HERTZ
* Jorge Guimarães Silva
"A rádio digital é para quem? "
“A rádio faz companhia”. Qualquer estudante de Comunicação dirá que isto é absolutamente verdade, mas, se o Digital Audio Broadcasting (DAB) for implementado este princípio poderá ser alterado para “a rádio faz companhia... a alguns”. É que o preço do receptor DAB mais barato ronda os 150 euros, contra um receptor de Frequência Modulada (FM) que pode custar apenas um euro.
Os entendidos em rádio da União Europeia - que ganham exactamente o nosso ordenado mínimo nacional, têm um nível de vida igual ao nosso, e suam as estopinhas em Bruxelas, trabalhando para além das horas de expediente sem receberem mais por isso, para nos brindarem com directrizes que resultam numa diminuição do fosso entre ricos e pobres em Portugal – decidiram que o switch off (o fim das emissões analógicas) deveria ser em 2010. Claro que esta data só por si já é ridícula, primeiro pela sua proximidade e, depois, porque o resto da Europa vai mostrando desagrado em relação ao DAB. Só na Inglaterra é que parece que tudo vai bem com a rádio digital.
É fácil, para quem tem muito, esquecer-se dos que têm menos. Se o switch off se der em 2010 (acho que não, mas sei lá...) quantas pessoas vão ficar impedidas de ouvir rádio? Façamos as contas a quantos reformados - que auferem um pagamento miserável da Segurança Social que nem chega para medicamentos – trabalhadores que recebem o ordenado mínimo, ou pouco mais, desempregados e, também, àqueles que nada têm - que muitas vezes são sem-abrigo - e vamos verificar que mais de metade da população portuguesa se insere neste grupo.
Dinheiro para um receptor DAB? Claro! Se forem como o S. Benedito... não come, não bebe, mas anda sempre gordito!