fevereiro 26, 2006

CABALAR

* Raio

Energia nuclear para quê?

...É um facto que, aparentemente, o número de mortos provocado por acidentes em centrais nucleares é baixo. Mas, neste número, não entram valores como o de possíveis casos de cancros entre a população causados pelo acidente de Chernobyl e outros.
O problema fundamental é outro, a probabilidade de um grande, muito grande acidente existe e, por menor que ela seja o acidente pode ser tão grande que, de uma só vez, recupere todo o atraso em acidentes que existem até à data.
No caso de Portugal, um acidente numa central nuclear, poderia acabar com a viabilidade do país.
Um grave acidente na central de Almaraz, em Espanha, à beira do Tejo, poderia lançar grande quantidade de produtos radioactivos no rio e obrigar à evacuação de toda a população que vive à beira rio, como por exemplo a de Lisboa.
E por mais pequena que seja a probabilidade de um acidente deste tipo a multiplicação de centrais nucleares torna-os mais prováveis...
Depois o argumento de que a energia produzida por uma central nuclear é barata é muito discutível pois não entram no cálculo dos custos factores como segurança e principalmente o custo do desmantelamento da central nuclear. É que uma central não é eterna, tem um tempo de vida estimado nalgumas dezenas de anos e desmantela-la é caríssimo, quase tão caro como construir uma nova.
Também não se entra em conta com o custo do armazenamento dos resíduos. Até à data não existe nenhuma boa solução para este problema. Os espanhóis, por exemplo, queriam armazena-los mesmo ao lado da fronteira portuguesa, ali à beira Douro...
O custo do armazenamento dos resíduos por uns milhares de anos é uma incógnita.
Por fim há a dependência ao exterior que a central provoca, ainda maior do que a do petróleo, gás ou carvão de que existem muitos produtores espalhados pelo mundo.
Portugal produz urânio mas este só é útil de pois de enriquecido. E Portugal não tem capacidade para o enriquecer (é o problema que há agora com o Irão que quer enriquecer o seu minério de urânio).
Portanto Portugal teria de encomendar ao exterior o enriquecimento do seu urânio, enriquecimento esse que só pode ser feito num número muito reduzido de países. Nada nos garante o preço desse enriquecimento. Pode subir tanto ou mais do que o petróleo...

Posted by Zecatelhado at fevereiro 26, 2006 11:14 AM | TrackBack
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