deviam) estar aqui, mas como compreendem, não há espaço e tempo para mais.
Também esta semana passou mais um aniversário da morte de José Afonso, o "Zeca". Associando-me à "corrente" blogosférica, cooperei de corpo e alma na memória desse vulto gigante da VIDA portuguesa do século XX. É esse texto que deixo aqui hoje. Tenham umas boas "curtas" mas saborosas ´mini-férias de Carnaval, que aqui este vosso amigo vai passar a quadra NA MADEIRA!?... Calma, não é a ilha do Alberto João, é na minha casinha, que como tem chão de soalho flutuante, possso dizer que... eh,eh,eh!
Zecatelhado


* Para Sempre JOSÉ AFONSO, o "Zeca"
...Associando-me (claro!) à feliz iniciativa dos companheiros do Troll Urbano e em especial pela Isabel Faria, CANTEMOS TODOS o Zeca.
A ler igualmente o excelente documento da Comadre Vi no não menos excelente " A Internet Para as Domésticas JÁ!´, está lá TUDO dito, o que eu gostaria de dizer, inclusivé o completo programa das "festas" que se vão realizar em Guimarães.

Posted by Zecatelhado at 12:27 PM | Comments (34) | TrackBack

OLHA A SOPINHA!

* Firmino Mendes

Pensar


Apetecia-me escrever sobre dez temas nefastos que nos perturbam os dias. São más notícias a mais, vindas de fora ou de dentro. Para não cansar nem desencantar, fixemos algumas apenas:

1. A doença da Saúde em Portugal, com o anúncio de que os doentes deverão pagar mais. Não é só a Contituição que é metida na gaveta, é o desrespeito pelo sofrimento dos outros. Querem que se pague? Mudem a Constituição, essa floresta de enganos na Saúde e na Educação, e aumentem os impostos. Que quem trabalha, pague enquanto pode; que não se peça para pagar quando está doente, fragilizado, com maiores necessidades. Compreender isto é o mínimo exigível para quem se diz socialista. O resto é paleio de meia tigela. Todos mentem e enganam. Agora, até o ministro Correia de Campos. Afinal, já não há honestidade nem coerência. Lembram-se do consulado da dupla Santana Lopes-Paulo Portas de péssima memória? Queriam o mesmo. O PS revoltou-se. Afinal, a sede de poder corrói a verticalidade.

2. Os 'boys' e 'girls' do José Sócrates são outra picadela no coração. Então não é que o governo lutador contra o nepotismo se dá ao luxo de nomear 2148 pessoas, só num ano, sendo a maioria das nomeações nas Finanças e na Saúde? E não é que o primeiro-ministro tem 15 secretárias pessoais, 18 assessores e 13 adjuntos? Esta "chuva de boys", como titulou "O Independente" (17.02.2006), significa contenção nas despesas, sacrifício nacional ou mais um fartar-vilanagem de que o consulado da dupla Santana-Portas deu vergonhoso exemplo?

3. Já agora, a vergonha de Guantánamo, a arrogância de Bush perante a ONU, a revelação de mais documentos que provam a tortura sistemática que os presumíveis 'exportadores da democracia' vão praticando. Uma infâmia.
"Na prática, a propósito de Abu Ghraib e de Guantánamo, o que mudou no Iraque e nas praxes ilegais da criminosa e perigosa Administração americana? Nada. Fechou-se Abu Ghraib e abriu-se outra logo ali ao lado, e o secretismo, se possível, tornou-se maior, como é característico das espécies acossadas.", escreve Clara Ferreira Alves, no Diário Digital de hoje.

As outras 7 mágoas ficam para mais tarde, não vá o leitor ficar doente e precisar de cuidados de Saúde. Para pior já basta assim.

Posted by Zecatelhado at 12:25 PM | Comments (21) | TrackBack

SOCIALMENTE INCORRECTO

* Biranta

Homenagens!

Circulando pelos blogs apercebi-me de que faz hoje anos que morreu Zeca Afonso! Zeca Afonso tinha um dom… e terá SEMPRE um lugar especial na nossa auto-estima colectiva. Será sempre um ícone!
Herói? Não sei! Não sei se há heroísmo em se ser como se é, em as pessoas se assumirem plenamente, como pessoas, em recusarem ser peças duma engrenagem maldita. É que, se considerarmos isso “heroísmo” abrimos a porta para que se considere normal, “aceitável”, socialmente tolerável, a cobardia, a subserviência, o niilismo...
Há por aí muita gente “esperta” e oportunista (mais esperta do que os outros) que chula “a compreensão” a contemporização colectiva das pessoas, a democracia, mas que nas situações limite, acham que estão primeiro, são mais importantes, têm mais direitos… até porque são pessoas “civilizadas” que nunca tiveram problemas com “a sociedade”, nem com a justiça, nem… Problemas? Denúncias? Lutas? Os outros que lutem… e arquem com as consequências, que é para “eles” poderem continuar a ser “civilizados”, com mais direitos, portanto…
Isto tudo porque a grande dúvida que me assalta hoje é:
COMO É QUE SE HOMENAGEAM OS HERÓIS???
Ou, melhor dizendo: Como é que os heróis quererão ser homenageados?
E a resposta que me aparece, límpida, clara, inequívoca, é: Os heróis homenageiam-se SEGURANDO A BANDEIRA, levantando-a bem alto, não a deixando cair, prosseguindo a luta, VENCENDO a luta!
Hoje em dia, usam-se as homenagens aos heróis que já passaram, como forma de os derrotar. Do que a “classe dominante gosta é de “heróis que já morreram”. Esses é que são os heróis bons, aqueles que devemos seguir.
MAS, os heróis do passado não vão resolver os nossos problemas de hoje, não podem, não devem e certamente não querem, conduzir e liderar as lutas de hoje. Para vencer as lutas de hoje, é necessário “encontrar” os heróis de hoje, encontrar os caminhos para a vitória, de hoje…
Mas, afinal, isto é apenas a minha opinião (se eu fosse herói era assim que quereria as homenagens); porque os heróis lutam por alguma coisa e o que querem, mesmo, é VENCER a luta, não se terem esforçado em vão, não serem vencidos pelos “amigos” e sua passividade (porque os inimigos não podem vencê-los).

Os heróis não morrem! Apenas são substituídos, periodicamente, como convém às leis do Mundo e da Vida!

Como quereriam (quererão) os heróis ser homenageados?
Esta é a questão que deixo à vossa reflexão!

Posted by Zecatelhado at 12:24 PM | Comments (0) | TrackBack

JERIQUICES

* Jumento

Quanto vai custar a PT a Belmiro de Azevedo?


O que se tem escrito sobe a OPA que Belmiro lançou sobre a PT revela o estado a que chegou este país, são raros os momentos de seriedade, e poucas as opiniões esclarecedoras, e não faltarão as intervenções de honestidade duvidosa.

Para além de Belmiro contar com uma corte de admiradores, desde os seus próprios jornalistas ao batalhão de “assalariados” financiados sob a forma de assessorias, até aos muitos políticos e respectivas ‘dondocas’ que todos os anos o vão bajular nos encontros da SONAE designados pelo “Espírito do Douro”, há ainda que contar com os que animaram com a valorização inesperada das suas carteiras bolsitas. Todos elogiam mas poucos problematizam, todos estendem o tapete vermelho até à administração da PT mas nenhum lhe pergunta o que vai fazer. Até as perguntas mais elementares ficam por fazer, como por exemplo, quanto lhe vai custar a PT? Que estratégia vai ter a PT? Que negócios da PT vai vender? E, principalmente, quanto lhe vai custar a PT?

Já não vou tão longe, pois a pergunta mais evidente seria: vai vender a PT a um qualquer ‘Mário Conde’, como fez com o Totta, e duplicar a sua fortuna à custa destes papalvos chamados portugueses?

Já ficaria contente se ficasse a saber quanto vai custar a PT, já que é evidente que depois de comprada uma boa parte dos seus negócios vai ser rifada para aliviar as contas do grupo SONAE, até porque em Portugal há muito para comprar.

Descontadas a valorização bolsista do património de Belmiro bem como os lucros da especulação bolsista que desencadeou e os impostos que vai deixar de pagar na SOANE quanto vai custar efectivamente a PT se a OPA resultar? E adquirida a PT como vai amortizar a dívida? Já se sabe que vai vender o que tiver que adquirir para além dos 51% o que faz supor uma estratégia de gestão da PT que lhe evite perdas na bolsa. Que vai fazer para o conseguir?

Posted by Zecatelhado at 12:23 PM | Comments (0) | TrackBack

YES!!!

* Paulo Querido

NUCLEAR? SIM, OBRIGADO

NUCLEAR? SIM, OBRIGADO. ...Interrompo o post abaixo para dar um primeiro pontapé de saída para o debate. Por um conjunto de razões similares às que me fizeram andar com o crachá Nuclear? Não, obrigado! ao peito nos anos 80 (há um quarto de século...) hoje tenho um pin que diz Nuclear? Sim, por favor!. Mal tenha tempo, e se ninguém o fizer antes, abrirei um site de campanha para trazer a discussão do nuclear para a ordem do dia. Até lá, está aqui a abertura.

Posted by Zecatelhado at 11:59 AM | Comments (2) | TrackBack

DE FACTO

* Francisca

Morte em ré menor

Poupo-me e poupo-vos a considerações – e tantas existem – que poderiam ser oportunas para avaliar as causas da violência doméstica ou maus-tratos.

Sou, por natureza, light, não me apetece ir aqui ao fundo (ou fundos) desta questão e tive a ventura de nunca ter assistido aos horrores de maus-tratos físicos que se descrevem na imprensa.

Acresce que, quanto à coacção moral, tiro de letra.
Já fui, algumas vezes, objecto desse tipo de agressão, só que “Sticks and stones can break my bones, but words will never harm me”.
Nestes casos vejo sempre o agressor como um pobre cobarde cheio de dor de cotovelo e viro-lhe as costas e passa o dito a ser transparente, indiferente, ausente, inexistente, enfim… abaixo de crítica, em definitivo.

