SECUNDÁRIO E COMPLEMENTAR

Teacher

Reciclagem

 

Na casa da minha avó havia um Sótão onde guardavam as coisas boas que deixavam de ter utilidade. Ali ficavam até alguém precisar delas. E era lá que subíamos à procura de ‘tesouros’, ou quando fazíamos ‘teatros’ nas férias em que se juntavam os miúdos.

As roupas, sapatos, malas chapéus, e objectos vários davam o mote às personagens que compúnhamos, e a partir delas construíamos a ‘peça’. A assistência, avós e tias mais velhas, sorria com indulgência, ou ria à gargalhada com as ‘figuras’ que fazíamos. É certo que há 50 anos não havia televisão, e cinema só ao domingo. Então as crianças tinham o serão por sua conta.

Mas hoje, as casas não têm Sótão, são tão pequenas que mal dão para guardar o essencial, e é preciso deitar fora os trapos de vez em quando, para arranjar espaço nos roupeiros. Quando os miúdos eram crianças, ainda eu guardava num malão vestidos, sapatos, malas e ‘jóias’, com que se entretinham nos faz-de-conta dos encontros de férias.

Agora, para deitar fora os ‘usados’ em bom estado, telefono para os serviços camarários, que vêm recolher os sacos.
- Desculpe, o que vão fazer com estas roupas?
- É tudo para queimar.
- Queimar?!
- Sim, queima-se tudo. As pessoas deitam fora o que não presta. É para queimar.

Então o blá-blá ecologista? A reciclagem? É só para as embalagens, para o papel, o vidro, as pilhas?

Parece que os americanos fazem garage sales, nos bairros e cidades, livram-se da ‘tralha’ e conseguem juntar umas ‘massas’ para oferecer a Organizações que protegem.

Acho que é por isso que são países ricos.

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