Muito se tem discutido sobre esta matéria e julgo que este tema não se esgota por mais que se debata. Vem isto a propósito de um post publicado pelo também colaborador do “Café Expresso”, Pedro Guedes, no passado sábado, sob o título “A terra a quem a trabalha; mortos fora do cemitério, já”. Que foram palavras de ordem repetidas no pós revolução e que obviamente como noutras revoluções registadas noutras latitudes, também esta não foi perfeita, direi mesmo que enfermou de vários defeitos.
Quanto a mim, o principal, foi não terem responsabilizado aqueles que se serviram do regime ditatorial para cometerem os mais diversos crimes que ficaram por julgar.
No período dito do PREC, cometeram-se erros enormes que mais tarde se vieram a repercutir no Orçamento Geral do Estado, através do pagamento de indemnizações aos lesados, que foram selvaticamente expropriados, das suas propriedades e empresas as quais sofreram autênticas pilhagens por parte daqueles que lideraram as ocupações sempre entoando o grito de “A terra a quem a trabalha”. Houve muito oportunista que se governou à copa do roubo dos bens das várias empresas, que foram objecto de ocupação. Mas, duma maneira geral, os seus legítimos proprietários, acabaram mais tarde por serem indemnizados, alguns dos quais até foram demasiadamente bem recompensados pela usurpação sofrida do seu património. No entanto em relação aos residentes nas ex-colónias, ignorou-se a existência dos seus bens patrimoniais, abandonando-se os portugueses à sua sorte, pois nem sequer foi realizado o processo de descolonização.
Foi de resto esta a 2ª.parte negativa que resultou da revolução de Abril em que ninguém foi responsabilizado pelo não respeito, quer dos governos que assumiram a independência das ex-colónias, quer do governo português a quem moralmente cabia a responsabilidade de salvaguardar os bens dos seus cidadãos que reverteram a favor de não se sabe bem de quem.
Por isso importa esclarecer quem nos julga por aplaudir com entusiasmo a revolução de Abril, que o ênfase emprestado ao acontecimento, ignorando toda a carga negativa que o processo envolveu, tem apenas que ver com os aspecto muito importante na vida dos cidadãos de uma Nação que é a sua liberdade em democracia, apenas e só isso.