Sei que assim não acontece com muitas mulheres, por serem de vidro psicológico, por terem tido maus exemplos numa infância em que as progenitoras se assumiram como seres humanos de segunda categoria, por outros motivos que conheço e outros ainda que, de todo, me passam ao lado.

A tudo isto não é alheia a nossa herança judaico-cristã.Basta verificar que foi aqui, nesta ilhota de secular cristandade, que a mulher mais ardeu na fogueira e, hoje, leva mais nas lonas.

Mas nada disto justifica o crime nem iliba o criminoso.

O que lhe dá a impunidade é a conivência de muitos agentes ou operadores judiciários, desde o polícia que dissuade a mulher de fazer a denúncia, àquele que falsamente a convence que o auto de notícia está elaborado – quando se limita a ter uma conversa de pé de orelha com o agressor, quase em amena cavaqueira, sobre os defeitos da “gaja” – até ao Conselheiro que atenua a pena do homicida porque a vítima tinha “deixado esturricar a carne do jantar” desse dia e ia ao café com as amigas de vez em quando.
Porque nestes casos, em particular, a vítima, por ser mulher, é tratada como ré menor.

Quer queiram quer não, desde que haja queixa sem consequências, a mulher morre por agressão do homicida mas com a cumplicidade de outrem.

Gostava de saber quantos dos nossos agentes tiveram um processo disciplinar por entenderem que cumpriam o seu dever com um mero encolher de ombros ou uma bruta gargalhada, protegendo, assim, o cidadão, mas condenando à morte a cidadã.

Gostava de saber onde raios de carga de água essa gente – toda essa gente – se convenceu que havia um preceito constitucional que defendia o “Direito de porrada até à morte”.

Gostava de saber - e disso nada li - que estilhaços arrastam as sobreviventes e seus filhos, pelo resto da vida.

Posted by Zecatelhado at 11:56 AM | Comments (0) | TrackBack

ARRANHADELAS

* Franco Atirador

A estupidez como Herança

O novo concurso da RTP, a Herança, tem um final assaz divertido: o apresentador revela cinco palavras sem qualquer ligação aparente e o concorrente "só" tem de descobrir, num curto espaço de tempo, o termo que está relacionado com todas elas.

Mas qual é a piada, perguntam vocês. Ora, a piada está no facto de ser impossível adivinhar o termo pretendido, tendo em conta que as cinco "pistas são totalmente absurdas, enganadoras e filhas-da-puta. O pobre concorrente fica com cara de parvo a olhar para elas e, no final, quando lhe é revelado o termo que ele deveria (por milagre) ter acertado, solta um triste e pouco convicto "Ah, pois era". Isto perante o riso paternalista do intragável Malato, que qualifica esta patranha de "prova de conhecimento" e invariavelmente conforta o pateta do concorrente com o terrivelmente cínico: "Está a ver? Bastava pensar um bocadinho!".

Vejam, por exemplo, o que se passou ontem. Estas eram as pretensas pistas (juro que é verdade):

Paulo
Napoleão
Paraguai
Évora
Promoção

Como podem ver, basta reflectir durante 2 minutos para descobrir o termo certo. Não conseguem? Pensem lá mais um pouco. Como é óbvio para uma luminária do calibre do Malato, a palavra certa só poderia ser " Assunção ". Confusos? Ora bem, como explicou o apresentador, " Paulo " é o primeiro nome do jogador do FCP Paulo Assunção (fodasse, esta era de caras pá e eu aqui a pensar em S. Paulo). " Napoleão " nasceu no dia 15 de Agosto, dia de Nossa Senhora da Assunção (Tão fácil. Como é óbvio, o concorrente deveria ter pensado "Napoleão? Ainda bem que publiquei a semana passada a minha tese de doutoramento sobre a vida de Napoleão. Sei que o gajo nasceu a 15 de Agosto de 1769 às 13:30, e sendo esse o dia da Nossa Senhora da Assunção, a resposta só pode mesmo ser Assunção"). A terceira pista, " Paraguai ", é a única que faz sentido, sendo no entanto ofuscada pelo surrealismo das outras "Évora ", era uma pista muito óbvia para o Malato, já que a cidade tem uma igreja da Nossa Senhora da Assunção (não consta, no entanto, que o Paulo Assunção ou o Napoleão tenham alguma vez lá rezado uma missa). Por fim, "Promoção" é um dos sinónimos de " Assunção ". Mais fácil que isto era impossível.

O Frangos gosta tanto deste programa que dá cinco pistas aos nossos leitores para descobrirem o termo subjacente:

Esquimó
Bode
Doente
Otário
Pontapé

Adivinharam? Claro que sim. A palavra certa é... " Malato "!

Ora bem, o " esquimó " é conhecido por comer muita gordura para se aquecer e gordura é o que não falta ao Malato. Quanto a " Bode ", quem pode esquecer a barba de bode do Malato? Mais óbvio é impossível. " Doente " é um sinónimo de Malato (fui ver ao dicionário) e " Otário " uma das suas características mais salientes. Por último " Pontapé " era o que eu gostava de lhe dar naquela peida gorda (o que remete de novo para "Esquimó "). Mais fácil era impossível. Ou como diria o Malato "Estão a ver? Bastava pensar um bocadinho!".

Posted by Zecatelhado at 11:50 AM | Comments (0) | TrackBack

O ESPELHO DAS PALAVRAS

* Wind

Água do rio


Teus seios pequeninos que em surdina,
pelas noites de amor, põem-se a cantar,
são dois pássaros brancos que o luar
pousou de leve nessa carne fina.

E sempre que o desejo te alucina,
e brilha com fulgor no teu olhar,
parece que seus seios vão voar
dessa carne cheirosa e purpurina.

Eu, pare tê-los sempre nesta lida,
quisera, com meus beijos, desvairado,
poder vesti-los, através da vida,

para vê-los febris e excitados,
de bicos rijos, ávidos, rasgando
a seda que os trouxesse encarcerados.

Hildo Rangel

Foto:Michelle 7

Posted by Zecatelhado at 11:43 AM | Comments (0) | TrackBack

ESKREVINHANDO

* Noel Santa Rosa
Para Reflexão


Mohandas Karamchand Gandhi - "Mahatma" (grande alma)

Hoje trago para reflexão uma frase desse grande homem que é para mim, um marco na história da humanidade: Mahatma Gandhi

PROGRESSO: O verdadeiro progresso social não consiste em aumentar as necesidades, mas sim em as reduzir voluntariamente; mas para isso torna-se necessário tornarmo-nos humildes.

Quando analisamos o que realmente nos faz falta para o nosso bem estar e olhamos para tudo o que possuímos, vemos como somos escravos de tantos objectos e de tanta coisa que nos rouba tempo e energia para viver alegremente.

Somos escravos do carro, da casa, das roupas de marca, dos restaurantes de luxo, do DVD último grito em tecnologia, do PC mais rápido e mais sofisticado, da imagem saudável criada no ginásio, da pele sempre jovem à custa de Butox e outros artifícios, somos escravos de tanta vaidade que até faz dó.

Depois dizemos que temos imensa pena das crianças que morrem a cada 3 segundos algures no mundo e fazemos campanhas de publicidade pagando milhões às TV's, às revistas, às gráficas que imprimem o folheto, às rádios que passam o anúncio em cada intervalo da música feita para nos adormecer os sentidos...

Gandhi mostrou como um país pode tornar-se independente da tirania, como é possível ser-se livre e não escravo.

Com coragem, com determinação, com humildade e pacíficamente mostrando como a arrogância e a vaidade são características tão ridículas no ser humano.

Deixo aqui uma foto desse grande espírito, fiando e tecendo o algodão que ele mesmo cultivava e colhia e que vestia com aquela simplicidade que lhe foi tão característica.

Qual de vós seria capaz de abdicar de tudo o que possui para ser efectivamente livre?

Este podia ser o exemplo a seguir para Portugal se tornar num país de progresso.
Aproveitar a tal "prata da casa" como disse o meu amigo Augusto.

Eu dei já os primeiros passos e para isso decidi apenas comprar o que for produzido em Portugal, sem desperdícios e reduzindo ao mínimo indispensável tudo o que necessito para viver com dignidade e livre.

Beijos a todos os amigos e amigas e votos de um bom fim de semana prolongado

Posted by Zecatelhado at 11:41 AM | Comments (1) | TrackBack

COÇA!

* Xatoo
As Cidades Invisíveis

“O homem que cavalga longamente por terrenos bravios sente o desejo de uma cidade. Finalmente chega a Isadora, cidade onde os prédios têm escadas de caracol incustradas de búzios marinhos, onde se fabricam artisticos óculos e violinos, onde quando o forasteiro está indeciso entre duas mulheres encontra sempre uma terceira, onde as lutas de galos degeneram em brigas sangrentas entre os apostantes. Era em todas estas coisas que ele pensava quando quando desejava uma cidade. Assim Isadora é a cidade dos seus sonhos: com uma diferença. A vida sonhada continha-o jovem; a Isadora chega em idade tardia. Na praça há o paredão dos velhos que vêem passar a juventude; ele está sentado em fila com eles. Os desejos são já recordações”
Italo Calvino, in “As Cidades Invisiveis”


Repare-se na carnificina corruptora escarrapachada no post anterior. No décor anárquico do urbanismo lisboeta, sob a batuta das actividades mais do que suspeitosas de personagens de ética duvidosa,,, por aqui constrói-se de tudo, menos uma ideia moderna, civilizada e cosmopolita de Cidade.


a Cidade existe como factor de vivência gregária. Foram-se construindo para as pessoas escaparem das vicissitudes e das condições de vida precárias em lugares inóspitos. Fugindo de flagelos, procurando abrigo, os construtores foram acrescentando a Cidade, organizando-a de acordo com as necessidades (possibilidades) de cada nova leva que chegava. Para cada um reservou-se-lhe o seu lugar mais ou menos central conforme a sua posição de Classe na hierarquia social.
É isso que vemos, quando partindo dos “cascos velhos” nos centros históricos, observamos as muralhas medievais dentro das quais se acolhiam a Nobreza e o Clero nos seus palácios feudais e igrejas, em redor dos quais o povoléu procurou protecção erguendo os modestos casarios. Quando chegou a Industrialização construiram-se Vilas concebidas tendo como elemento central a Oficina ou a Fábrica e à sua volta os pátios para alojamento dos operários. De certo modo a acumulação de habitantes na Cidade na era moderna corresponde a um armazenamento de mão de obra de reserva em condições de proximidade para que possa ser explorada. Os lucros providenciados pela exploração permitiu à nova burguesia manter-se nos centros urbanos, destinando as melhores zonas ao Comércio, que prosperou, consoante afluiam à Cidade novas vagas de potenciais operários procurando trabalho, oriundos dos meios rurais com cada vez menos saídas para uma vida decente, mas que, de igual modo, no termo da sua viagem, iam aumentando a sua condição de consumidores.

