TUTO B(U)ONO
* Golfinho
"Coexist"

Foto: Inês Pataco
"Coexist.
Em português significa o mesmo: coexistir. Significa o mesmo na Palestina, em Israel.
Jesus, Judeu, Maomé, é verdade!
Jesus, Judeu, Maomé, é verdade!
Todos filhos de Abrãao. Todos filhos de Abrãao.
Pai Abrão, que fizeste?
Pai Abrãao, fala aos teus filhos; diz-lhes nunca mais, nunca mais! Tell them: NO MORE!"
Bono, durante "Sunday Bloody Sunday" no concerto de 20 de Fevereiro de 2006 no estádio do Morumbi, São Paulo; Brasil.
E se isto fosse dito num país islâmico fundamentalista ou em Israel onde Bono foi alvo de tentativa de agressão por um grupo de extremistas de direita quando passou por lá na Pop Mart Tour? Ou, nestes tempos, na Dinamarca?
Bono foi mal-interpretado por alguns extremistas evangélicos norte-americanos que viram nestas frases de apelo à paz um verdadeiro anti-cristo, feridos que estavam pelo 11 de Setembro e, outros agarrados à interpretação literal da Bíblia.
A minha opinião é que estas palavras são de apelo à Paz mundial, mesmo, na linha de Sunday Bloody Sunday (que nos primeiros tempos foi aproveitada pelo IRA, e Bono logo desmentiu chamando-os de fascistas e que não pactuava com extremistas de esquerda, nem de direita, nem com ninguém que matasse em nome de um ideal), apelando para que nestes tempos difíceis a humanidade de todos credos, descendente do mesmo pai - Abrãao -, se sente à mesa, se respeite e fale. E é sobretudo um apelo àqueles que o ouvem, os moderados, os silenciosos, aqueles que, como no tempo de Sunday Bloody Sunday faziam o jogo da Diplomacia, pois é nesses que podemos depositar as nossas esperanças - nos homens dos bons ofícios.