EM CRESCENDO

Thita

"Não vou à bola com isto"


Não se pode negar que o Futebol está enraizado no sangue dos portugueses. Tal e qual como está o Fado e as Toiradas, os manjericos, as sardinhadas, os bailaricos e toda uma saudade de que me falam os mais velhos pelas coisas de antigamente. Falaram-me das peixeiras da cidade, dos pregões que andavam pelas ruas e de toda uma série de coisas que vou aprendendo a memorizar. Como o “copo três” e as “apanhadeiras” das meias de nylon das senhoras. (hihi…)

São coisas que não se podem perder mesmo que eu goste mais da PlayStation, da Internet e de escrever estas coisas.
Quem tem a sorte de poder estudar os hábitos antigos (outro assunto que estamos a fazer lá na escola) não e pode dar ao luxo de esquecer que o Futebol era a forma, segundo me contaram, de amenizar (é assim que se diz?) as dificuldades que os mais pobres passavam. Ou porque não queriam pensar mais nisso ou porque a vida deles era mesmo assim e era a única forma de terem uma alegriazita qualquer.

Mas eu fiz uma experiência e cheguei à conclusão de que, em termos de futebóis, estamos piores em relação aos outros tempos. É assim: comparando as histórias de quem me contou como se via o futebol daquele tempo cheguei à conclusão de que se calhar ainda somos mais obcecados. A gente nunca falha a um jogo do nosso clube (no meu caso é o Benfica, claro). A gente dança, brinca, apoia, fazemos barulho e chamam-se nomes ao árbitro quando as coisas não correm bem. Pintados, embandeirados e encachecolados em tudo o que o nosso corpo possa levar e não seja muito pesado.

Só que, segundo consta pela comparação que fiz com quem me contou estas coisas, há mais polícias e mais barreiras. As coisas estão mais caras e os clubes já não são aquilo que eram. Mais: (muito gosto eu deste “mais” que aprendi à pouco tempo, hihi…) tirando alguns apontamentos do livrinho de notas que levei, também posso dizer que comparei a forma como as pessoas iam vestidas. Quem eram os acompanhantes e como se comportavam, porque sempre ouvi dizer que “o respeitinho é muito bonito”.

E tenho a dizer que há diferenças e muitas. Na conversa que tive com a pessoa que já referi, uma delas é a ordinarice - é mesmo assim – que se ouve numa frase com três palavras. Eu sei muitas asneiras mas não as digo. Sou até capaz de dar o braço a torcer se a minha equipa estiver a jogar mal e sinto-me bem a apoiar as equipas portuguesas nas competições da UEFA, como agora fiz em Alvalade XXI.

Outra é as claques ou supporters. Diz quem sabe, que todo o apoio dado a uma equipa era feito espontaneamente. Agora estão todos organizados (?) e os resultados estão à vista. Inclusivamente, com os maus exemplos vindos de cima que ateiam ódios, apelam à desordem e fazem do clube a que pertencem um trampolim para serem conhecidos.
Não sei se já me perdi no raciocínio sobre o Futebol mas o que eu queria dizer era: Não vou à bola com isto.
Só vou por duas razões. Gosto muito do jogo em si e tenho uma excelente protecção.

 
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