Com a Tercearização na segunda metade do seculo XX ocorre um movimento de sentido contrário. Deslocando a Produção para zonas industriais exteriores à cidade, exportando-a até mesmo para paises do 3o mundo onde a desordem não é susceptivel de nos incomodar, vastos espaços de antigas manufacturas perdem a sua utilidade. Rápidamente esses lugares são ocupados e reconvertidos para as sédes de gestão, escritórios e administrações, bancos, etc. Mais uma vez as Élites se apropriam das novas centralidades e, provocado pela nova situação, um movimento de refluxo expulsa grande quantidade de habitantes para as periferias suburbanas que crescem sem infraestruturas pensadas, anárquicamente, em bairros sem função social visivel, que se convencionou amiude apelidar de “dormitórios”.

É este o panorama actual. Na Cidade de hoje aterram agora investimentos Transnacionais provenientes da Globalização que estão na base da construção dos seus edificios-Catedrais high-Tech, de sub-ocupação descabida, grosseiramente inútil.

Ostensivamente megalómanos e caros, porque pagos com dinheiro que não custa a ganhar, a função destes novos ícones de Classe não obedece a qualquer função social, salvo abrigar o novo-riquismo das Élites pós-modernas originadas pelos lucros de aplicação de Capitais Financeiros de lucros fáceis e não taxados fiscalmente. Promove o regime de apartheid, enquanto se degrada o património construido susceptivel de voltar algum dia a ser ocupado pelas classes médias, que cada vez mais, numa sociedade distorcida como a nossa, sob feroz pressão do Neoliberalismo, se encontra em contagem decrescente nas suas condições de vida.
Por outro lado assiste-se à massificação da construção de bairros sociais que se constituem em guetos que promovem a segregação em massa de classes marginais.
Que é feito da Lisboa dos bairros?, populares uns, mais chiques outros, mas onde existia um relacionamento inter-classista que cada vez mais se perde na desertificação?

“Desejando impressionar o Papa, D. Manuel ordena em 1514, que o rinoceronte acompanhe a embaixada de Tristão da Cunha a Roma. Preso por uma corrente de ferro dourado e ataviado com uma coleira de veludo enfeitada com cravos e rosas, embarca com destino ao porto de Génova. Em pleno golfo uma tempestade faz naufragar o navio e o rinoceronte morre afogado. Segundo o humanista Damião de Góis, o corpo do animal, empalhado depois de recolhido junto à costa, acabou por fazer parte da embaixada. Graças a Albrecht Dürer, que o desenhou a partir de uma gravura da época, os Europeus não o esqueceram”.
Este episódio é recordado por Dejanirah Couto na sua “História de Lisboa”

Que a Direita caceteira e parasitária tenha alguma “utilidade”:
Como estamos em maré de americanização, não estará em altura de enviar alguém do Regime a Washington como sinal de boa vontade e como emissário de subserviência canina para atrair capitais de investimento em mamarrachos neoliberais? E que tal enviar Ribeiro e Castro de coleira de veludo ao pescoço com uma “Constituição da República Portuguesa” empalhada debaixo do sovaco?

Construindo Aldeias Urbanas

Uma experiência concreta levada a cabo numa zona socialmente periférica na cidade de Boston - The Dudley Street Neighborhood Initiative (DSNI) - sitio internet em www.dsni.org

O fosso entre ricos e pobres não pára de crescer nos EUA, porque as politicas de estabilização das vidas dos pobres (normalmente as comunidades negras) não se coloca em termos de soluções de longo prazo. A Economia é instável, numa espiral inflacionária que continuamente afecta o custo dos bens básicos, incluindo a alimentação, combustiveis, medicamentos e cuidados de saúde. Mais deprimente ainda é a ausencia de perspectivas na obtenção de casas para os pobres, trabalhadores, desempregados e reformados de rendimento limitado.
É com este pano de fundo que a DSNI – na definição de politicas prioritários se converte na primeira Comunidade de fins não lucrativos propondo-se organizar uma área degradada de 1,3 milhas quadradas no centro urbano da cidade de Boston. Dudley Street converteu-se num simbolo e num exemplo de renovação que previlegia a participação comunitária de todos os moradores e onde se auto constrói com planeamento a longo prazo. O seu plano de integração visa combater politicas e práticas cujas bases estão na origem das causas de pobreza e do declinio de inumeras cidades através do país. Através do controle colectivo da posse dos terrenos, utilizando as verbas que antes se destinavam especulativamente ao enriquecimento de uma minoria, os residentes ficam aptos a criar uma comunidade vibrante e multicultural, desenvolvendo centenas de casas apropriadas às necessidades, zonas integradas de comércio, de convivio social, de prática desportiva, escolas equipadas com os mais recentes inovações tecnológicas, etc, trazendo beneficios pessoais aos residentes e revitalizando o bairro que eles próprios ajudaram a planificar.
Gus Newport explica como nasceu a “Dudley Street Neighborhood

Initiative” – leia mais aqui: www.prrac.org

Posted by Zecatelhado at 11:35 AM | Comments (0) | TrackBack

ESTENDAL DE LETRAS

* Raúl
Ainda o Iraque

Os nossos especialistas em conflitos internacionais chegaram à conclusão de que pode estar iminente a instauração da guerra civil no Iraque
Mas porquê só agora lhes parece existir tal possibilidade se ela já existe no terreno a partir do momento em que as tropas da coligação derrubaram Saddam. Serão necessárias mais demonstrações do que aquelas que passaram a acontecer imediatamente à invasão para que os entendidos se capacitem que a guerra civil está instalada desde essa altura no Iraque, ou querem continuar a insistir na tese de acções terroristas?

Posted by Zecatelhado at 11:23 AM | Comments (0) | TrackBack

QUANDO AS PALAVRAS DANÇAM

* Lique

Da cor dos malmequeres


Sabem de que cor são os malmequeres? Brancos, amarelos, as duas coisas? Respostas prosaicas. Os malmequeres são cor de primavera. Esta é uma resposta poética.
Também a água não é bem água. Talvez seja um fio de prata ou um líquido caudal. Ou qualquer outra coisa. As cores não são bem as que vemos, mas as de alguma improvável paleta. E sobretudo a dor não é dor. Chamemos-lhe o que quisermos, mas não lhe chamemos dor. Nem tristeza, nem solidão. Nem sequer a tão desejada felicidade. Recorramos a todas as figuras de estilo. Sublimemos. Sobretudo, sublimemos. Façamos um enorme silêncio sobre a vida real, deixemos a poesia dizer do mundo inventado onde, ao de leve, só ao de leve, pairam os nossos sentimentos.
Será para isto que serve a poesia? E será que a poesia tem que servir para alguma coisa? Não para mim, não hoje, sobretudo.
Mas nem sei como vim parar aqui. Hoje eu só queria saber de que cor são realmente os malmequeres. Os verdadeiros que existem nos campos e se sentem nas mãos quando os colhemos. Nos campos reais, da terra real onde cresce a verdadeira vida.

Posted by Zecatelhado at 11:20 AM | Comments (0) | TrackBack

CABALAR

* Raio

Energia nuclear para quê?

...É um facto que, aparentemente, o número de mortos provocado por acidentes em centrais nucleares é baixo. Mas, neste número, não entram valores como o de possíveis casos de cancros entre a população causados pelo acidente de Chernobyl e outros.
O problema fundamental é outro, a probabilidade de um grande, muito grande acidente existe e, por menor que ela seja o acidente pode ser tão grande que, de uma só vez, recupere todo o atraso em acidentes que existem até à data.
No caso de Portugal, um acidente numa central nuclear, poderia acabar com a viabilidade do país.
Um grave acidente na central de Almaraz, em Espanha, à beira do Tejo, poderia lançar grande quantidade de produtos radioactivos no rio e obrigar à evacuação de toda a população que vive à beira rio, como por exemplo a de Lisboa.
E por mais pequena que seja a probabilidade de um acidente deste tipo a multiplicação de centrais nucleares torna-os mais prováveis...
Depois o argumento de que a energia produzida por uma central nuclear é barata é muito discutível pois não entram no cálculo dos custos factores como segurança e principalmente o custo do desmantelamento da central nuclear. É que uma central não é eterna, tem um tempo de vida estimado nalgumas dezenas de anos e desmantela-la é caríssimo, quase tão caro como construir uma nova.
Também não se entra em conta com o custo do armazenamento dos resíduos. Até à data não existe nenhuma boa solução para este problema. Os espanhóis, por exemplo, queriam armazena-los mesmo ao lado da fronteira portuguesa, ali à beira Douro...
O custo do armazenamento dos resíduos por uns milhares de anos é uma incógnita.
Por fim há a dependência ao exterior que a central provoca, ainda maior do que a do petróleo, gás ou carvão de que existem muitos produtores espalhados pelo mundo.
Portugal produz urânio mas este só é útil de pois de enriquecido. E Portugal não tem capacidade para o enriquecer (é o problema que há agora com o Irão que quer enriquecer o seu minério de urânio).
Portanto Portugal teria de encomendar ao exterior o enriquecimento do seu urânio, enriquecimento esse que só pode ser feito num número muito reduzido de países. Nada nos garante o preço desse enriquecimento. Pode subir tanto ou mais do que o petróleo...

