Desgosta-me e desilude-me profundamente o Portugal que se vai construindo depois de Abril. O despotismo, a arrogância, a jactância, a vilania, a pouca-vergonha e um número sem fim de mais adjectivos qualificativos que definem a forma de estar dos portugueses, leva-me a sentir na alma um misto de revolta e desgosto profundos ao retroceder trinta e um anos e pensar na alegria e na esperança das utopias sonhadas então para a construção do HOMEM NOVO, porque afinal o HOMEM NOVO não passou disso mesmo: uma UTOPIA.
Este país saído de Abril é hoje um couto, não de meia-dúzia de poderosos como outrora, mas de uns milhares largos de aprendizes de feiticeiro ( alguns deles - muitos - que gritaram em Abril de 74:
"Abaixo a tirania, os fascistas e os tachistas" ), que se auto-entitulam doutores ou engenheiros, arrogantes "até dizer chega", enfiados nos seus fatinhos cinzentos ou azuis escuros com gravatinha a condizer, que superam de longe em sacanice e "filha da putice" para com o seu semelhante, os sacanas e filhos da puta que antes de Abril por eles eram combatidos. Abril não foi feito para "TROCAR" de sacaninhas; Abril foi feito para acabar com todo o tipo desses tipos, passe o redondismo.
Cumpre-se este Domingo mais um 1º de Maio, o dia da festa do trabalho e dos trabalhadores. O direito a comemorar esse dia custou a liberdade ( e em alguns casos a própria vida ) a muitos homens e mulheres em todo o mundo.
O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.
Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.
Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade desenvolveram-se em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.
VIVA O 1º DE MAIO!