O ESPELHO DAS PALAVRAS

Wind

Ruy Belo


Ruy Belo nasceu em 1933 em Rio Maior e morreu subitamente em 1978.

Era licenciado em Filologia Românica e em Direito pela Universidade de Lisboa.

Exerceu brevemente as funções de director-adjunto no então Ministério da Educação Nacional, mas como era opositor de regime as suas actividades foram vigiadas e condicionadas.

Parte então para Madrid onde é leitor.

Volta em 1977 dando aulas na Escola Técnica do Cacém.

A sua obra está compilada em três volumes, sendo considerada uma obra cimeira da poesia portuguesa contemporânea, embora a vida do poeta tenha sido curta.

E agora um dos poemas que mais gosto dele e partilho-o convosco:

 

 

Mas que sei eu


Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?
Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono
Nenhum súbito súbdito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha
qualquer. Mas eu que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha


Ruy Belo

 

 

 

 

 


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