Posted by Zecatelhado at 11:14 AM | Comments (0) | TrackBack

MONÓLOGOS COM CRISTA

* Vitriólica

"Eu não devia escrever nada sobre o Zeca "

E não devia escrever nada, porque não devia ser preciso, pois tá claro!!!
Porquê, pergunta o meu caro leitor? Ora, porque o Zeca devia ser uma referência nacional, assim uma espécie de pessoa-monumento que todos conhecem, admiram e respeitam. E os nossos órgãos de comunicação social deviam todos lembrar o dia em que Portugal e a Música ficaram mais pobres. Que o Zeca foi um português de primeira, mas também um músico dos bons, um divulgador de músicas, de poetas, um poeta.
Por outro lado, ainda há muita gente que não percebe isso, que não gostam de vermelhos, e que confundem a cor do Zeca com a obra dele. Em qualquer outro país do mundo o Zeca era grande, qualquer povo teria orgulho de dizer "Este homem nasceu no mesmo país que eu, escreveu e cantou poemas e canções bonitos na mesma língua em que eu falo todos os dias".

O problema é que o Zeca teve o mesmo azar de dez milhões de pessoas - nasceu no País do Esquecimento e da Ingratidão, da Inveja e da Mesquinhez. O próximo dia 23 devia ser aproveitado para falar dele em letras grandes. Grandes como o homem e o artista que foi.

Cá no meu blog as letras são pequeninas, mas vou entrar na corrente, tal como entrei nesta outra corrente que há dois anos decidiu lembrar os 17 anos sem a presença física do Zeca.

Quero só deixar uma pergunta:
- E para o Zeca, não vai nada?
- Tudo!

E disse.

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HERTZ

* Jorge Guimarães Silva

"A rádio digital é para quem? "

“A rádio faz companhia”. Qualquer estudante de Comunicação dirá que isto é absolutamente verdade, mas, se o Digital Audio Broadcasting (DAB) for implementado este princípio poderá ser alterado para “a rádio faz companhia... a alguns”. É que o preço do receptor DAB mais barato ronda os 150 euros, contra um receptor de Frequência Modulada (FM) que pode custar apenas um euro.
Os entendidos em rádio da União Europeia - que ganham exactamente o nosso ordenado mínimo nacional, têm um nível de vida igual ao nosso, e suam as estopinhas em Bruxelas, trabalhando para além das horas de expediente sem receberem mais por isso, para nos brindarem com directrizes que resultam numa diminuição do fosso entre ricos e pobres em Portugal – decidiram que o switch off (o fim das emissões analógicas) deveria ser em 2010. Claro que esta data só por si já é ridícula, primeiro pela sua proximidade e, depois, porque o resto da Europa vai mostrando desagrado em relação ao DAB. Só na Inglaterra é que parece que tudo vai bem com a rádio digital.
É fácil, para quem tem muito, esquecer-se dos que têm menos. Se o switch off se der em 2010 (acho que não, mas sei lá...) quantas pessoas vão ficar impedidas de ouvir rádio? Façamos as contas a quantos reformados - que auferem um pagamento miserável da Segurança Social que nem chega para medicamentos – trabalhadores que recebem o ordenado mínimo, ou pouco mais, desempregados e, também, àqueles que nada têm - que muitas vezes são sem-abrigo - e vamos verificar que mais de metade da população portuguesa se insere neste grupo.
Dinheiro para um receptor DAB? Claro! Se forem como o S. Benedito... não come, não bebe, mas anda sempre gordito!

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TUTO B(U)ONO

* Golfinho

"Coexist"

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Foto: Inês Pataco

"Coexist.
Em português significa o mesmo: coexistir. Significa o mesmo na Palestina, em Israel.
Jesus, Judeu, Maomé, é verdade!
Jesus, Judeu, Maomé, é verdade!
Todos filhos de Abrãao. Todos filhos de Abrãao.
Pai Abrão, que fizeste?
Pai Abrãao, fala aos teus filhos; diz-lhes nunca mais, nunca mais! Tell them: NO MORE!"

Bono, durante "Sunday Bloody Sunday" no concerto de 20 de Fevereiro de 2006 no estádio do Morumbi, São Paulo; Brasil.

E se isto fosse dito num país islâmico fundamentalista ou em Israel onde Bono foi alvo de tentativa de agressão por um grupo de extremistas de direita quando passou por lá na Pop Mart Tour? Ou, nestes tempos, na Dinamarca?

Bono foi mal-interpretado por alguns extremistas evangélicos norte-americanos que viram nestas frases de apelo à paz um verdadeiro anti-cristo, feridos que estavam pelo 11 de Setembro e, outros agarrados à interpretação literal da Bíblia.

A minha opinião é que estas palavras são de apelo à Paz mundial, mesmo, na linha de Sunday Bloody Sunday (que nos primeiros tempos foi aproveitada pelo IRA, e Bono logo desmentiu chamando-os de fascistas e que não pactuava com extremistas de esquerda, nem de direita, nem com ninguém que matasse em nome de um ideal), apelando para que nestes tempos difíceis a humanidade de todos credos, descendente do mesmo pai - Abrãao -, se sente à mesa, se respeite e fale. E é sobretudo um apelo àqueles que o ouvem, os moderados, os silenciosos, aqueles que, como no tempo de Sunday Bloody Sunday faziam o jogo da Diplomacia, pois é nesses que podemos depositar as nossas esperanças - nos homens dos bons ofícios.

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fevereiro 20, 2006

ABC DOS DIAS

* Zecatelhado

Os Incendiários>

* Quando em nome da defesa dos valores Ocidentais...
... contra a "brutalidade e o terrorismo" do Islão nos começarem a cercear as liberdades na nossa própria terra
- a justificar a agressão sem rodeios aos povos do mundo por ´"dá cá aquela palha"
- a "trocar" petróleo por alimentos depois da destruição e ocupação das terras a Oriente e das que noutros pontos do globo produzam petróleo

Então... talvez compeendamos tudo. O problema é que quando isso suceder, talvez também compreendamos que já é tarde para reagir e lamentemos o facto de ter andado a discutir o acessório esquecendo-nos do essencial.

Uma boa semana para todos
com AQUELE @bração do
Zecatelhado

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EM CRESCENDO

* Thita

Contaram-me uma história...>

"Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital.

Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões.

A sua cama estava junto da única janela do quarto.

O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas.

Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos, onde tinham passado as férias...

E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela.

O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo do lado de fora da janela.

A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes, chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos.

Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma ténue vista da silhueta da cidade podia ser vislumbrada no horizonte.

Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava as pitorescas cenas.

Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar:
Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas.

Dias e semanas passaram. Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida o homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia.

Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.

Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca.

Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a Enfermeira deixou o quarto.

Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo!

O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela.

A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. Talvez quisesse apenas dar-lhe coragem..."

E fiquei melhor! Muito melhor.
Tenho que agradecer à Professora Emília Miranda a partilha e a atenção.
Um grande beijinho para ela. Muitos outros também para quem por aqui me deixou palavras carinhosas.


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ESTENDAL DE LETRAS

* Raúl
Foram vocês que votaram nestes socialistas? Eu não

Este governo cada vez mais em termos de adopção de medidas governativas se compara a um governo de direita.
Estamos a ser conduzidos no sentido de perdermos as poucas regalias sociais que possuímos. No capítulo da saúde o caos reinante motivado pelos respectivos agentes, já há muito que se vem degradando e as taxas moderadoras que têm vindo a ser implementadas, não têm servido para suportar algumas despesas do sector fazendo com que e défice do orçamento do respectivo ministério seja astronómico. Como este governo dito socialista é tudo menos isso, resolveu através do Ministro da Saúde anunciar que, a manter-se o elevado défice, passarão os utentes a suportar algumas das despesas.
Como encontraram oposição e contestação das restantes forças políticas para converterem os hospitais numa espécie de clínicas privadas, vão tentar outra estratégia que levará a muitos utentes do SNS acabarem por optar pelos seguros de saúde, sempre terão a possibilidade de serem melhor tratados e assim por este processo conseguem descongestionar os hospitais, visto as pessoas com recursos não estarem dispostas a pagar por um serviço medíocre prestados pelos hospitais públicos quando pagando um seguro de saúde terão à sua disposição várias clínicas e hospitais para se tratarem. Eu como não acreditei no socialismo desta liderança não me sinto minimamente culpado pela política que está a ser adoptada, mas se tivesse votado, teria de certeza remorsos por o ter feito

Posted by Zecatelhado at 12:58 AM | Comments (3) | TrackBack

JERIQUICES

* Jumento

Repóter Jumento>

Se o espectáculo trágico cómico em que a vida política portuguesa se transformou carecesse de apresentador, tal função apenas teria um candidato, Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo trata a vida pública como se fosse uma mistura de comédia e de jogo de futebol, enquanto ele, na posição de analista desempenha a dupla função de relator e encenador. Na escolha de formação para políticos não foi difícil encontrar uma profissão alternativa para Marcelo Rebelo de Sousa, ele encaixa perfeitamente no papel de apresentador de espectáculos circenses.

Posted by Zecatelhado at 12:57 AM | Comments (2) | TrackBack

OUTRAS MARGENS

* Pedro Guedes

Quem não se sente, não é filho de boa gente >

Verifico que mais de meia blogosfera vai espancando através da pena o nosso mui ilustre ministro dos Negócios Estrangeiros, sujeito de fraco merecimento que (admito que ao contrário de mais de metade de quantos agora o criticam), nunca foi credor da minha mais mínima aceitação - e isso para desgraça do escriba, que no seu tempo de adolescente via, sem que a elas se pudesse juntar, as miúdas mais giras do liceu engrossarem as fileiras dos comícios do homem...
Isto para dizer o que segue: apesar de ter como certo que o que diz a criatura é absolutamente indiferente para os destinos da humanidade ou para a formação da opinião de quem quer que seja (o que de algum modo me descansa), choca-me profundamente, enquanto português e ainda para mais nacionalista, uma das últimas posições do sr. Amaral, sendo que nem sequer é aquela em que os meus amigos estarão a pensar. Sobre o assunto, que eu tenha dado conta, apenas um jornal "se pronunciou", mais propriamente "O Diabo" e logo pela caneta avisada de João Coito, sendo que a coisa tem a ver com o apoio de Portugal a uma eventual candidatura de Ramos Horta a Secretário-Geral da ONU. Ora sucede que eu, que sou da direita intratável (aquela que, no dizer do nosso saudoso Rodrigo Emílio, não trata com tratantes), sinto-me ofendido enquanto contribuinte por ver o meu governo (para todos os efeitos é assim, quer eu queira, quer não queira) apoiar um cavalheiro cuja folha de serviços se resume a actividades de conspiração contra Portugal, a par de umas mãos cheias de sangue, em desfavor de civis timorenses e de militares portugueses.
Não há dúvida de que para contribuir para este peditório, acertou a maioria socialista em cheio no ministro. É preciso um estômago interminável para um tipo se prestar a tão inacreditável papel.

