OUTRAS MARGENS |
Pedro Guedes |
Contra o défice, marchar, marchar! |
Soubemos esta semana que o já famoso défice pode chegar a 7%, pelo que não será exagerado imaginar que o governo encontrou a coisa pior do que Santana Lopes a havia visto pela primeira vez. Em todo o caso, não me custa a crer que já Santana Lopes encontrou o bicho em condições muito piores do que as apregoadas por Manuela Ferreira Leite, que – recorde-se – não se cansou de nos pedir sacrifícios, para continuar a gastar mais do que tinha. Mas ainda assim acredito piamente que Durão chegou ao executivo herdando o resultado do elevado esbanjar da tralha guterrista e assim sucessivamente caminhando no tempo, até chegarmos à “pesada herança”. De igual modo, é evidente que o Engº Sócrates não vai resolver o que quer que seja. Mesmo que quisesse, tem ar de não saber e, sobretudo, de não poder: com as autárquicas à porta, estarão aí os caciques locais a mendigar os últimos tostões: é para aquela rotunda, para acabar o arranha-céus, veja lá se se dá um jeitinho… Não bastando, vamos deitar mãos ao TGV (empreendimento que por acaso até é muito do meu agrado) e – quem sabe – erguer mais um aeroporto, nova ponte sobre o Tejo e o mais que seja, que ideias e tráfico de influências, a acreditar nos jornais, é o que não falta. E o diabo é que não se pode despedir ninguém na função pública, que a tendência sindical não autoriza e o PC sai à rua e tudo, o que é uma maçada para a gaveta onde meteram o socialismo. A única salvação desta gente é que isto só é falado enquanto houver falta de assunto de interesse nacional, na linha da da Expo e do Euro – duas coisas próprias de países pobres. Nessa altura, quando o ambiente estiver insuportável, eles continuarem a gastar à grande e à francesa e a malta já não conseguir estar de pé com o cinto tão apertado, eles tiram o coelho da cartola: candidatam a Pátria à organização dos Jogos Olímpicos e só voltamos a pensar na desgraça lá para 2020. Haja bagaço! |
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