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PORTO SENTIDO

* Maria

Estrada do Tempo>

Tenho necessidade de escrever e contudo não sei o que diga...
É o frio do tempo que me arrepia a alma
São as lágrimas do céu que humedecem vidraças
É a música que me transporta para sensibilidades fortes
É tudo, é nada
É uma vontade de tanta coisa que vai ficando adiada
São momentos que se vão perdendo na passagem dos dias
Semanas que se vão sucedendo como laçadas gigantes de uma corrente
O fim-de-semana que outra vez aí está
Mais um marco na estrada do tempo

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QUANDO AS PALAVRAS DANÇAM

* Lique

Semente em dias de frio >

Deixa que te olhe
No dia cinza e prenhe de bruma
Que se colou espessa nos vidros
Vago reflexo que não alcanço
Ainda que a alma se expanda
E te toque.
Deixa que pense
Mesmo que seja num dia sem sol
Que o sempre não é somente palavra
De um dicionário coberto de pó
E a vida não é gazela que foge
À nossa frente.
Deixa que sinta
Como sopro leve, lábios conhecidos
Que sussurre o tempo que já esperei
A brisa que trazes nos dedos carícia
E quanto serás eterno em meu corpo
Que aguarda.

Deixa que a vida me diga de ti hoje e amanhã
Para que exista um sulco de esperança
Semente plantada em dias de frio
Na terra que piso.

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SAUDAVELMENTE FALANDO

* José Gonçalves

A liberdade de expressão é...>

A publicitação do nosso pensamento.
A publicitação do nosso desagrado.
A manifestação da nossa revolta contra as injustiças.

E estas não requerem o ónus da prova, porque fazem parte da nossa própria vida, do nosso ideário enquanto homens/mulheres livres.

O mesmo certamente não se poderá aplicar, quando expressamos acusações a indivíduos ou à colectividade.

Quando um jornal publicita informações, dadas como seguras em nome de uma qualquer tropelia à lei, está a prestar um serviço à comunidade, está a manifestar o seu desagrado face a práticas, que a própria sociedade condena.

O que ainda espanta, é aquela espécie de inquisição, promovida ao que tudo indica pelo senhor provedor de Justiça, que em nome desta, manifesta maior preocupação na punição do veículo transmissor da noticia, do que na falta grave que lhe deu origem.

Em tempos e sobre os acontecimentos que afinal estão na origem de toda esta sujeira, expressei no blogquisto a minha preocupação, face ao que então considerava uma cabala contra Ferro Rodrigues e o PS.
O desenrolar da novela, acrescida da manifestação pública do Dr. Marques Mendes e de outros sectores da sociedade política, de apoio ao senhor provedor, inquieta qualquer cidadão menos distraído.

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SOCIALMENTE INCORRECTO

* Biranta

Com todo o Descaramente e Desplante!>

Decorreu tudo como as pessoas avisadas receavam. Depois dizem que o pessimismo é grande, e que as angústias e as depressões são muitas, neste País. Como poderão não ser com "espectáculos destes?
Este post é feito de colagens. Nada do que aqui fica dito é de minha autoria. Afinal já está tudo dito!

Primeiro
Na sequência da notícia do “24 HORAS” sobre o caso do “envelope 9” junto ao processo da Casa Pia, o PGR anunciou inquérito rigoroso ao que se passou.
Segundo o “Correio da Manhã” de hoje, dia 21.01.06, o inspector nomeado para instruir tal inquérito é José Gonçalves Carvalho.
Este mesmo, já referido neste blog, por ter ignorado e ocultado elementos de prova a meu favor no processo em que me afastaram de funções.
Terá alguma credibilidade tal inquérito?
Para mim, é óbvio que não.
Este inspector, com a “credibilidade” que tem na PGR (que é muita) e a “isenção” de que usa (que é nenhuma) , vai apenas “limpar” a imagem da “corporação MP/PGR” e arranjar um bode expiatório.
Nisso, ele é perito.
O costume.

Segundo
por causa o famoso “envelope 9” dois jornalistas do 24 Horas foram constituídos arguidos apeteceu-me dar uma gargalhada, depois de tanta fuga ao segredo de justiça estes jornalistas respondem por «acesso indevido a dados pessoais».
Mas quando leio que um dos jornalistas que foi alvo desta acusação é jornalista freelancer Jorge Van Kriken (acho que o nome dele é Krieken), o autor da página Repórter X [Link], que, como se sabe, há muito que "anda com as candeias às avessas" com o Ministério Público, fico muito preocupado; assaltou-me logo um estranho pensamento: que “apanharam dois coelhos com uma cajadada”.

Comentário 1
Na falta de razão a corporação reage como sabe e parece que pode neste simulacro de estado de direito (corporativo).
Apreende os computadores aos jornalistas que tiveram a ousadia de os colocar a ridículo por manifesta incompetência e má-fé.
Durante mais de um ano o Correio da Manhã, publicou artigos sobre o processo Casa Pia, violando o segredo de justiça. Apenas teve uma busca quando chegou ao conhecimento público o caso Salvado/correio da Manha(ã).
Assim enquanto os jarnalistas fazem jeitos ao MP nada lhes acontece! Com dizia um amigo meu. (Não! Não é o Des. E. Reis), o MP tem um pacto com os jornalistas. Eles não denunciam a sua incompetência, prepotência etc. e eles arquivam os processos por abuso de liberdade de imprensa.
Assim vai a democracia corporativa neste país de tribunais plenários.....

Comentário 2
Não é interessante que os jornalistas sejam constituídos arguidos por publicarem a existência do envelope 9 no processo mas não se diga nada sobre :
- quem requereu os dados à PT?
- porque continuam no processo se dizem respeito a pessoas não acusadas no mesmo?
Ainda se lembram do Juiz Salvado e das conversas com o jornalista do Correio da Manhã?

Comentário 3
Isto é como antigamente, quando não se gosta da notícia, mata-se o mensageiro!
Não seria mais importante se começassem a investigação pelo princípio, e vissem quem requereu as escutas e quem as mandou colocar no processo?
Trata-se pois de um "show off" para enganar o pagode e desviar as atenções dos verdadeiros culpados!...

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BOLINANDO

* Luís Bonifácio

1000 Nomes...>

1000, é o número de contactos que possuo na minha agenda Outlook. São 1000 nomes diferentes, fruto da minha vida pessoal e profissional que se apressa a chegar aos 40.

Há nomes que me acompanham desde o Jardim-Escola, outros entraram apenas na semana passada. Uns vejo-os quase todos os dias, outros apenas vi uma única vez, vez essa, que de certeza, nunca se repetirá.
Alguns, infelizmente já não fazem parte deste mundo, uns partiram no ocaso da sua vida, outros na fase de maior pujança, de repente, sem um “adeus e até sempre”.
Nunca me atrevi a apagar um nome que fosse. Fazê-lo seria uma infâmia, seria como riscar a sua existência, como se nunca tivessem passado por este mundo e contribuído para ele, independentemente da grandeza desse contributo.

Estes 1000 nomes são os nomes das pessoas que ao longo de 40 anos me ensinam e me ajudam a deixar a minha humilde marca neste mundo. Umas deram-me muito, outras relativamente pouco, mas todas deram!

Espero, sinceramente, ter dado a todas elas alguma coisa.

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TUTO B(U)ONO

* Golfinho

No blue skies">

Esta maravilhosa Primavera, com a sua vida e movimentos secretos, perturba-me para além das palavras. Estes eternos céus azuis que se mantêm durante semanas, este contínuo desabrochar e florescer na natureza, estas brisas sedutoras impregnadas de sol primaveril e da fragrância das flores [...] fazem-me perder a cabeça.
Por todo o lado este desconcertante ímpeto para a vida, para a fertilidade, para a criação e só eu [...]
não posso tomar parte neste festival de ressureição, excepto, em todo o caso, como espectador com dor e inveja.

Hugo Wolf

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UM SOPRO DA PLANÍCIE

* Francisco Nunes

Crucifixos nas salas de aula >

A sentença do juiz, perante o protesto veemente de uma mãe finlandesa com excesso de ócio e vontade de maçar os desgraçados dos italianos, foi clara:
O crucifixo deve ficar exposto na sala de aula da escola média de Abano Terme (Pádua), "não enquanto 'objecto de culto', mas por que é um símbolo idóneo para exprimir o elevado fundamento dos valores cívicos".
Dizemos nós:
Ora aqui está uma óptima argumentação para colocar, nestes tempos de cagaço, o Cristianismo na Constituição Europeia, não enquanto religião de estado, mas como um símbolo idóneo para exprimir o elevado fundamento dos valores cívicos dos europeus...

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fevereiro 11, 2006

ABC DOS DIAS

* Zecatelhado

Da Liberdade à Arrogância >

Minha rica mãezinha, o que para aí vai de discussão sobre os cartoons "satânicos"! Como já disse no postal anterior sobre este tema, não houve douto ou zé-brôa que não opinasse, da tribuna ao banco ronceiro da tasca rançosa da tia Joaquina.
Já tentei explicar a minha posição, mas porque continuo a verificar que a discussão está a versar e a tocar tudo menos o essencial, aí vai mais uma vez:
- Os líderes religiosos do Islão são conservadores, intolerantes, fundamentalistas, reaccionários...( não me lembro de mais nenhum adjectivo)? SÃO!
- Para quem defende os valores da liberdade de expressão e pensamento, a plena igualdade de direitos independentemente dos sexos, os regimes dos Ayatollahs devem ser rejeitados e condenados vivamente? DEVEM!
Mas...
Pois é aqui que está o cerne da questão:
Entre nós, ocidentais, a nossa cultura e os nossos valores permitem-nos esse tipo de comportamentos e achamos muito natural e normal que tal possa suceder, logo, mais cartoon menos cartoon, mais texto menos texto não choca em nada os nossos princípios. Estou farto de fazer caricaturas (montagens)(ainda aí no postal de baixo fiz uma: o Presidente da República e o Primeiro Ministro no corpo de dois galináceos) e ninguém de Belém ou S. Bento me veio incendiar a casota.
Agora...
Eu tenho igualmente que aceitar que há gente que não pensa de igual forma e que a simples caricatura de um símbolo em seu entender incaricaturável constitui uma afronta.
Eu, como homem que preserva os valores da liberdade DE TODOS OS HOMENS DO MUNDO, tenho obrigatoriamente que respeitar esse pensamento, independentemente de não concordar ( e não concordo) com ele. Mais: Porque me julgo mais tolerante e mais igual, terei até uma maior responsabilidade em não ferir desta forma a sensibilidade e ou a cultura de cada um. É PRESUNÇOSO e arrogante menosprezar a cultura Islâmica (ou outra qualquer) em favor da nossa. COLOCAR NOS BLOGUES BANDEIRINHAS DA DINAMARCA acirrando ainda mais os ânimos, acho de todo de um grande mau gosto e de uma sobranceria condenável.
Se nós achamos (eu acho) que os regimes dos Ayatollahs empedernidos devem começar a pensar seriamente na abertura à tolerância, não é desta forma que vamos ajudar os povos que vivem debaixo da sua ditadura a começar a ponderar no assunto; Bem pelo contrário, esta arrogância toda só vai dar "mel à besta", incendiar ainda mais a fogueira e a afastar cada vez mais os povos manipulados por esses biltres. A luta contra a ignorância e a intolerância com que os Ayatollhas tratam os povos do Islão, deve ser uma luta pela frontalidade da palavra sem cinismos de qualquer espécie; Uma luta sem medos nem recuos estratégicos tendo em vista outros interesses contrários ao da justiça e da liberdade dos povos. É com essas armas que devemos avançar e desarmar os castradores da dignidade humana.
Por último, há que redizer o seguinte: ANDA ALGUÉM INTERESSADO NESTAS FOGUEIRAS, rindo e esfregando as mãos de contentamento atrás das bambolinas do palco, aparecendo depois com ar muito pungente a discursar às massas apelando à paz. QUEM SÃO ELES? Ora adivinhem se puderem e quiserem porque o esforço não é grande.

Um @bração do
Zecatelhado

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ÁFRICA MINHA

* J.P.T.

Doutorando>

Assinei hoje um abaixo-assinado. Vai-me acontecendo. Como muitas vezes dou uma vista de olhos a quem já assinou o que estou a assinar (mera cusquice; e também algum prazer em reconhecer, volta e meia, algum distante amigo ou conhecido). Normalmente nestas coisas pedem nome (pudera), profissão (não sei bem porquê) e local de assinatura (pensando bem, também não percebo).

Vem isto a propósito de uma "profissão" que aparece sempre representada nestes abaixo-assinados/petições: PHD (assim, em maísculas) Student (às vezes idem, mas nem sempre).

Será possível passar de boca em boca (e de ecrã em ecrã), como quem não quer a coisa, que para essa actividade (se profissão ou não já é outra coisa) há palavra em português? Em minúsculas, não muito bonita, mas, caramba, nem é difícil: diz-se doutorando. OK, DOUTORANDO, se é assim tão necessário maísculizar.

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ARROBAS

* Paulo Querido

SO LONG GOOGLE.>

Retirei o Google Desktop do meu computador e recomendo que façam o mesmo, até o assunto ser mais claro. Tenham também mais cuidado com as pesquisas naquele motor. Evitem os cookies do Google se por acaso fizerem uma pesquisa que prefiram manter longe dos olhares alheios (e por alheios entendam: vilões e polícias...). Não gravem as conversas do Google Talk. Não enviem correio demasiado privado através do Gmail. Não estou a brincar.

Quatro exemplos de muitas razões: Google software allows remote access to PCs, FAQ: When Google is not your friend, Privacy fears hit Google search, e Google Copies Your Hard Drive - Government Smiles in Anticipation.

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ASPIRINAS E MELHORAIS

* Luís

A jihad>

Definitivamente, o incidente dos cartoons e as manifestações, tudo organizado pelos sectores mais radicais do Islão (e que não existiram quando os cartoons foram publicados, num jornal egípcio, em Outubro) estão a resultar às mil maravilhas. Tirando em Inglaterra, onde os textos de opinião vão, na sua maioria, no sentido inverso aos que aqui se têm publicado, a Jihad parece ter tomado conta das cabeças dos nossos articulistas. Três citações, apenas de textos de ontem e de hoje aqui do nosso cantinho, e que estão longe de ser o que de mais extraordinário se escreveu nestes dias sobre milhões de pessoas e toda uma civilização:

«Não conhecemos, em todo o mundo árabe, o nome de um cientista, músico, arquitecto, cineasta, explorador, atleta, enfim, alguém que faça sonhar ou avançar a humanidade.» Miguel Sousa Tavares

«[Uma religião] cujos fiéis explodem de alegria espontânea, quando há atentados como os de 11 de Setembro. Ou gostam de brincar com o Holocausto.» Pedro D’Anunciação

«Estamos num confronto cultural e civilizacional... estamos em guerra». José Pacheco Pereira

Quem leia estas pérolas e ainda tenha uma réstia de juízo há de perceber porque não me quero juntar ao coro dos guerreiros, em que é mais aplaudido quem disser a maior barbaridade (como de costume, Miguel Sousa Tavares leva a medalha de ouro). Todo o direito de publicarem os cartoons. Estão publicados, não estão? Agora, se para defender a liberdade de imprensa nos temos todos de transformar em novos cruzados, eu entrego já a minha armadura a qualquer um destes senhores. Em boa hora mantive a saudável distância desta gritaria.

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BOLINANDO

* Luís Bonifácio

Etica Republicana é.....>


ASSASSINAR PELAS COSTAS!
Em memória de El Rei D. Carlos I e do Principe Luís Filipe, barbaramente assassinados pela Maçonaria Republicana no dia 1 de Fevereiro de 1908

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CO2

CO2

"Escola" preservativa - reflexão pós-moderna >

Eu, às vezes, fico para aqui que mal me tenho... Primeiro o Português nem era muito preciso; agora, o preservativo é elemento cultural determinante.

Pois preservativos serão distribuídos nas escolas, desde que os pais dos jovens estejam de acordo.

Ora e porque não?... Só não entendo como se pode ser tão pouco ambicioso, senhora Ministra.

Eu cá, se mandasse, estendia essa cena do "sexo seguro" a áreas muito mais criativas e abrangentes. O preservativo é demasiado limitativo.

Sei lá... estou a lembrar-me de vibradores e bonecas de encher, por exemplo. Há lá sexo mais seguro do que esse?!... E aproveitava-se logo para fazer avanços no choque tecnológico...

Entretanto, questiono-me: - E para que cabazes de ananazes servirão os progenitores excelentíssimos destes rebentos tão carentes de sexo e, ainda para mais, seguro?

A "escola" é que deve ensinar as crianças a comer. A "escola" é que deve ensinar as crianças a comportarem-se em público. A "escola" é que deve ensinar as crianças que os macacos retirados do nariz nem são para degustar, nem são autocolantes de promoção ao jardim zoológico...

Agora, a "escola" vai industriar as crianças sobre sexo seguro, pela mão da senhora Ministra.

Eu acho bem! Porque os pais, na verdade e pelo que se vê nas ruas - pelo menos, uma larga maioria deles - não servem mesmo para nada.

Para rentabilizar o ensino, eu advogo até que as "escolas" deviam era abrir as portas a putativos pais que na "escola" dariam a reverendíssima e institucionalíssima queca, deixando logo uma declaração de alienação total do presuntivo pimpolho à instituição, mal ele nascesse... e iam à vida deles, que o mercado do trabalho não está para graças, caraças!

No fim disto tudo e já agora que aqui estamos: afinal a "escola" serve para ensinar o quê?

EM CRESCENDO

* Thita

Há dias assim...>

Quando se perde uma pessoa querida, da família, já é difícil aceitar-se. Tem a ver com a lei da vida que aos mais velhinhos nunca foi grata. Mas a minha Becky Cristina , não!
Foi ela que me viu nascer, que me aquecia nos dias frios e me lambuzava durante o Verão. Era a ela que eu fazia trinta por uma linha e que nunca protestava.

Nunca ma deviam ter levado...

Não gosto da Vida assim!

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ENTRE O CÉU E O INFERNO

* Patrick Blese

Perante a ameaça, como reagir? Dar a outra face ou ser firme nas convicções?>

Segundo o Estado português há que limitar a liberdade de expressão à luz do conflito, que neste caso dos cartoons, mantêm com a liberdade religiosa dos muçulmanos.
Foi isto que Freitas do Amaral em comunicado veio dizer ao mundo.
Para mim a questão é que Freitas do Amaral proferiu as afirmações num contexto, digamos, geo-estratégico em que teve em particular atenção a defesa de duas situações: o petróleo e a retirada de Portugal do mapa da previsível vendetta do islão contra os defensores desta liberdade de expressão.
Portanto a questão que os portugueses se devem colocar, antes de chacinarem o seu chefe da diplomacia na praça pública, é se concordam que ele produza as declarações avulsas e hipócritas que proferiu para nos afastar do mapa do terror e continuarmos a viver em paz.

O meu instinto manda-me responder que as declarações do nosso Ministro não nos favorecem.
Nem no tal plano, digamos, geo-estratégico.

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ESTENDAL DE LETRAS

* Raúl
Na mesma semana e no mesmo ramal por 3 vezes registou-se o rebentamento duma conduta de água, provocado por uma escavadora

Lembrei-me logo da recomendação das entidades oficiais para pouparmos água.
No decorrer desta semana decorre na zona onde trabalho obras de abertura de vala para instalação duma conduta de gás natural. Acabou de ocorrer à pouco o rebentamento provocado por uma escavadora que está a abrir a vala, correspondendo ao 3º. nesta semana e no mesmo ramal. A água corre há mais de meia hora num caudal enorme. Tudo isto acontece neste país com uma frequência impressionante porque os empreiteiros e sub-empreiteiros de obras públicas funcionam irresponsavelmente. Ao que parece quando isto acontece é-lhes aplicada uma coima de 500 € o que provavelmente nem sequer paga o desperdício da água que ainda vai correndo pela rua fora. Isto porque quando se realizam trabalhos não contactam outras entidades para lhes fornecer plantas com os ramais de condutas de água e de rede eléctrica para se evitar o registo de incidentes destes. Já passou meia hora e a água continua a correr. Entretanto foi já anunciado o aumento deste liquido precioso a pagar pelos consumidores, sim que a irresponsabilidade de alguns tem de ser suportada pela carteira dos outros.

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HERTZs

* Jorge

Rádios Locais: o estado a que chegamos>

Já é de sábado passado, mas só hoje li o artigo do DN, «O colapso das rádios locais», da autoria de Nuno Azinheira (não está online).
O artigo começa com uma pergunta bastante pertinente: «O que sobra das 314 rádios locais legalizadas em 1989 pelo governo de Cavaco Silva?» A resposta, também dada pelo articulista, é curta e elucidativa: «Pouco».
Nuno Azinheira dá um exemplo do estado a que as rádios locais chegaram: «num concelho (Sintra, um dos maiores do País) que, à época, tinha três rádios locais (duas delas de forte cariz informativo) e três grandes semanários jornalisticamente relevantes, sobram hoje estações que pouco mais fazem do que debitar música (uma delas transmite desde sempre programação religiosa, com os seus pastores brasileiros)(...).
A rádio de que vos falo (Ocidente, em Mem Martins) acaba de ser comprada pela Renascença, desconhecendo-se ainda o que o grupo que lidera a rádio em Portugal pretende fazer com ela. Mudar-lhe o nome, mudar-lhe o perfil, torná-la retransmissora de uma das suas estações são, para já, possibilidades.
Imaginar o fim de uma das mais importantes rádios da Área Metropolitana de Lisboa nos anos 90, confesso, é, para mim, difícil de engolir.
Os leitores perdoar-me-ão a escorregadela afectiva. Mas, emoções à parte, o retrato da rádio em Sintra é um espelho fiel do que se passa por todo o País»
Nuno Azinheira tem razão. A maioria das rádios locais divide-se hoje «em retransmissores de cadeias nacionais, em descarados amplificadores de confissões religiosas, em rádios musicais tipo nostalgia, ou, pura e simplesmente, correias de transmissão de caciques políticos locais».
É triste, mas é verdade.

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JERIQUICES

* Jumento

Alternativas Profissionais>

O criador de vacas leiteiras [+]

Iniciámos ontem a actividade da escola de formação profissional d'O Jumento, que tem por nobre objectivo proporcionar aos nossos políticos uma profissão alternativa, para que estejas prontos para enfrentar a vida quando abandoarem a política. Desta forma podem evitar ter que se empregar nalguma empresa que tenha sido objecto das suas intervenções ou ter que recorrer a subsídios estatais.

Depois do sucesso da reintegração na vida activa de Pedro Santana Lopes, vamos entregar o diploma de formação profissional a Isaltino Morais, um político que pode sair da vida política a qualquer instante. Tendo em conta os seus laços especiais com a Suíça e a sua tendência para os doces a nossa avaliação das suas aptidões profissionais apontou para uma grande probabilidade de sucesso do autarca de Oeiras a criar vacas leiteiras. Resta agora o apoio do Plano Tecnológico para que Portugal possa concorrer em breve com o conhecido chocolate de leite suíço.

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MONÓLOGOS COM CRISTA

* Vi e Cócó

Nova gerência, mesmos funcionários...>

Que é como quem diz...
Mudou hoje de mãos o nosso bairro aqui do Weblog. Mas os blogs são os mesmos, escritos exactamente pelas mesmas pessoas.
E esta redacção “nasceu” do que li no Pópulo, escrito pela Sôdona Emiéle. A mim também me faz um bocadinho de impressão saber que vou entrar no “bairro” e não encontrar, sentado à secretária, a vigiar com olhos de lince os tais monitores cheios de luzinhas a medir a velocidade, a temperatura, os tempos de resposta, o tráfego... de mata-moscas em punho a afastar os horrorosos dos spams que vinham infestar as nossas caixas de comentários de viagras e meninas nuas. (às vezes, até, “convidado” a apartar brigas entre homens de barba na cara e que deviam ter mais juízo...) - que não vou encontrar o nosso “senhorio como eu lhe chamava. O criador deste espaço onde viemos, um a um, abrir os nossos estaminés de palavras, ideias e imagens.

Em volta deste nome “Weblog” foi-se juntando um grupo de pessoas de todos os sexos, idades, opiniões políticas, provavelmente de diferentes religiões e com maneiras de amar também diferentes. Muitas dessas pessoas foram criando um sentimento de “pertencer” a qualquer coisa. (euzinha própria, que há muitos anos não me sentia pertencer senão a mim própria – e à minha família – dei por mim a “fazer parte de”, fui a encontros, conheci outros bloggers, saí da casca...). Cada um no seu blog, e à sua maneira, foi construindo dia a dia uma pequena peça deste imenso puzzle de ideias, opiniões, personalidades, pessoas. Foi então assim que o Weblog chegou até aqui.

Com um grande(ssíssimo) trabalho do nosso senhorio, mas com a colaboração e a contribuição de todos os que por aqui “aterraram”. Blogs “de referência” e blogs sem referência, formadores de opinião ou sem opinião formada, onde quer que houvesse desejos de escrever, de “dizer coisas ao mundo”, lá vinha a vontade de abrir um blog. E sempre o Senhorio a dar o apoio, a resolver o problema ou a dificuldade... Ele e a sua equipa-de-um-só-homem-ele-próprio.

E hoje é dia de “passar a pasta” a um novo senhorio. A este, provavelmente, não vou conhecer a cara, não vou vê-lo sentado à secretária ali na entrada do “bairro” – deve arranjar uma sala tranquila e reservada para colocar os tais monitores cheios de luzinhas a piscar. Vai com certeza ter uma meia dúzia de funcionários a tratar da papelada, uma empregada da limpeza a cuidar de spams, bugs e quejandos. Não nos vai responder pessoalmente, mas pedir à secretária que nos envie um mail a responder ao nosso apelo desesperado porque o template “deu o prego”. As nossas “casinhas” vão continuar a ser limpas e cuidadas, o jardim da frente aparado.

No fundo, há “uma pequena parte” da equipa do Weblog que vai mudar: a tal equipa de uma pessoa que fazia noventa (e muitos) por cento do trabalho. O restante da equipa, que somos todos nós, vai ser a mesma amanhã e depois, enquanto cada um de nós quiser.

Neste dia da passagem do testemunho, vou convidar o meu mui estimado Cocó a levantar comigo a flûte, fazer um brinde aos dois Weblogs – de antes e depois da mudança de gerência – e a aplaudir, de pé e com muita força, todas as equipas do “Weblog”: a que parte, a que chega, e a que fica, que somos todos nós.

E disse.

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O ESPELHO DAS PALAVRAS

* Wind

Água do rio>


Saio de casa,
Caminho pela terra
Para chegar o mais depressa possível
Ao pé de ti.
Pessoas cumprimentam-me
Mas nem respondo
Começo a correr
Até que finalmente te vejo.
Dispo-me e lanço-me em ti
Que já me esperas
Olho a minha cara na água fria,
Vejo-me sem as máscaras
Que utilizo dia a dia.
Não preciso de me defender de ninguém
Quando aqui estou.
És só tu, eu e as nossas almas:
As rochas...

Wind

Foto:José Marafona

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ORA DIGA LÁ DONA JOANA

* Joana- Presente!



"Nunca te apagaremos da memória"

Joana- PRESENTE!

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OUTRAS MARGENS

* Pedro Guedes

O Essencial eo Acessório>

Conhecida que é a minha tese de enorme desconfiança em relação à "guerra de civilizações" que nos quer vender o prêt-a-penser - e que solenemente declara, depois de há não muito ter proclamado o "fim da história", que ao virar da esquina está aí meio mundo pronto a matar o outro meio - julgo ser mais avisado colocar os pés na terra e tratar de olhar cá para o sítio, ao invés de focarmos atenções no Médio-Oriente ou no mundo muçulmano, como que tomando dores que de todo não nos dizem respeito.
Vem o considerando a propósito de um texto que, a fazer fé em mão amiga, terça-feira foi publicado no DN, secção de Cartas dos Leitores. Ao que me contam, estava a missiva assinada por um dos altos representantes da Comunidade Islâmica da Mui Nobre e Sempre Leal e Invicta cidade do Porto, moço que terá redigido a dado passo dizendo uma verdade conhecida de quantos não enfiam a cabeça na areia: que em 25 anos - como máximo - o islamismo será religião maioritária na Europa. Como é evidente, e pelo que leio por aí, o assunto não parece de relevo para os que ultimamente descobriram o valor sagrado da liberdade de expressão. A respeito, nem um comentário para amostra, uma só linha que fosse. Népia, nem nada. Ora, julgo que se justificaria posição a propósito, nomeadamente da parte de quantos nos últimos dias vêm defendendo o princípio de que no Ocidente valem as regras do dito cujo. É que continuando a valer a este ritmo, daqui a 25 anos a coisa está negra - e isto não é racismo, é liberdade de expressão.
A verdade é que se não tenho, de facto, qualquer interesse ou gosto em ofender as crenças alheias ou em vender aos outros uma forma de laicismo materialista empacotado em forma de civilização, também não faço gosto em viver no Islão, ainda que o dito se transfira para as margens do Sena, do Reno, do Tejo ou adjacentes. Resumindo: se não quero exportar o que quer que seja, também não entendo como útil importações excessivas. Custa-me por isso verificar que ao mesmo tempo em que a Europa discute, interessada, questões da maior relevância para o futuro da humanidade como sejam o aumento do prazo da legalização do aborto, o casamento dos maricas ou a retirada de Crucifixos de escolas e hospitais, passe ao lado do essencial, sendo que o essencial é a implementação de verdadeiras políticas de natalidade e de incentivo às famílias numerosas e a restrição urgente da imigração.
Desculparão vocências o incómodo, mas não tenho o mais pequeno interesse em ver a minha filha, lá para o final da universidade, a ter que se esconder numa burka para se apresentar em prova oral. E perante a existência de tal quadro, não teria certamente qualquer problema em actuar à moda islâmica.

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PORTO SENTIDO

* Maria

Ruminando>

Como já se devem ter dado conta este meu blog anda um deserto. E nem é rigorosamente devido a falta de vontade de escrever, mas da distância que vai do desejo ao acto. Do querer ao concretizar. Do idealizar ao tornar palpável. Do sonho à realidade.

Fases que todos temos e que a mim, nesta altura, me fazem dividir entre muitos projectos, agarrar campos diferentes, alterar, mudar, construir de novo, espaços, tempos, relações.

E o blog tornou-se espelho de relações feitas na distância (e outras no distanciamento), tornou-se reflexo de uma forma de viver controlada, protegida, em que a exposição é só a desejada, em que a partilha é ponderada, em que os mundos são herméticos se assim o desejarmos, em que o nosso tempo continua a ser unicamente nosso, gerido e controladas as interferências. Cada um na sua casa, com o seu computador, interagindo à distância.

Podem-me dizer, é a vida actual, que cada vez mais isola as pessoas, é a forma de fazer cidade que cada vez mais esquece os espaços de sociabilização, é a aceleração da vida, o stress, o tempo passado no trânsito, que limitam o tempo disponível, que degradam a qualidade de vida. E tem razão! Alguma! Mas nós não somos carneirinhos seguindo pastor, pelo menos tentamos não ser por inteiro. E em determinadas alturas somos menos carneiros do que noutras.

E nesta minha fase sinto-me mais seduzida por lobos do que por cordeiros, aprecio mais quem é timoneiro do seu barco do que aquele que se deixa levar, admiro mais aquele que partilha a sua vida do que aquele que se isola e se protege.

O blog tem ficado numa suspensão indefinida, não é abandono, todos os dias passo por cá para ver se não fugiu ou foi raptado, mas também não é um cuidar activo, os post são deixados programados para irem aparecendo e não parecer que esta é uma casa deserta de vida. Acho que o encanto de outrora se perdeu, mas não lhe sinto verdadeiramente a falta, porque outras coisas vieram ocupar esses espaços e tempos.

Devem estar a perguntar a que propósito vem estas baboseiras todas, que interesse ou sentido tem tudo isto, ou pelo menos porque é que apareceu neste momento. E se muitas coisas nascem sem razão este meu ruminanço matinal que se foi estendendo tarde adentro, sempre criteriosamente misturado com outras actividades, teve efectivamente uma razão. O reaparecimento do Café Expresso Tádechuva, na semana passada, agora feito noutros moldes, foi a razão primeira deste meu crochetar de ideias e sensações.

Primeiro, constatar que tinha deixado sem referência no blog o reaparecimento de um projecto que sempre me agradou e feito por uma pessoa que aprecio muito.
Segundo, ter plena consciência que o que é colocado no blog no período de uma semana é pouco e pode não ter nada que mereça a colocação no Café Expresso.
Terceiro, saber que não é apenas do meu blog que ando afastada, mas de todos.

Conclusões deste mastigar de ideias? Nenhumas. Nem eram pretendidas.
Propósitos deste arrazoado de letras? Nenhum. Nenhuma promessa de futuro ser mais presente no blog, nem nenhuma despedida definitiva deste mundo virtual.
Apenas o tempo irá dizer.
O futuro faz-se caminhando…

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QUANDO AS PALAVRAS DANÇAM

* Lique

Sensibilidade e bom senso >

O título pode enganar. Jane Austen não é para aqui chamada. No entanto, cada vez mais me parece óbvio que o equilíbrio de comportamento deve juntar em doses semelhantes a sensibilidade e o bem senso. Afinal, a sensibilidade é fundamental para “apanharmos” os matizes que fazem de nós e dos outros, pessoas únicas. E o bom senso é a característica que impede exageros a que a sensibilidade nos leva.
Com maioria de razão, estes dois atributos devem ser usados em tudo o que tenha impacto na opinião pública. A dita “liberdade de expressão”, se não for balizada por estes dois factores, corre o risco de ser de mau gosto, ofensiva e de provocar reacções incontroladas. Claro que já adivinharam onde quero chegar. Desde que me conheço que defendo esta liberdade fundamental mas, sinceramente, não vejo de que forma é que ela foi bem servida com a publicação dos “benditos” cartoons na Dinamarca e, sobretudo, com a exaustiva repetição dessa publicação por toda a Europa.
E, como tenho a “mania da conspiração” (será mesmo?), pergunto-me a quem serve esta algazarra toda, quase seis meses depois da publicação original. Neste momento, a Europa “arma-se aos cucos” e aparece, perante o mundo árabe, como a “má da fita” e, extraordinariamente, os EUA adoptam uma posição “equilibrada”. E a famosa “Al Qaeda”, que ninguém sabe bem o que é, tem ainda mais razões para continuar os atentados. Dá que pensar…
Para que não me interpretem mal, é claro que condeno as reacções de violência do mundo árabe. Mas, sinceramente e dados os antecedentes em questões muito menos importantes, esperava-se que fosse diferente?
Sejamos absolutamente claros: quem os publicou e quem reproduziu não teve sensibilidade e, muito menos, bom senso. Exerceu a sua “liberdade de expressão”, claro. Sem ter em conta qualquer tipo de consequências. Podia fazê-lo? Sim. Foi responsável fazê-lo? Não.
E agora uma data de “bem intencionados” e “intelectuais” grita que temos que apoiar a Dinamarca. Mas apoiar a Dinamarca em quê? Há uma guerra a decorrer? Vamos esperar que não e, sobretudo, que exista sensibilidade e bom senso para sarar mais este ferida entre dois mundos que têm que se entender.


P.S.: Podia ter ilustrado este post com um dos cartoons. Recebi-os por mail inúmeras vezes. Mas, pura e simplesmente, recuso-me a fazê-lo.

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SECUNDÁRIO E COMPLEMENTAR

* Techer

Tu...>

Paulo, meteste-me neste embróglio. Sabes o que é um blog? perguntaste. Tinha uma ideia, um diário de viagem escrito na internet. E não só, tu podes ter o teu! E deste-me uns links.
Tinhas criado a weblog.com.pt e achavas que um vulgar professor encontraria num blog mais um auxiliar pedagógico. Querias que eu experimentasse.
Arranja um nome, disseste. Sabia lá!... O que é que te chamam,... na escola? Teacher. Franziste a cara, acho. Password? ... Tá feito. Desenrasca-te! e partiste para Lisboa.

Tinhas-me deixado um fósforo, a palha era minha!
Mas o timing era errado. O tempo de professora estava no fim. Não resultou. Sorry! Foi na Biblioteca da escola que experimentei as possibilidades utilitárias do Espectáculo. Resto zero! Precoce, demasiado precoce...

Thanks, irmão! E, em hora de balanço, sorry I was late!

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SAUDAVELMENTE FALANDO

* José Gonçalves

"De Folga">

Esta semana não há nada para ninguém.

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SOCIALMENTE INCORRECTO

* Biranta

Uma Cena Linda! >

Ontem, no telejornal, Rumsfeld a falar (acho que era uma Conferência de Imprensa, não sei bem).
O que dizia Rumsfeld? As cretinices, as infâmias, as reaccionarices do costume.
O recurso ao terrorismo psicológico e ao primarismo mais abjecto ao comparar Hugo Chavez com Hitler (o homem não tem espelhos) e diabolizar o facto de Chavez ter dinheiro do petróleo (vocês sabem: os “donos” do dinheiro e do petróleo são os facínoras que governam os U.S.):
Tudo isto para “juntar à sua longa lista” mais um inimigo público, um alvo (é que, não nos iludamos, Richard Perle, um dos “mentores” de Bush, diz, acerca das “prioridades” e motivações dos U.S.: “just wage a total war…”). Perceberam bem? Total War...

Mas eis que, de entre os palhaços, imbecis, mentecaptos, dos assistentes, se levanta uma mulher, ainda jovem, exigindo que a administração americana se demita e tentando denunciar os crimes hediondos que tem praticado, com referência à tortura (que continua ainda agora).

Foi Lindo! Lindo! Abençoada mulher!
Afinal ainda existe muita gente com dignidade, capaz de se indignar com tanta perfídia, capaz de lutar contra tal chusma de facínoras, de neo-nazis, pela nossa dignidade colectiva, pela justiça, pela democracia, pelo direito da humanidade a viver em paz…
Já que os homens não têm “tomates”, valham-nos as mulheres…

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TUTO B(U)ONO

* Golfinho

U2 são os grandes vencedores dos Grammys>

O grupo de rock irlandês U2 foi hoje o grande vencedor da 48ª edição dos Grammy, os prémios da indústria de música norte-americana, ao ganhar nas cinco categorias a que concorria, enquanto Mariah Carey foi a grande derrotada.

Mais cinco a juntar à colecção:

*Album of the Year
*Best Rock Album
*Song of the Year for "Sometimes You Can't Make It On Your Own"
*Rock Performance By A Duo Or Group With Vocal for "Sometimes You Can't Make It On Your Own"
*Best Rock Song for "City Of Blinding Lights"

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UM SOPRO DA PLANÍCIE

* Francisco Nunes

"Multiculturalismo - uma toleima nossa.">

Se o multiculturalismo sustem a necessidade de fazer respeitar as marcas culturais de cada indivíduo de acordo com a sua proveniência ('o homem, o indivíduo, -considera a rapaziada bem pensante- é um fim em si, não é um meio'), promovendo até alguma discriminação positiva (passe o óbvio non sense); então os discriminatórios ghettos (judiarias) e mourarias medievais estarão na génese do 'modernaço' e muito, mas mesmo muito... pink, multiculturalismo? -perguntamos.
De qualquer forma, -e para os mais desatentos- os negócios sempre correram, e muito bem, à parte destas discriminações... ora pois, pudera!
Mas isto -lá está!- dizemos nós, que somos umas perfeitas bestas retintas...

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